Minas 247 - Com menos de dois meses de vida, a nova Veja BH, conhecida na capital mineira como Vejinha, parece seguir os passos da matriz no gosto pela polêmica. Uma reportagem sobre a Pampulha, com o título “Vida nova à Pampulha”, está rendendo vários protestos de moradores da região situada na zona norte da cidade.
Através de associações de bairros, eles redigiram um documento com críticas à matéria, que teria defendido a verticalização da Pampulha e os interesses das construtoras no local.
Intitulado “Indignação à matéria da Veja BH”, o documento diz: “Estejam certos de que os moradores da Pampulha estão cada vez mais unidos em defesa da Pampulha, das leis vigentes e da NÃO verticalização irracional.”
Leia abaixo o documento (em seguida, segue a reportagem da Veja BH):
Indignação à matéria da Veja BH
Moradores e associados,
Na semana passada a revista Veja BH publicou matéria com o título “Vida Nova à Pampulha“, que encontra-se anexada a este.
Na referida matéria, os moradores, são responsabilizados pelo isolamento que vive a região.
Assim sendo, as associações Apibb, Pró-Civitas e Apam, escreveram uma carta à revista esclarecendo os fatos e mostrando a indignação de todos nós.
Carta enviada segue abaixo.
Prezados senhores,
As associações Pró-Civitas e Apibb – Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes, representantes dos moradores dos bairros São Luís, São José e Bandeirantes e Apam – Associação dos Amigos da Pampulha expressam, no texto abaixo, o sentimento dos moradores da região acerca da matéria, equivocada, da jornalista Paola Carvalho, publicada na revista Veja BH com o título "Vida nova à Pampulha" e solicitam a publicação da resposta abaixo.
Matéria Veja BH – Vida nova à Pampulha
Moradores da Pampulha receberam com enorme indignação e tristeza a matéria "Vida Nova à Pampulha", principalmente na semana em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente e em que o Brasil recebe mais de 100 chefes de Estado para o encontro Rio + 20.
Desde quando construir prédios com mais de 9 metros e morar próximo deshoppings e academias é sinônimo de desenvolvimento?
Desde quando construir no limite legal de 9 metros impossibilita a oferta de serviços em área criada e desenvolvida para ser preservada nesta condição?
Desde quando desrespeitar as leis, destruir a história e o meio ambiente de uma região é sinônimo de progresso?
Desde quando fechar os ouvidos aos que vivem na região é sinônimo de desenvolvimento?
Informamos que para a liberação dos hotéis mencionados na matéria várias ilegalidades estão sendo cometidas.
Por que a reportagem não mencionou a construção, legal, de um hotel em frente ao Iate Tênis Clube, bem na orla da lagoa?
Estejam certos de que os moradores da Pampulha pensam diferente do que foi exposto!
Para nós, progresso é lagoa limpa e desassoreada, rede de esgoto, preservação de nascentes, ar puro, respeito à natureza, às leis e ao patrimônio de nossa cidade.
Estejam certos de que os moradores da Pampulha estão cada vez mais unidos em defesa da Pampulha, das leis vigentes e da NÃO verticalização irracional.
E mais, sempre apoiados por estudos técnicos e assessorias de especialistas da área ambiental, jurídica, de engenharia, muitos deles do corpo docente da vizinha UFMG.
Juliana Vaz
Pró-Civitas – Associação dos Bairros São Luís e São José
Ronan Horta
Apibb – Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes
Flávio Marcus
Apam- Associação dos Amigos da Pampulha
Abaixo, a reportagem da Veja BH:
Vida nova à Pampulha
Moradores protestam contra interferências no entorno da Lagoa. Enquanto isso, a região sofre com o isolamento e a desvalorização de seus imóveis
Paola Carvalho
Construída no início da década de 40, durante a gestão do prefeito Juscelino Kubitschek, a Lagoa da Pampulha logo se transformou no principal cartão-postal de Belo Horizonte. Durante muito tempo, ser vizinho da Igreja São Francisco de Assis, com suas curvas que remetem à Serra do Curral, do Museu de Arte, do Iate Clube e da Casa do Baile, todos projetados por Oscar Niemeyer, era considerado símbolo de status. Nos últimos anos, entretanto, essa situação vem mudando. A lei que impede a construção de imóveis com mais de 9 metros de altura no entorno da Lagoa (veja no quadro abaixo) fez diminuir a oferta de serviços e isolou a região. Um exemplo dessa mudança é a valorização do preço dos imóveis. Segundo o diretor da imobiliária GPO Net Imóveis, Marcelo Borges, uma casa que há dez anos custasse 550 000 reais no Bairro São Luiz, na Pampulha, hoje sairia por 1,2 milhão de reais - um aumento de quase 120%. Já no Belvedere, um imóvel que há uma década estivesse sendo oferecido pelo mesmo preço atualmente não custaria menos de 2,2 milhões de reais - um aumento de 300%. “Na Pampulha, vendemos só o imóvel”, afirma Borges. “No Belvedere, além da residência, ressaltamos que o comprador ficará ao lado dos melhores shoppings, colégios, supermercados e academias.”
Apesar da constatação de falta de infraestrutura e contida valorização, alguns moradores ainda se queixam de qualquer iniciativa de desenvolvimento. Em abril, eles saíram em passeata contra a construção de dois hotéis naquela área. Em maio, o motivo do protesto foi a possibilidade de abertura de uma feira de artesanato - que acabou cancelada. “Os hotéis atrairiam bons restaurantes e outras prestações de serviço, o que consolidaria o turismo”, diz a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG), Rafaela Fagundes. As obras dos dois hotéis - um na Avenida Alfredo Camarate e outro na Avenida Expedicionário Belém de Lima, ambos a mais de 1 quilômetro da orla da Lagoa - foram sancionadas pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município (Compur) em março deste ano. Isso só foi possível depois da aprovação de duas novas leis que extraíram lotes do perímetro de proteção e flexibilizaram os parâmetros de uso e ocupação do solo. Com base nelas, foi autorizada a construção de imóveis de até 40 metros de altura, o equivalente a treze andares. Marcello Faulhaber, presidente do Compur, destaca que, além de a obra ter respaldo legal, conseguiu aval dos institutos do patrimônio histórico e artístico nacional e do estado (Iphan e Iepha). “Quem fala em verticalização da Pampulha está equivocado”, sustenta o prefeito Marcio Lacerda. “Todos os estudos técnicos comprovam que a construção dos hotéis não vai trazer impactos negativos à região no que se refere às questões relacionadas ao meio ambiente, ao trânsito e ao seu projeto arquitetônico.”
O medo do presidente da Associação Amigos da Pampulha (Apam), Flávio Campos, é que a liberação para erguer um prédio abra precedentes para outras construções ali. “Onde passa um boi passa uma boiada”, acredita. O consultor industrial Sergio Gardenia, que mora em uma cobertura próximo da Avenida Presidente Carlos Luz, no Bairro São Luiz, vê de um lado os arranha-céus da Zona Sul da capital.
Já em direção ao Vetor Norte, a visão alcança os estádios Mineirinho e Mineirão, a roda-gigante do Parque Guanabara, a Lagoa da Pampulha e até mesmo a Cidade Administrativa. “A liberação da construção de hotéis por aqui nos sufocaria”, diz. Eles têm o apoio de promotores do Ministério Público, para quem houve “intenção deliberada” da administração pública em criar condições favoráveis para a autorização das construções. Segundo o juiz da 3ª Vara da Fazenda Municipal, Alyrio Ramos, a lei questionada pelo MP não surgiu só para beneficiar os dois empreendimentos. Ramos liberou as obras, mas a pressão dos moradores levou a administradora Atlantica Hotel Internacional a desistir do negócio. O MP promete recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para garantir a suspensão definitiva dos projetos.
Para o presidente da Câmara e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG), Evandro Negrão de Lima Junior, que mora na Pampulha há trinta anos, não se deve confundir planejamento sustentável com crescimento depredatório. “Não podemos simplesmente seguir a linha da proibição”, entende. “O potencial será explorado hoje ou amanhã. Por isso, o que precisa ser feito é um plano urbano de longo prazo”, afirma o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Bruno Falci. A moradora e bióloga Amanda Albuquerque não vê problemas em incentivar novos empreendimentos: “Sou a favor, desde que não se interfira na paisagem da orla”. A discussão ainda vai longe.
Comentários
3 comentários em "Novata, Veja BH desperta protestos na Pampulha"
Bruno Romano 30.06.2012 às 01:06
#vejalixo Quem está no poder de Minas? Tucano! Quem vive na Pampulha? A elite lixo!
Leonardo Borges 29.06.2012 às 20:33
A não , essa não , aqui em minas não pdoe vazar seus FDPs...
gisele 29.06.2012 às 20:13