Acredito que a escolha da ex-ministra do Meio Ambiente para representar o Brasil na abertura dos Jogos em Londres foi acertada e uma grata surpresa para o País
Quem acompanhou as repercussões das Olimpíadas no Brasil certamente percebeu que, para além das disputas esportivas celebradas na cena global, cravou-se uma disputa não tão legítima e nobre, essencialmente política, na cena local brasileira.
Refiro-me, claro, à forma superficial com que foi tratada a participação da líder ambiental, a ex-senadora e ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na abertura dos jogos olímpicos, em Londres.
Jornais estamparam em capa rixa fabricada pelo noticiário, focado no suposto incômodo da presidenta Dilma Rousseff com o destaque dado à ambientalista. Sem entrar no mérito sobre qualquer dimensão pessoal implícita na questão, o que pouco se leu na opinião pública foi a análise sobre o que a participação de Marina Silva simbolizou para o Brasil e para a afirmação global de uma mensagem em defesa da vida.
Obviamente, a grande questão em jogo, ali, não era a pessoa, tampouco a sua trajetória político-partidária. O que estava em jogo era o símbolo de uma nação chamada Brasil e sua mensagem ao mundo como guardiã da maior biodiversidade natural do planeta. O que estava em jogo era uma causa, não só ambiental, mas também humana, em respeito a todas as formas de vida. O que estava em jogo era um alerta para o mundo diante de uma crise estrutural de seus modos de produção e consumo, a possibilidade de quebrar paradigmas de crescimento na busca de novos padrões de desenvolvimento.
Mais do que uma discussão personalista sobre quantos minutos os holofotes mundiais projetaram a ex-senadora Marina Silva e a nossa presidenta, está em questão uma projeção do Brasil no mundo, não só por seu patrimônio natural e cultural, mas também humano.
Por isso, hoje quero registrar minha profunda alegria pela homenagem e pelo papel do Brasil nesta celebração, os holofotes deveriam sim estar voltados para esta leitura simbólica e para a reflexão sobre qual mensagem somos portadores no mundo. Qual Brasil é hoje exaltado no cenário internacional? Certamente, não é apenas a sexta economia do mundo, nem somente a nação-síntese do mundo globalizado por sua própria força mestiça e cultural, nem o país-pulmão do mundo, que abriga a floresta mais exuberante e rica em diversidade do planeta. O Brasil trazido pela militante, pela ambientalista, pela humanista Marina Silva, é a nação-símbolo de uma cultura de sustentabilidade, do compromisso real pela vida – e não o Brasil pré-eleitoral em análises lineares do que venha a ser o capital político e suas possíveis apostas conjunturais.
Entendo que a maior reflexão que temos de fazer, neste caso, é sobre o quanto nos vemos na leitura que o mundo faz de nós. O quanto nos comprometemos, em nossas vidas, desde a dimensão mais íntima até a mais pública, com esta causa, com esta nova civilidade, mais humana, mais pacífica, mais diversa, mais generosa, mais respeitosa, mais universal.
Acredito que a escolha de Marina Silva, por todo o testemunho que deu em sua própria trajetória pessoal, pela seriedade e firmeza no compromisso com esses valores, foi acertada e uma grata surpresa para o país, que é muito mais do que governos, mas uma nação que se faz cada vez mais protagonista no mundo.
O Brasil assume cada vez mais presença internacional no debate sobre sustentabilidade e desenvolvimento, e é isto que devemos celebrar e também nos esforçar para fazer jus a esta distinção, para além da retórica e de discursos fáceis, mas, acima de tudo, pela prática cotidiana.
Somos incontornavelmente seres biológicos e culturais e a vida das comunidades humanas dependem da sua capacidade de preservar os ciclos naturais e serviços ambientais que elas sustentam.
Marina levou para Londres esta mensagem. Levou uma bandeira chamada Brasil, uma bandeira chamada paz, uma bandeira chamada vida.
Questionada se poderia usar isso em seu futuro político, ela disse que não quer usar um espaço "destinado a uma causa como um bem privado". Em suas próprias palavras, disse que gostaria "que isso fosse bom para o meu País, que fosse um legado. E um legado não pode ser apropriado por uma pessoa", disse Marina.
O ouro de Marina vem de um pódio sem ódio, vem de sua base amorosa, gentil de mulher guerreira e, principalmente, de sua coerência de luta.
Marina é ouro – não é bijuteria que se mostra sedutora para enganar incautos e logo perde o brilho, por não ser real.
Quando ela afirma ter sentido na abertura dos jogos olímpicos a mesma emoção de quando foi alfabetizada ela revela a força de um povo que se sente incluído, a honra de representar a nação brasileira na cerimônia e a nossa dívida com milhões de pessoas ainda na obscuridade iletrada.
O ouro de Marina não perde o brilho, porque o brilho dos que lutam pela vida melhor do povo e o respeito ao meio ambiente são os que criam a riqueza que realmente vai valer e fazer o futuro: a dignidade humana e o valor da biodiversidade dos biomas do Brasil realizada na diversidade cultural do nosso país.
Rodrigo Rollemberg é senador pelo PSB/DF e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado
Comentários
9 comentários em "O ouro de Marina"
passos 5.08.2012 às 15:21
nao tenho o que falar a respeito desta senhora, eu já voteu nesta peste e me arrependi, pois eu moro a cerca 400 km de rio branco e nunca vi um projeto feito por esta senhora para beneficiar a população acreana , esta peste teve meu voto porqur o governador tião viana me pediu, mas hoje apesar do respeito que tenho para com os vianas se eles me pedisse para votar nesta senhora eu perderia o respeito que tenho por eles, hoje em rio branco ela se candidatando não ganha para presidente de bairro, ela a marina vivia fazendo viagem para os estados unidos para precionar os bancos americanos e europeus a não finamciar a br 364 que passa pelo minicipio que eu moro, ela foi eleita para nos defender mas o que esta peste defende mesmo e estas ongs estrangeiras, eu quero que a marina va para o quinto dos infernos viva o brasil viva lula. dilma não
bundona é essa 3.08.2012 às 01:05
coisa chamada marina silva das florestas devastadas foi mais uma traidora do pt e da esquerda brasileira.não passa de uma lambe o resto das sobras que ainda estão caindo da mesa do escárnio do pig.
tuta 2.08.2012 às 20:03
Estou com vergonha de ser brasileiro. Estou convencido, o Brasil só conseguiu que as Olimpiadas de 2016 fossem no Rio de Janeiro por que corrompeu os organizadores. Asfalto no Sol Nascente? Duvido! Estou cansado de assistir derrotas.
Quintela 2.08.2012 às 08:56
Não vi nenhum incomodo de Marina carregar a bandeira olímpica. Mais uma vez a mídia não teve o que mostrar e fez fofoca! Dilma não está preocupada no fato de Marina carregar a bandeira... ridículo esse debate!
SALVE MARINA 1.08.2012 às 21:35
MARINA SOUBE APROVEITAR TODAS AS OPORTUNIDADES QUE A VIDA LHE DEU. NASCIDA NO RIO BRANCO, DE FAMILIA POBRE,LABUTOU MUITO, ESTUDOU E TORNOU-SE UMA PESSOA CULTA E CIVILIZADA.E SÓ QUEM CONHECE O NORTE DO BRASIL, SABE COMO TUDO FICA MAIS DIFICL, EM MEIO A REGIÃO AMAZONICA. BEM DIFERENTE DE LULA, CRIADO EM SÃO PAULO, QUE DIZ NUNCA TER TIDO CHANCE DE ESTUDAR, SEMPRE NO ÓCIO, AS CUSTAS DE SINDICATOS. MARINA MERECE O OURO SIM E COM MUITA DIGNIDADE.
Afonso 1.08.2012 às 20:59
Marina Silva, Serra, Malafaia, Demóstenes, Policarpo, Cachoeira...para a mídia golpista qualquer figurinha que for contra o Governo vira celebridade. Faça-me um favor seu Rollem-qualquer coisa...essa Marina, nem com perfumes da Natura fabricados com essências da Amazônia!
Sorrateira 1.08.2012 às 19:40
Esta mulher teve a pachorra de sair escondida do Brasil pra levantar bandeira de gringos que estão querendo botar a mão grande na NOSSA Amazônia com a concordância e ajuda dela. Não teve vergonha de se deixar USAR pelos gringos do olho grande.FORA BLÁ-BLÁ-RINA.
Carlo Germani 1.08.2012 às 18:40
Mais um apologista da agenda verde.Rodrigo,você não sabe que a farsante Marina Silva,é uma fantoche da Oligarquia Financeira Mundial a serviço do insano e satânico projeto (em plena execução) da Nova Ordem Mundial? Marina,ao defender esses psicopatas do governo globalista,faz um crime de lesa-pátria ao se insurgir contra o agronegócio brasileiro.PS-Vide as atitudes insanas,de Marina, no projeto do Códido Florestal.Marina Silva,é mais uma fraude humana e política,e nada mais.
gisele 1.08.2012 às 18:40