Escolha de Barroso foi golpe de mestre de Dilma

Novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, irá contribuir para a reparação dos erros da Ação Penal 470 e não poderá ser criticado pelos meios de comunicação, que lhe dão apoio; análise é do jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril e da Globo, e hoje à frente do Diário do Centro do Mundo; ele aposta que José Dirceu não precisa mais se preocupar com o risco de prisão

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Escolha de Barroso foi golpe de mestre de Dilma


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247 - Com um movimento acertado, a presidente Dilma Rousseff conseguiu resolver um grande problema, que seria a eventual prisão de réus como José Dirceu, sem se indispor com os meios de meios de comunicação.

Jurista de reputação inatacável, Luís Roberto Barroso deve contribuir para a reparação dos erros da primeira fase da Ação Penal 470 – e não poderá ser criticado pela grande mídia, que lhe dá apoio. A análise é do jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril e da Globo, que hoje comanda o indispensável Diário do Centro do Mundo. Leia abaixo:


Por que Dilma ficou com Barroso

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Ela resolveu o problema do mensalão sem se indispor com a Globo, que gosta do novo ministro

Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

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O que você faz para resolver um problema e não criar outro?

Bem, no caso do STF, você nomeia Luís Roberto Barroso.

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Barroso resolve o problema do mensalão. Sua chegada ao Supremo muda o cenário no momento fundamental dos recursos.

Desfaz-se o estado de espírito anti-réus que dominou o STF, e que por um momento pareceu que levaria Zé Dirceu à cadeia.

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(Quem não se lembra do relato de Mônica Bergamo, na Folha, sobre o dia em que Dirceu fez as malas à espera de que o levassem pela madrugada?)

Joaquim Barbosa, o grande derrotado na nomeação, agora é minoritário.

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A segunda etapa do julgamento – aquela, sabemos agora – quase que começa do zero. Dirceu pode desfazer a mala, se já não desfez.

As sentenças extraordinariamente rigososas comandadas por Barbosa, e alinhadas com a mídia, vão sofrer uma enorme redução.

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Teses como a Teoria do Domínio do Fato, pela qual você pune sem provas, voltarão ao ostracismo.

Será difícil, como aconteceu, condenar alguém com base em denúncias de jornais e revistas – a maior parte delas sem comprovação.

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Barroso trouxe isso a Dilma – a certeza de que ela não terá que aturar a expressão de sarcasmo vitorioso de Barbosa, tão bem expressa no funeral de Niemeyer.

Para os repórteres, Dilma disse que a nomeação nada teve a ver com o mensalão, mas chamo aqui Wellington para comentar: quem acredita nisso acredita em tudo.

É um pastelão, é verdade – mas o final é melhor que o começo, tamanhas as barbaridades dos juízes no mensalão.

Dilma, com Barroso, resolve também um problema, como foi dito acima

Ela poderia enfrentar muitas críticas da mídia com a indicação. Com Barroso, ela neutralizou o maior foco das críticas: as Organizações Globo. Monopolista como a Globo é, você ganha a aprovação dela e o resto está feito no capítulo das relações com a mídia.

Barroso é amigo da Globo. Foi advogado da Abert, a associação que defende os interesses da Globo. Conforme mostrei num artigo anterior, chegou a escrever um artigo em que defendia a reserva de mercado para a Globo. (Os argumentos eram ridículos: até Mao Tsetung era invocado como um risco. Mas o fato é que ele escreveu o artigo e ele foi publicado no Globo.)

Portanto: você não vai ver Jabor, Merval, Ali Kamel, Míriam Leitão ou quem quer que seja na Globo atacando Barroso agora ou, um pouco depois, em suas intervenções no julgamento do recurso.

A família Marinho gosta dele: então seus vassalos também gostam.

São todos papistas, para usar a expressão com que o ex-diretor do Globo Evandro de Andrade se insinuou a Roberto Marinho quando quis o cargo.

Faço o que o senhor mandar, disse Evandro. É o que todos ali fazem, basicamente.

Barroso só não resolve o problema dos brasileiros de ter um Supremo patético – mas nada é perfeito.

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