Walter Hupsel, On the Rocks – Em São Paulo, capital, a polícia mata uma pessoa que não parou numa blitz. A imprensa notifica, seguindo um comunicado da própria PM, que um "suspeito" foi morto pela polícia. Poucas horas depois o "suspeito" (de que? Ninguém falou) transformou-se em publicitário. Ricardo Prudente de Aquino foi cercado e alvejado com cinco tiros dados a curta distância. Foi executado.
Não muito longe da capital paulista, em Santos, o carro que também não teria parado numa blitz foialvejado por vinte e cinco tiros. VINTE E CINCO. Segundo as parcas informações da imprensa, no carro estavam seis jovens. Bruno Gouveia e Viana morreu, dois seguem em estado grave.
O Governador Geraldo Alckmin prometeu, no caso do publicitário, uma rápida indenização à família. Sobre o jovem de Santos, o governador apenas lamentou.
Para Hudson Camilli, comandante interino da PM, a ação que matou o publicitário foi "legalmente inadequada". Lendo isso até imagino que o comandante se refere a viaturas estacionadas em cima das calçadas enquanto seus ocupantes fazem um joguinho da Mega-Sena, ou que um policial, com a bexiga doendo de tão cheia, estivesse urinando em uma pracinha qualquer.
Não é nenhuma novidade que a polícia brasileira mata, executa, assassina. Os dois casos acima ilustram isso de maneira cabal. Duas pessoas executadas: despreparo ou certeza da impunidade?
A polícia brasileira, corporativista e despreparada, sabe que pode "sentar o dedo" que depois é só inventar esta figura estranha, bizarra, de "auto de resistência", que legitima qualquer execução (inclusive aquelas mortes de 'bala perdida', como se não tivesse alguém puxado o gatilho).
A pena de morte que existe de fato no Brasil está cristalizada na ideia da "resistência seguida de morte". É muito fácil forjar acertos de contas, abusos e execuções por trás da "resistência". Matou alguém? Lavra um "auto de resistência" que o morto vira automaticamente "suspeito" ou "autor" ao invés de vítima.
"Matei porque ele resistiu, resistiu porque era culpado, culpado merece morrer". Aí é só colocar drogas ou armas na vítima.
Neste contexto, nas duas mortes em blitz, na explicação de que o celular do publicitário poderia ser uma arma, é que vem mais que tardiamente a iniciativa da SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) de tentar acabar com o termo "resistência seguida de morte". Se a polícia matar alguém, será, como em todo lugar do mundo, tratado como homicídio. Poderá ter atenuantes, agravantes, poderá ser legítima defesa caso provem que era uma situação excludente, "ou eu ou ele".
Mas até isso acontecer, até tratarmos todo assassinato a priori como homicídio, mais e mais mortes acontecerão. Algumas merecerão condolências do governador, outras apenas uma nota no pé de uma página com o titulo: "Suspeito reage à prisão e morre em confronto com a polícia".
Comentários
25 comentários em "Quando a polícia mata impunemente"
BETE 26.07.2012 às 13:03
A marginalidade está cada vez maior, é fato mas acho que os policiais deveriam ser melhores treinados para abordar as pessoas.
milton 23.07.2012 às 12:20
Lembre-se se você estiver nas ruas e ver um comando não toque no celular eles vão ver um revolver solte o volante ele parece um bumerangue,furadeira...nem pensar afinal o treinamento deles é de MATAR. Abraço a todos.
milton 23.07.2012 às 12:09
porque um médico,psicologo,engenheiro,,se preparam anos e anos para executar com responsabilidade e competência suas profissões em quanto o estado coloca nas ruas homens desprovidos de bom senso,cultura,inteligência agindo como animais marcando território,tá na hora do estado agir com mais critério ao selecionar estes homens,afinal somos seres civilizados...... Abraço.
MP 22.07.2012 às 19:01
Tem muita gente so pondo a culpa em toda a policia, falando que o PT resolve isso i aquilo... porem na minha opnião a culpa é da nossa politica e é toda a politica num é so o partido X ou o Y é tudo... Outro ao esta comparando a policia de são paulo com a dos EUA isso é no minimo RIDICULO, pois veja bem: no EUA os policiais são muitissimos bem treinados, equipados, estudados, VALORIZADOS, tem carga horaria com certeza boa, etc... as leis de la punen ate o imbecil que desacata o policial, agora aqui no brasil como é vcs sabem: pois eu conto pra vcs... preparo que é bom NADA ficam la na academia treinando desfile, continencia, marchar, são tratados como escravos com salario baixissimo e carga horaria horrivel, dentre mil e outras coisas... enfim meus amigos não da pra comparar um pais que leva tudo a serio com um pais que os nossos governantes so pensam neles proprios, infelismente é a nossa realidade, a politica corrupta detona com o nosso pais, pra vcs verem o senador que foi cassado por corrupção é um procurador da republica e esta trabalhando como se nada tivesse acontecido... e disso pouca gente comenta... meter o pau na classe assalariada é facil brabo é peitar o coroneis que governan o pais.
neide 22.07.2012 às 18:41
Li, a maioria dos comentários postados acima, gente não sabemos o que realmente aconteceu neste caso, são inúmeras possibilidades, mas não parar numa blitz não justifica um assassinato, os policiais poderiam ter atirado nos pneus do carro ou apontar as armas e não dispara-las, certo que todos os dias há casos como esse acontecendo com a classe menos esclarecida, sim invés de ficarmos culpando sistema e a desigualdade de classes, vamos procurar aprender mais, pois através do conhecimento poderemos mudar as nossas vidas e a forma como vemos o mundo, é verdade que policiais passam por treinamento , mas o treinamento não analisa o caráter desses indivíduos,alguns não tem preparo psicológico imaginam que por que vestem uma farda, são deuses e que a população são os súditos deles, eles podem tudo e nós nada. Infelizmente não sei o que é pior, os bandidos ou os policiais,os dois matam, os dois muitas vezes saem impunes por tais atos, fica meus pêsames a todas ás pessoas que já perderam seus entes queridos em sitações como essas, nosso País precisa de leis que se façam cumprir para todo e qualquer cidadão independente de cor, status e profissão.
milton 22.07.2012 às 18:33
já pararam pra pensar porque alguém conhecedor do local que morava no bairro passaria pela av das corujas fazendo uma volta no quarterão em 35 segundos e retornaria a av das corujas agora não mais com a viatura na traseira e sim com os assassinos na frente,se isso de fato aconteceu ele não devia ser publicitário e sim piloto da formula 1 Abraço.
milton 22.07.2012 às 18:18
A policia diz que o veículo perdeu o controle e bateu na viatura,ora será que eles não viram as imagens...foi a policia que entrou bruscamente na frente do carro do publicitário,como morto não fala eles podem dizer o que quiser, porém temos uma excelente policia técnica que irão nos surpreender com os resultados. Abraço.
milton 22.07.2012 às 18:03
quantas bobagens vocês escrevem,se fosse sua irmã,seus pais com certeza sua opinião seria outra,que deus perdoe tanta ignorância,agora será que havia maconha mesmo no carro? Abraço a todos.
Esta é a policia do ALkimi, 22.07.2012 às 14:56
QUANDO NÃO ESTÁ ENQUARTELADA SAI COMO UMA DOIDA PRA MATAR,FOI GENTE QUE CHAMOU A POLICIA PORQUE O RAPAS ESTAVA CORRENDO MUITO,DAI ELES SAEM DOIDOS PRA VOLTAR PRO QUARTEL QUE NÃO QUER NEM SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO PASSA BALA,E DEPOIS VAI VER ESTA E A POLICIA DO PSDB EDEM PRA CUIDAR DE VOCÊ,QUER MUDAR ISTO VOTE NO P.T.O P.T. CONSEGUIU LIMPAR OS BANDIDOS DAS FAVELAS DO RIO SEM MATAR NEM UM BANDIDO.APRENDE COM O P.T. SÃO PAULO.
Cruz de Madeira 22.07.2012 às 14:13
Quando estávamos sob o jugo do militarismo atroz, imbecil e militador do desenvolvimento nacional ansiávamos por Democracia. Hoje, em plena democracia, as viúvas de tempos idiotas (não esquecidos) clamam por ditadura. Está aí o resultado: a polícia matando inocentes! Em tempo: estes servidores, isto é, empregados do Povo, não são remunerados para assassinar àqueles que põem o pão por sobre as suas mesas. Acordemos, posto que nossos filhos poderão ser a próxima vítima dessa gente!