Wilder de Morais chega ao Senado com uma única, mas atualmente expressiva credencial: foi traído por Cachoeira. E nem assim se livrou do contraventor
Substituição no Senado. Sai Demóstenes Torres, entra Wilder Pedro de Morais. Sai o falso moralista, entra o... bem, o próprio Wilder faz brincadeira com o fato de ser corno. E essa é sua maior credencial na chegada ao Senado: foi traído pela mulher com Carlinhos Cachoeira.
Convenhamos, se tem gente perdendo o mandato por ser amigo de Cachoeira, qualquer motivo para inimizade com o contraventor virou trunfo. Mas nem a perda da mulher para o pivô da Operação Monte Carlo foi capaz de blindar o novo senador. Pelo contrário.
Wilder terá de se explicar sobre suas relações com o bicheiro, demandam inclusive os colegas de DEM. Para além da constatação de que não está fácil fazer oposição ao governo hoje em dia, só Dostoiésvki explica. Seria Wilder um eterno marido?
"O principal indício de semelhante marido é certo ornamento. Ele não pode deixar de ser portador de chifres, como o sol não pode deixar de iluminar; e ele não só ignora o fato: de acordo com as próprias leis da natureza, deve ignorá-lo", filosofa o Vieltchâninov de Dostoiévski na tradução de Boris Schnaiderman.
Levando em conta a teoria, o senador Wilder estaria dando um passo além de Páviel Pávlovitch Trussótzki, o eterno marido dostoievskiano. Conhece a traição, e não se perturba, a ponto de colocar a carreira política à frente do que, na época de Dostoiévski, chamava-se honra.
E o que temos você e eu a ver com isso? Afora a curiosidade antropológica e literária, nada. Mas Wilder e outros 18 colegas de suplência se prestaram a esse tipo de exposição pessoal quando chegaram ao Senado sem, antes, passar pelo crivo público das urnas.
Por ter surgido no meio da história e não possuir qualquer credencial política, Wilder, conhecido por seus negócios em Goiás, está sentenciado a ser o eterno marido de Andressa Mendonça no Senado. Até que a perda do mandato os separe.
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Comentários
3 comentários em "O eterno marido"
Diego Iraheta 22.07.2012 às 21:34
Wilder, eterno marido, suplente. Demóstenes, eterno procurador agora que não pode mais se eleger. Cachu, eterno arquivo vivo? Eterno?
Edmilson Alves 22.07.2012 às 13:57
Chifres à parte. Estão falando em cornos, negócios subterrâneos, mais não o cerne da questão ainda não foi tocado. É um absurdo a legislação eleitoral brasileira ter como senador um cidadão que nunca recebeu um voto. Não foi votado e quase ninguém sabia que existia essa figura de suplente de senador. Atualmente o Estado de Goiás tem uma situação bastante curiosa, para não dizer uma bobagem. Das três vagas de senador por estado, Goiás têm dois suplentes. Na lógica os goianos estão à pé no quesito senador. Pergunta: Quando é que teremos a tão sonhada reforma política no Brasil?
lucy 22.07.2012 às 12:11
A questão é que o Wilder , além de ser amigo ,tinha conhecimento de tudo que ele fazia.Para ser senador, apoiando pessoas que fazem irregularidades, não é muito lógico ou ético.