Paraná 247 - A primeira metade do governo Beto Richa no Paraná foi decepcionante em termos de educação. Pelo menos em relação aos investimentos feitos no setor, que ficaram abaixo dos anos anteriores.
Segundo levantamento feito pelo jornal Gazeta do Povo, os recursos destinados a obras e instalações educacionais somaram R$ 140,7 milhões entre 2011 e 2012, o que dá uma média anual de R$ 70,3 milhões. Entre 2007 e 2010, a média anual foi de R$ 130,1 milhões -- os valores foram corrigidos pela inflação.
Leia trecho da matéria de Rosana Félix, da Gazeta do Povo:
Nos dois primeiros anos de gestão do governador Beto Richa (PSDB), os investimentos na infraestrutura escolar feitos pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) ficaram abaixo da média dos valores aplicados nos anos anteriores. Os recursos destinados a obras e instalações totalizaram R$ 140,7 milhões entre 2011 e 2012, uma média de R$ 70,3 milhões por ano. Entre 2007 e 2010, a média anual foi de R$ 130,1 milhões (considerando os valores corrigidos pela inflação até 31 de dezembro de 2012). A dificuldade em acelerar o ritmo dos investimentos acaba prejudicando a qualidade do ensino, segundo especialistas.
A educação consome uma das maiores fatias do orçamento do Paraná, mas a maior parte dos recursos é usada no pagamento de salários. Em 2012, a Seed registrou R$ 4,9 bilhões em despesas empenhadas (assumidas), dos quais R$ 3,7 bilhões (77%) foram utilizados em pessoal e encargos sociais. Considerando todos os investimentos da pasta no ano passado (obras, repasses a municípios, aquisição de material permanente, etc.), a secretaria gastou R$ 179,3 milhões, bem acima do registrado em 2011 – R$ 69,5 milhões, corrigidos pela inflação. Os dados são todos do sistema Gestão do Dinheiro Público.
Para 2013, as metas são mais ambiciosas. O programa de obras da secretaria prevê aplicação de R$ 293 milhões em ampliações, adequações ou construções de novos estabelecimentos de ensino. Segundo consta no orçamento estadual, metade deste valor (R$ 146,8 milhões) virá do próprio tesouro. O restante seria obtido por meio de empréstimos internacionais, que ainda dependem de aprovação no Senado Federal – em 2012, o senador Roberto Requião (PMDB) vetou a apreciação do assunto.
O ambiente escolar tem um papel importante no estímulo ao aprendizado, diz Renato Casagrande, consultor em educação. “Geralmente a escola é um ambiente triste, apagado, mal iluminado. Isso desestimula e afasta a criança. Muitos dos prédios são da década de 50, 60, e não passaram por nenhuma mudança. Mesmo as mais novas estão longe de atender a sociedade”, observa. Segundo ele, a precariedade das instalações pode afastar os alunos, que cada vez se relacionam mais com imagens, o mundo virtual e experiências cognitivas.
Casagrande lembra que os governos costumam priorizar a capacitação do profissional. “Mas o ambiente também ajuda a estimular o professor. Quando o ambiente é bonito e agradável, incentiva o professor, os trabalhadores e os alunos. Então, as coisas caminham juntas”, aponta.
Em nota enviada à Gazeta do Povo, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou que, desde o início de 2011 e ao longo deste ano, está destinando R$ 478,5 milhões para a infraestrutura, parte física e equipamentos das escolas. Na conta, o governo contabilizou os valores do Programa Brasil Profissionalizado, da descentralização de recursos, da ata de registro de preços, do fundo rotativo e de recursos próprios.

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