A não ser que a sociedade seja formada de indivíduo incapaz de qualquer análise política, por mais simples, ou haverá efeitos nas campanhas eleitorais que se seguem
Intrigante que a sociedade, ou melhor dizendo, os formadores de opinião, observam o mundo da política apenas por um viés, o institucional. Desta maneira, a visão única é exatamente as medidas tomadas pelo Congresso Nacional e seus representantes; ou como a mídia divulga os acontecimentos, que envolvem os políticos. A preocupação imediata é em saber se na edição seguinte jogará o seu nome para fora dos limites eleitorais. Mas faltam aos representantes eleitos observar um outro fator importante: o eleitor.
Qual a chance de Demóstenes Torres (sem partido) se reeleger nas próximas eleições? Marconi Perillo manterá sua liderança do grupo político, hegemônico na capital e interior do seu Estado? O Partido dos Trabalhadores está com a faca e o queijo na mão, nos próximos pleitos? A justiça será respeitada diante das posições de seus líderes, que absorvem das penas colarinhos brancos e predem praticantes de pequenos furtos, num sistema hierárquico e injusto?
A não ser que a sociedade seja formada de indivíduo incapaz de qualquer análise política, por mais simples, haverá efeitos nas campanhas eleitorais que se seguem, com alterações no cenário político, mesmo que maneira modesta – mas significativas.
Notório observar que partidos conservadores perdem poder nos extratos sociais, como é o caso do Ex-PFL e agora DEM. Os tucanos de bicos vistosos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, não conseguem pegar voos nas grandes campanhas eleitorais, a não ser nos redutos, mas sem garantias neste momento. Seria simples acreditar que uma comunicação eficiente, das grandes corporações de mídia, resultará na manutenção da ordem social vigente.
Com entusiasmo que se observa a mudança dos meios de comunicação de massa em torno das redes sociais e blogs, com ouvidos atentos aos anseios da população, mesmo que haja objetivos de explorar, mas se dedicam a atender a audiência, ou melhor o público. De fato, não há uma ética que seja modelo insofismável, mas possivelmente as pessoas sabem quando os seus interesses são jogados na lata de lixo, em virtude de uma cachoeira de interesses particulares. Uma análise que serve para FHC, Serra, Lula, Dirceu...
Não sejamos inocentes, haverá sempre estratégias de se manter no poder, por aqueles que fazem uso de seus benefícios, mas ao que parece é melhor perder os anéis, do que os dedos. Desta maneira, considerando a prerrogativa da opinião pública, se realmente deverá ser considerada, Demóstenes Torres é políticos sem partido e cadeira no Senado Federal, independentemente das artimanhas e vacâncias da justiça e esperteza dos operadores do direito. Apenas uma constatação.
Perillo, em Goiás; Queiróz em Brasília; Cabral, no Rio de Janeiro devem se preparar nos argumentos, que permitam manter sua força como liderança. A rigor, os partidos se mostram maiores e indispensáveis na ordem política atual. Quando perdem o capital simbólico tudo vai abaixo, pois surgem outros porta-vozes com capacidade de serem aceitos pelo eleitor, que busca dia melhores no seu cotidiano, muitas vezes de misérias.
Desta forma, resta saber quem está investido em diálogo com a sociedade, arregimentando aceitação pública. Não há certezas na política a não ser a da busca pelo poder, até mesmo pelos marginalizados políticos.
Antonio S. Silva é jornalista, mestre pela PUC/SP e doutorando pela UnB e professor