247 – É triste o fim do senador Demóstenes Torres (DEM/GO), amigo do peito do mafioso Carlos Cachoeira. Afinal, como ensina a sabedoria, perdoa-se o pecador; o pregador, jamais. Demóstenes Torres sempre foi um pregador moral no Congresso, pronto a atacar qualquer desvio da base aliada. Assim, ele se tornou fonte preferencial de boa parte daquilo que se convencionou chamar de PIG, o Partido da Imprensa Golpista, cujo representante mais célebre é o jornalista Reinaldo Azevedo.
Pois Demóstenes sempre foi um dos grandes heróis do blogueiro da revista Veja. Num post recente, Reinaldo exaltou “a coragem de Demóstenes”. E deu como subtítulo o texto “Por uma direita democrática, por mais rigor penal, contra as contas raciais e NÃO à descriminação das drogas”.
Só rindo. O amigo do bicheiro defendia mais rigor penal e combatia a liberação das drogas. Eis o que escreveu Reinaldo Azevedo sobre seu herói:
“Admiro a sua atuação política, como sabem os leitores deste blog. Nem sempre concordo com ele, é fato. Mas sempre lhe reconheço a argumentação consistente e corajosa. Está entre as pouquíssimas vozes do Congresso que dizem o que pensam com clareza, sem temer os “aiatolás” de causas privadas tornadas autoridades públicas. Demóstenes afirma, e eu concordo plenamente, que um dos males do país são as oposições, muitas vezes, querem se parecer com o governo. Defende, entre outras tantas, algumas das boas causas: maior rigor penal contra o crime, fim das cotas raciais e um “não” peremptório à descriminação das drogas.”
Abaixo, alguns trechos da entrevista citada à Veja:
Sobre Palocci
Tudo indica que, depois do escândalo do caseiro, ele novamente tenha caído em tentação. Mais uma vez, a mão forte do governo parece estar pesando sobre o Congresso. Essa tentativa de blindagem que foi arquitetada pela base aliada só transmite duas mensagens: que Palocci realmente deve e que o governo é conivente com as atitudes dele, o que é inconcebível em um país democrático. Todo homem público deve prestar contas à população.
(nosso comentário: o senhor também caiu em tentação, Demóstenes?)
Sobre Segurança Pública
Defendemos uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena. A violência só refluiu em locais nos quais se aplicaram com rigor as políticas convencionais. É o caso do estado de São Paulo, onde os índices de homicídio diminuem ano a ano. A frouxidão penal é uma lástima e um incentivo para os criminosos.
(nosso comentário: bicheiros devem ser presos, senador?)
Sobre ser de direita
A direita não tem compromisso com a quebra da ordem constitucional. Ao contrário, ser de direita é justamente defender os valores institucionais, como a lei e a democracia. Por isso, a meu ver, ser de direita significa combater o ideário que põe em risco os valores mais nobres da democracia ao pregar o aparelhamento e o inchaço do estado, o desperdício de dinheiro público e o assistencialismo desmedido.
(nosso comentário: ser de direita é defender a lei recebendo presentes de mafiosos, senador?)
Sobre descriminação das drogas
A droga é a origem de inúmeros crimes, e o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse ecossistema pernicioso. Além disso, a lei já o protege, impedindo o cumprimento de pena. Em vez de liberar o consumo de drogas, o governo deve construir centros dignos de tratamento e reabilitação para viciados.
(nosso comentário: quem joga não alimenta nenhum sistema pernicioso?)
No caso do senador Demóstenes Torres, a incoerência entre o que diz e o que faz é tamanha que, em 2004, ele defendeu a criação de uma CPI dos Bingos, quando se descobriu que o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, pedia propinas a Carlinhos Cachoeira. Ué, mas o Carlinhos Cachoeira não havia abandonado o crime?
Leia, abaixo, reportagem da época:
O senador Demóstenes Torres (PFL-GO) leu da tribuna os resultados de pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira (2), a qual revela que 81% dos eleitores do país querem a CPI para investigar o caso Waldomiro Diniz e outros 83% apóiam uma CPI para investigar as atividades dos bingos no Brasil. Já 67% dos entrevistados afirmaram que o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, deve se afastar do cargo ou se demitir definitivamente.
Para ele, o governo Lula está "abatido, sem ânimo moral," por causa das denúncias dos últimos dias envolvendo em corrupção um assessor do ministro José Dirceu. Demóstenes Torres acha que, "depois de ter perdido o primado da probidade", o governo do PT "perambula em sérias indecisões éticas e desencontros políticos".
- Durante 24 anos, o PT apedrejou o Estado brasileiro como se ele fora uma mulher adúltera. É compreensível que o partido, que ostentava ímpeto raivoso a cada passo em falso dos governos de então, perca a sede de escândalos e das CPIs - acrescentou.
Para o senador, a esta altura "nem mesmo Eremildo, o idiota, personagem do jornalista Elio Gaspari", acredita nas CPIs do Waldomiro e dos bingos.
Instalada a crise após as denúncias, continuou Demóstenes Torres, "o núcleo duro do governo reage como se tivesse miolo mole" e patrocina atos como o jantar de desagravo a José Dirceu na casa do ministro das Comunicações, na última quinta-feira, "que acabou se convertendo em convescote alcoolizado". Depois, continuou, "imaginou-se o fechamento dos bingos e caça-níqueis e, o que era para ser um ato de agenda positiva, se transforma numa manifestação de protesto de 320 mil desempregados dos bingos".
- O PT não está preparado para enfrentar protestos. Bastaram as manifestações maciças em São Paulo para que o ministro da Justiça dizer uma coisa pela manhã e mudar de opinião à tarde, sobre a MP dos bingos - observou.
O senador Demóstenes Torres disse que continuará exigindo, como vem fazendo desde o ano passado, que a Caixa Econômica Federal forneça ao Senado a documentação completa sobre a renovação de contratos com a empresa norte-americana Gtech. Citou informação da revista Istoé Dinheiro de que a Getech "possui extensa folha corrida globalizada de falcatruas".
Em aparte, o senador Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB, lembrou ter assinado com Demóstenes, em junho passado, o pedido de informações à Caixa, negadas até agora. "O governo não está sequer aceitando que existe uma crise. Isso pode custar a governabilidade do país", disse.Também em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sustentou que a questão ética continua sendo o norte do PT e observou que "até a Polícia Federal terá dificuldades" para investigar o caso Waldomiro Diniz, pois o principal envolvido se recusou, nesta terça-feira (2), a responder a 50 perguntas do delegado que comanda as investigações.
Comentários
20 comentários em "Demóstenes já foi herói de Reinaldo Azevedo"
marcio 9.03.2012 às 13:58
Perder tempo com o Reinaldo, ele só escreve oq o patrão manda, como não tem general pra ele apoiar ele se agarra no psdb, tem tucano que odeia essa puxação dele..queima o filme do partido que se diz social democrata apoiado por um doido fascista, ele mesmo responde a maioria dos comentários do blog da NAOVEJA...É DOIDINHO!
AVELOMAR TORRES NETO 7.03.2012 às 08:53
O JORNAL DIARIO DA MANHA MOSTROU UMA MATERIA SOBRE OS A FARA DO SINDICATOS CADE SO FALOU CADE A INPRENSA PARA MANIFESTAR A FAVOR DA POPULAÇÃO E MOSTRAR OS FATOS
nonato barboza 5.03.2012 às 13:31
Esse Demóstenes Torres é um sujeitinho cretino: diz que recebeu de presente uma geladeira e um fogão. A notícia que eu li diz que foi um cozinha importada dos steites, no valor de cerca de 27 mil dólares ou cerca de 46 mil reais. Geladeira e fogão bem carinhos, com o carinho do amigo Carlinhos Cachoeira.
cesar 4.03.2012 às 21:13
O blogueiro do esgoto muda de heroi como muda de de lado quando dorme, agora seus herois sao os 300 ex-militares de pijama que pregam o golpe. é puro PIG.
cesar 4.03.2012 às 19:55
Nao existe ataque nenhum ao blogueiro RA, apenas transcricoes de textos do proprio, publicados no ESGOTO.
ricardo carvalho 4.03.2012 às 11:23
Que moral tem o 247 para criticar Reinaldo Azevedo, quando concede espaço e que espaço ao chefe do mensalão e da corrupção no Brasil, um tal de José Dirceu !
nair 4.03.2012 às 10:01
j.CORAÇÃO VOCÊ E INGÊNUO MESMO QUANDO JÁ VIU POLITICO E RICO IR PRESO,ESTA NOTÍCIA É SÓ PRA VENDER JORNAIS E REVISTAS ENCALHADAS, A SEMANA QUE VEM ESTÃO TODOS COMENDO UMA PIZZA PRA COMEMORAR,PRA QUE ELES CRIARAM HABEAS CORPUS? E PRA TIRAR POLITICOS E RICO DA CADEIA,E PEGAR GRANA QUE NÃO E DE GRAÇA,JÁ VIU POBRE TER DIREITO H.C.VE SE APRENDE QUER MUDAR ISTO E SÓ P.T. PRA MUDAR S.P. HADDAD.PRECISAMOS TIRAR O PSDB DE S.P. 30 ANOS DE ATRAZO.ZÉ BOLINHA ESTÁ CADUCANDO, ELE SÓ PENSA NAQUILO DINHEIRO.
Heleodoro Kostas 4.03.2012 às 03:25
Ué, se ter amigo ladrão for o fim da picada, 97% dos presidiários votam no Pt. Reinaldo Azevedo é um dos maiores pensantes da atualidade. Podia se candidatar a algo. Menos em certos partidos aí onde os honestos morrem. E agora fiquei confuso: O PHA cita esse Jornal 247 como parte do PIG!!!
Douglas 3.03.2012 às 22:48
ESPETÁCULO E INEFICIÊNCIA: Inquéritos da PF arquivados sem provas Seg, 01 de Fevereiro de 2010 07:02 Levantamento feito no Distrito Federal revela que 41% das investigações concluídas não resultam em processo contra os investigados POR ANA D’ANGELO - O DIA Brasília - Levantamento inédito obtido por O DIA revela que 41% dos inquéritos abertos e concluídos pela Polícia Federal no Distrito Federal nos últimos 11 anos, contendo laudos de peritos do órgão, foram arquivados pela Justiça Federal a pedido do Ministério Público, sem gerar abertura de processo penal contra os investigados. Desse universo, a maioria (49%) acabou nas gavetas em definitivo por falta de prova contra os autores ou porque a PF e o MP não conseguiram identificar quem cometeu de fato o delito investigado. Outros 10% foram arquivados por prescrição da pena. Ou seja, a investigação demorou tanto que, mesmo se for condenado, o sentenciado não precisará cumprir a pena, porque extinguiu prazo legal para ele ser punido. Arte O Dia Os dados referem-se a 1.612 inquéritos concluídos pela Superintendência da PF no Distrito Federal entre março de 1998 e março de 2009, também identificados no sistema da Procuradoria da República do DF e instruídos com laudo da área de perícia da PF. Mas o Ministério Público Federal reconhece que esse percentual de arquivamento se reproduz em todo País. “No Brasil todo, é até possível que o percentual médio seja maior. No âmbito da polícia estadual, é mais elevado com certeza”, afirmou o vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Wellington Cabral Saraiva. De acordo com a pesquisa, 59% (959) dos inquéritos concluídos resultaram em denúncia à Justiça pelo Ministério Público. PESQUISA A pesquisa faz parte da dissertação de pós-graduação da Academia Nacional do perito da PF Renato Rodrigues Barbosa, coordenador-geral-adjunto da Assessoria de Análise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da República. “É preciso analisar as causas e os responsáveis pelas ineficiências das investigações criminais, seja por causa da eventual falta de direcionamento dos quesitos e dos exames periciais, seja em virtude da ausência de habilidade na observação dos vestígios no local do crime, da conduta dos criminosos. Ou ainda, pelo atraso na análise jurídica do MP em relação aos delitos sob investigação”, afirma Barbosa. A Polícia Federal investiga os chamados crimes federais, como aqueles contra bens e interesses da União e de seus órgãos, tráfico de entorpecentes, contrabando e descaminho. A polícia civil dos estados investiga os demais crimes. Para procurador, não existe falha em todo arquivamento O procurador da República Wellington Saraiva afirma que nem todo inquérito arquivado decorre de falha da investigação. “O inquérito foi instaurado para apurar o fato que parecia ser crime. Ou se concluiu que este não ocorreu, ou que não configurava crime”, diz. Saraiva cita o exemplo do crime financeiro de gestão temerária que, após apuração, descobre-se que havia justificativa para a operação de risco realizada pelo dirigente de um banco. No caso de crimes tributários, o procurador lembra ainda que o autor se livra do processo ao quitar os impostos sonegados, conforme determina legislação. O levantamento apontou, por exemplo, que 18% dos inquéritos analisados foram arquivados por atipicidade da conduta ou do fato,ou seja, o ato praticado não era delito penal previsto em lei
Rodney 3.03.2012 às 22:11
Tem muita coisa pra investigar. O senador recebe e passa muita informação que não tem como ser obtida por meio de fontes, digamos, ortodoxas. Tem muito araponga trabalhando pra Veja e pro pseudo-jornalista, Não dá pra esquecer a história do grampo misterioso da Veja que envolveu, justamente, o dito senador. Em um país decente esse chapeleiro louco já tinha ido pra cadeia.