O que seria mais seguro: uma CPI que apurasse com gosto comportamento de tradicionais nomes políticos ou o fim da comissão de forma melancólica?
O que seria mais seguro para determinados grupos sociais, uma CPI que apurasse com gosto comportamento de tradicionais nomes políticos e os sentenciassem a perda de mandato, por exemplo, por falta de responsabilidade com o público; ou o fim da comissão de maneira melancólica, definindo a incapacidade de seus líderes em promover mudanças substanciais no cenário político brasileiro?
Evidentemente que a última opção é mais viável para aqueles que não desejam um debate político, em favor do velho e tradicional jeito de se fazer gestão pública.
Possível pensar que o sistema eleitoral está sempre muito bem organizado, mas que há necessidade de alguma crise para dar a sensação de dinamismo e perspectivas de transformações na estrutura, fomentando a ilusão de dias melhores para a plateia, de pão e circo.
Desta forma, os escândalos controlados são permitidos, mas se começa a fugir das normas estabelecidas haverá vozes de vários meios a reclamar por justiça, em nome da economia e por vezes da ética e moral. Pode-se ler: encerrar a apresentação, fecharem as cortinas.
Não se pode contestar o conteúdo dos diálogos mostrados pela Política Federal, que envolvem figuras importantes do antigo modelo político e mesmo empresarial. A saída da política de representantes patéticos é uma questão de saúde pública, pois para o bem da sociedade é preciso que haja representação legítima, a de uma maioria; e não aquela que vise interesses particulares, com resultados para grandes empresas e empreendimentos políticos.
A justiça brasileira neste sentido parece servir como instrumento para a ordem orquestrada, quando seus "homens" definem que a lógica da estrutura está acima das evidências. Deste modo, o debate ocorre em torno da regularidade das escutas telefônicas e não do que foi dito pelos envolvidos.
A quebra de sigilo é questionada, mas não as falcatruas dos líderes políticos, envolvidos com modo de operação já conhecido e denunciado, mais de uma vez. Depois, determinados partidos em conformidade com esse jeito perene de ser, se mostram mais empresas terceirizadas para uma ordem definida por empreendedores, que administra um país de pessoas acéfalas, incapazes sequer de escutar, entender e tomar decisões.
Uma loucura não somente política.
Antonio S. Silva é jornalista, mestre em comunicação pela PUC/SP, doutorando da UnB e professor
Comentários
2 comentários em "Uma loucura, não só política"
tuta 15.06.2012 às 21:02
Realmente é xocante!O Brasil está podrim, podrim. Vamos ao que interessa: Cadê o Asfalto e o esgoto do Sol Nascente? Para quem não sabe, o Sol Nascente é uma das maiores favelas do Brasil e está no Distrito Federal, sede da Capital da República, governada por Agnelo Queiroz do PT.
gisele 15.06.2012 às 21:02