De 2004 até os dias de hoje, milhões de estudantes buscaram no Pro-Uni a sua grande chance. Em janeiro passado, O número de inscrições chegou a mais de 1 milhão 202 mil, disputando as 195.030 bolsas
Já lá se vão mais de três décadas que, como professor e estudioso do tema, acompanho a educação em nosso país. Suas potencialidades, suas deficiências, seu inestimável papel no desenvolvimento nacional e na transformação positiva da vida dos brasileiros. Nas salas de aula, como aluno ou já no magistério, vivi a educação e pude aquilatar sua importância. E não vejo outro caminho melhor para o futuro do Brasil do que ela.
Em meados da década de 70, já empenhado na luta sindical, aprofundei ainda mais meus conhecimentos na questão educacional, presenciando a falência do modelo excludente e autoritário imposto pelo regime militar pós-64. Um sistema falido por antecipação vigiria por quase duas décadas: ensino de qualidade inferior e para muito poucos, universidade para a elite, professores desvalorizados e mal remunerados, imensa proliferação de instituições privadas de ensino, etc... E, acima de tudo, instrumentos de intimidação e repressão à via acadêmica, como os decretos 477 e 228, verdadeiros AI-5 da educação, levando o terror para as escolas e universidades, semeando o medo entre os estudantes, pairando como uma ameaça permanente aos docentes, inibindo a renovação, a criação e o talento.
No país de geniais educadores e cientistas como Anísio Teixeira, Josué de Castro, César Lattes, Paulo Freire, Milton Santos e Darcy Ribeiro, de magistério com larga tradição de competência e imensa devoção, a ditadura esmerou-se em castrar brilhantes carreiras acadêmicas, despachando para o exílio mestres e cientistas, cassando cátedras, empobrecendo a educação e o país, baixando flagrantemente a qualidade de nosso ensino enquanto bania a política estudantil e perseguia com violência as lideranças que brotavam. Quadro pior, impossível.
Findo o período autoritário, com a abertura democrática em 1985, muito pouco se fez pela melhora da educação, sem dado algum que mereça ser exaltado, a não ser a natural oxigenação propiciada pela liberdade e alguns experimentos válidos em umas poucas universidades ou escolas aqui e acolá. Porém, no geral, tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Em 2004, quando o Brasil já dava seus primeiros passos após o duro ano de 2003, quando o presidente Lula arrumou a casa e iniciou o mais fértil período social, político e econômico de nossa história, dá-se início a uma verdadeira revolução em nossa vida educacional, com o nascimento do Programa Universidade Para Todos, o Pro-Uni. De forma pioneira, intimorata, com a ousadia necessária aos países e povos fadados ao sucesso, o governo Lula inova ao abrir as portas das universidades à grande massa da população, possibilitando a chegada de filhos de famílias pobres à instituições de ensino privadas.
De 2004 até os dias de hoje, milhões de estudantes buscaram no Pro-Uni a sua grande chance. Em janeiro passado, O número de inscrições chegou a mais de 1 milhão 202 mil, disputando as 195.030 bolsas — 98.728 integrais e 96.302 parciais, de 50% da mensalidade — em 1.321 instituições de ensino superior particulares, entre universidades, centros universitários e faculdades. E, ressalte-se, são os números do primeiro trimestre de 2012, apenas!
Tive a alegria de ver um conterrâneo meu se tornar o milionésimo aluno a ser contemplado com uma bolsa de estudos do Pro-Uni. Em janeiro passado, o goiano Vitor Lima Lobo, aos 20 anos de idade, ao conquistar com imenso mérito a sua vaga no curso de medicina, deu um belo recado ao país e à sua geração: "Não se pode tratar o paciente como um número, dar uma receita sem olhar na cara. O médico precisa ouvir, ser mais humano". Vitor é filho de uma servidora pública aposentada do Estado de Goiás e não conhece seu pai. Em verdade, meu jovem e talentoso conterrâneo, futuro Doutor, é filho desse novo Brasil que surge, mais justo e democrático, generoso com sua gente e oferecendo as oportunidades que sempre lhes foram negadas.
A educação, desde sempre, tem recheado discursos e frequentado palanques. Na boca de candidatos e em programas de governo ela aparece com destaque imenso e suposto respeito. Nada mais que isso. Mas foi no nosso governo, o governo do PT e dos partidos da base aliada, no governo do presidente Lula, no governo da presidenta Dilma, na competentíssima gestão de Fernando Haddad à frente do MEC, que ela saiu dos palanques e se encaminhou para a realidade de milhões de Vitor, de João, de Maria, de José, de filhos do povo que serão doutores num país melhor. O país que nós resgatamos do descrédito e do caos e se transformou em grande potência econômica e, com esforço e abnegação, vai se tornando uma grande Nação.
(*) Delúbio Soares é professor
Comentários
10 comentários em "A vitória da educação"
sonia souza 14.10.2012 às 09:09
lgo lgo vai ver o sol nascer quadrado
FHC VAGABUNDO 14.07.2012 às 16:15
Fernanda Paiva 13.07.2012 às 15:22 Certa feita, FHC, que estava acompanhado de seu indefectível Ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que há pouco tempo já tinha se ajoelhado a um estafeta de um aeroporto americano para tirar os sapatos, foi aos EUA para falar com o ex-presidente Clinton. Antes da entrevista, e já no lobby da sala oval da Casa Branca, foi advertido pelo Ministro Lafer, escaldado pela vassalagem anterior, que Clinton, dependendo da importância da pessoa com quem iria parlamentar, recebia-os em pé, ou sentados. Tratando-se de figura de proa, sentava-se à frente do ex-presidente, senão, permanecia em pé mesmo. FHC, cagão e subserviente como sempre, não teve dúvidas, ao ser anunciado para a entrevista, arriou as calças rapidamente, postou-se de quatro e foi engatinhando de ré até Clinton. Esse é o Brasil de FHC. Não é preciso dizer mais nada._______________________________________FERNANDINHA,TE ADORO,HI,HI,HI...
Valter 13.07.2012 às 15:05
Olá cidadão de baixa estatura pessoal! Vá procurar sua turma! Quando seu partido que vc é um dos patetas sem personalidade,que lambem o saco do poderoso de plantão,estiver fora deste desgoverno,vc estará também!!!! Fora mau carater!
Sambarilove Goiano 12.07.2012 às 16:11
delúbio, você é amigo do dirceu!!!! aquele que se fudeu!!!! foda-se você também!!!!!!
Luiz Antonio 11.07.2012 às 23:00
Engraçado é que o ultra-direitista Demóstenes Torres também creditou sua cassação à MIDIA GOLPISTA. Tô achando que essa tal MIDIA GOLPISTA tá tendo a mesma culpa que sofá de corno.
ALON 11.07.2012 às 18:52
O que você ensina Delubio? Pela sua passagem na política, deve ser professor de ética.
ALON 11.07.2012 às 18:51
O dia tá chegando Delúbio. Mas tô achando que a mídia golpista tem força pra derrubar só neguinho da direita. O julgamento do mensalão será um termometro pra saber qual a força do PIG (ô termo gasto do caralho). Vocês, stalinistas de botequim vão poder respirar um pouco e ver que a imprensa golpista não é esse bicho-papão
Luiz Antonio 11.07.2012 às 15:39
Realmente a culpa é da ditadura, pois se tivesse feito um bom trabalho, insetos como essse Delúbio não estaria agindo por aí.
Jaguaribe Teixeira 10.07.2012 às 23:44
Pode escrever o que quiser, mas a marca e a cara de cafajeste não se altera nunca. Sempre será um quadrilheiro!!
Leonardo Attuch 10.07.2012 às 22:21