Vai pra casa, Cunha!

O presidente da Câmara tem de mudar seu discurso agressivo para se afastar, e se der tempo ainda, da guilhotina

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados fala sobre a pauta de votação da Casa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados fala sobre a pauta de votação da Casa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Davis Sena Filho)


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"Vai pra casa, Padilha!" (Personagem de Jô Soares do programa "Viva o Gordo").

A imprensa de mercado estrila: "Cunha rompe com o Governo e vai para a oposição". E o Jornal Nacional se comporta como se fosse uma assessoria de imprensa do deputado fluminense investigado pela Procuradoria Geral da República e Polícia Federal, a fomentar tais demandas judiciais e policiais as ações do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro. Agora vamos falar de forma verdadeira, a respeitar a realidade: Quando o deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), foi um aliado da base do Governo Dilma e até mesmo da administração Lula?

A resposta é fácil, pois simples e curta: Nunca! Jamais, e em tempo algum, o parlamentar integrou, de fato, a base dos governos petistas, a contrariar, inclusive, as decisões do PMDB, no decorrer de mais de 12 anos de alianças com o PT, com a finalidade de garantir a governabilidade e aprovar as proposições de interesse do Governo Federal em votações na Câmara. O político fundamentalista à direita sempre criticou acidamente e atacou virulentamente os governantes trabalhistas, que administram o Brasil do Palácio do Planalto por força do voto popular.

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O deputado Eduardo Cunha sempre criou obstáculos para os governos do PT, mesmo quando ele disse que presidiria a Câmara dos Deputados com isenção partidária e ideológica, ao dar a entender que seria republicano e democrático. O parlamentar politicamente muito conservador asseverou ainda que um possível impeachment da presidenta Dilma Rousseff não seria viável e que, portanto, tal processo estaria fora de cogitação e deitou falação... O político direitista e de alma lacerdista (não se deve esquecer que ele é da escola udenista do Rio de Janeiro) também afirmou, logo após romper com o Governo, que atuaria no cargo de maneira institucional. Balela. Palavras jogadas ao ar. Cunha mentiu novamente, como sempre o fez em sua vida política. Quem acredita nele, que o compre.

Horas após anunciar aos brados suas "boas intenções" republicanas e institucionais, Eduardo Cunha se aproveita do cargo de presidente da Câmara para retaliar o Governo Dilma com as CPIs do fundo de pensões e do BNDES. Lamento informar aos leitores e eleitores conservadores, que apreciam a direita e sua falta de projeto de País e de programas de governo, pois há 500 anos se recusa a pensar o Brasil, mas o senhor Cunha está a fazer o que ele sempre fez em sua vida: chantagear, ameaçar e retaliar! E tem mais: se colar colou...

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O político fluminense é jogador profissional e não vai deixar barato a ninguém se por acaso ele vier a cair e, com efeito, perder o poder que conquistou, usufruiu e o usou maquiavelicamente para derrotar duramente seus adversários do Congresso e do Palácio do Planalto, nos primeiros seis meses de seu mandato ditatorial, porque pleno de aversão ao diálogo, como aconteceu com as votações que ele e seu grupo político perderam em um primeiro momento e depois as reverteram nos bastidores, a exemplo da maioridade penal e da proibição do financiamento de campanha por parte de empresas privadas. Cunha não respeita as regras do jogo democrático. Ponto. Por causa disto, ele se torna um parlamentar perigoso.

Cristão fundamentalista e messiânico (esta realidade é importante ser analisada com acuidade e seriedade), além de ser um dos mais poderosos lobistas do Congresso — conforme acusações de seus adversários —, tal perfil transforma o presidente da Câmara em um agente político psicologicamente incapaz de negociar acordos e aceitar derrotas em plenário, fatores que inviabilizam o equilíbrio entre os poderes e, consequentemente, enfraquece a democracia, que depende de estabilidade institucional para que o País siga em um rumo seguro e livre de rompimentos violentos e radicais, que sempre terminam em golpe de estado ou morte, renúncia, impeachment e deposição de presidentes, geralmente eleitos pelo povo.

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Entretanto, juízes do STF não são tão ingênuos e, ao que me parece, o juiz Sérgio Moro, se continuar a ouvir os delatores, muitos deles criminosos reincidentes, e confiar piamente em suas palavras como tem feito até agora, creio eu que os partidos de direita, a imprensa de negócios privados, os setores mais conservadores da sociedade brasileira, além dos coxinhas de classe média, haverão de considerar que magistrados, até então considerados "heróis", passarão a ser questionados, porque o que interessa a esses setores ou segmentos conservadores deste País não é a busca por Justiça e, sim, derrotar o PT e suas lideranças, que vencem as eleições presidenciais desde 2002.

Ressalto também que o nobre parlamentar Eduardo Cunha nunca se importou se os políticos de outros partidos, notadamente os da base do Governo, principalmente os petistas, tem direito a foro especial, ou seja, ter as denúncias e os processos contra eles avaliados e julgados pelo Supremo. De forma alguma, Cunha e sua trupe, composta por personalidades pitorescas e ideologicamente extremadas à direita, como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e Ronaldo Caiado, agora vocifera, porque acusado pelo delator Júlio Camargo de ter recebido propina de US$ 5 milhões, mais de R$ 16 milhões.

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O motivo de Cunha receber a fortuna ilegal, de acordo com o delator, foi para atender ao empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, que tinha interesse na assinatura de um contrato de navios-sonda da Petrobras. Mas, como todo mundo sabe, Cunha tem prerrogativa de foro especial e por causa deste privilégio tem atacado o procurador-geral, Rodrigo Janot, o juiz herói da mídia empresarial, Sérgio Moro — ganhador do prêmio "Faz a Diferença" dos irmãos Marinhos, a presidenta Dilma, o PT e os ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação Social.

Cunha tem dado socos e pontapés em quem ousar desafiá-lo, afinal ele se considera o big boss da política brasileira ou o capataz-mor das grandes corporações. Todavia, o presidente da Câmara dos Deputados foi citado por Moro e, consequentemente e por ter prerrogativa de foro, entrou com um pedido de suspensão da ação penal conduzida pelo juiz federal do Paraná, que atualmente, para a perplexidade de muitos, está a pautar a política deste País, que, de maneira surreal, permite que um juiz de primeira instância cause, inclusive, graves prejuízos à economia e a empresas gigantescas, que, juntas, empregam centenas de milhares de trabalhadores, além de serem portadoras de vasto conhecimento tecnológico e científico, ao ponto de muitas delas terem se tornado multinacionais, o que, sobremaneira, desagrada aos interesses dos segmentos de construção civil dos Estados Unidos e dos grandes países europeus.

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Por seu turno, se as construtoras brasileiras quebrarem, certamente que os medíocres e predadores empresários dos meios de comunicação privados, cujas empresas incrivelmente e só no Brasil não se submetem a um marco regulatório, soltarão fogos e comemorarão a falência de construtoras tão importantes para o desenvolvimento do País. A Odebrecht, por exemplo, é cinco vezes maior do que as "Organizações(?) Globo. Confunde-se, propositalmente e com má-fé, corrupção com a preservação das empresas construtoras. Prende-se o corrupto, mas não se permite que as construtoras quebrem. Esta seria a solução pragmática, inteligente e nacionalista, em prol do Brasil: combater a corrupção e não quebrar suas empresas!

Os tubarões, os predadores das Organizações(?) Globo já defenderam em editoriais e por intermédio de seus colunistas e comentaristas capatazes teleguiados que o Brasil abra seu mercado às construtoras estrangeiras. Não são o fim da picada os magnatas bilionários de imprensa? Enquanto os barões de todas as mídias cruzadas, párias dos interesses estrangeiros, resguardam e protegem seus negócios no Brasil, em contrapartida apostam na destruição de empresas brasileiras que ganharam o mercado externo. Eu fico a me perguntar até quando essa gente predadora, entreguista e antinacionalista vai continuar a prejudicar o Brasil e o povo brasileiro. Até quando? E nada é feito para conter as hienas, os chacais e os abutres que infestam a terra brasilis.

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A verdade é que Eduardo Cunha vai ter de comer um dobrado. Vai ter de suar um litro inteirinho para se explicar. O Brasil está acostumado a ver somente os quatro "pês" a serem denunciados, julgados e presos. Os pês de pobre, puta, preto, e, mais recentemente, petista. Acontece que os tucanos ficaram oito anos a controlar o poder central e literalmente venderam o País. Eles estão há muitos anos à frente de governos de estados poderosos como São Paulo, Paraná, Goiás e até pouco tempo, Minas Gerais, dentre outros entes da Federação.

O PSDB, partido da burguesia e da plutocracia, é acusado e denunciado de cometer inúmeros escândalos de corrupção e tráfico de influência e até hoje ninguém dessa sigla foi devidamente preso por seus crimes. Cansei de citá-los aos montes em vários artigos, bem como um sem número de jornalistas, políticos, policiais, promotores e juízes, mas ninguém do PSDB responde, efetivamente, por seus crimes. Se por acaso responde, a imprensa de histórico golpista e meramente de negócios privados não explicita em suas manchetes e notícias, porque aliada e cúmplice do PSDB, principalmente o paulista.

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O PGR Rodrigo Janot poderá pedir o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Eis a questão que tanto o preocupa. As acusações ao deputado do Rio de Janeiro são graves. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, pediu informações ao juiz Sérgio Moro sobre os depoimentos da Operação Lava Jato para depois decidir se vai suspender a ação penal em que Cunha é denunciado por Júlio Camargo como uma das autoridades que se beneficiaram com um esquema de corrupção na Petrobras.

A verdade é que o presidente da Câmara não fala a verdade, que se resume em duas coisas: 1) conspirar para derrubar Dilma Rousseff; e 2) fazer da Câmara uma frente de oposição feroz, cujo principal objetivo é paralisar o Governo, impedi-lo de governar e derrotar no plenário e nas comissões as matérias de interesses do Governo Dilma. Os analistas de política que não percebem esses fatos também têm dois motivos para procederem assim: 1) estão irremediavelmente a agir de má-fé em prol dos interesses de seus patrões magnatas bilionários; e 2) são cegos, mudos e surdos, além de alienados, porque não é possível acreditar somente em tanta desfaçatez e história da carochinha juntas...

A verdade é que Eduardo Cunha se sentia inatingível, pois acostumado a tomar decisões sem negociar, a enfrentar seus adversários políticos, munido de lança e espada. Autoritário politicamente e fundamentalista religiosamente, Cunha é um mau, desnecessário, para este País historicamente sofrido e repleto de tragédias políticas e sociais. Ele não mede consequências para que seu grupo conquiste o poder, e, mesmo sendo do PMDB, sempre atuou e agiu como um autêntico e implacável oposicionista, a integrar, como peça-chave, a máquina da oposição partidária, empresarial e estatal.

Sem sombra de dúvida, o presidente da Câmara está a usar o seu cargo para ser um possível nome a concorrer à Presidência da República, a disputar com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a indicação do PMDB, que na verdade é um saco de gatos com garras afiadas, um partido muito grande e com políticos poderosos, que colocam à frente seus interesses regionais, bem como controlam parte do Ministério de Dilma, afinal se trata de um Governo de coalizão. Não se governa no Brasil sem o PMDB, partido que, apesar de seus muitos defeitos, quando se compromete a firmar parcerias políticas, o País fica institucionalmente e politicamente mais estável. Vide os governos de Fernando Henrique, os de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff, que tiveram maioria no Congresso.

Engana-se aquele observador e analista que está a pensar que Eduardo Cunha vai levar a maior parte do PMDB para a oposição. A sigla é dona da vice-presidência da República, administra ministérios e dentro dela tem políticos à esquerda, como o senador Roberto Requião (PR), bem como parlamentares, a exemplo do presidente do Senado, Renan Calheiros, que critica o Governo, mas na hora da onça beber água não vai efetivar rompimentos e impulsividades à moda Cunha, e, por sua vez, arriscar os interesses maiores da agremiação, de seu grupo, além de ver o Brasil entrar em uma crise política e institucional sem precedentes.

Renan é um político questionado e às vezes polêmico, mas nunca foi imprudente, como o é o impulsivo e agressivo Eduardo Cunha, legítimo representante de corporações empresariais na esfera pública, dentre elas as que pertencem aos magnatas bilionários de imprensa, à frente delas a família Marinho. O PMDB divulgou nota à imprensa que a decisão de Cunha de romper com o Governo é pessoal, até porque, ressalto, o comunicado afirma ainda que as decisões do partido tem de ser avaliadas pela Comissão Executiva Nacional, Conselho Político e Diretório Nacional. Além do mais, o vice-presidente da República, Michel Temer, é o articulador político do Governo junto ao Congresso.

Eduardo Cunha está a jogar cartas e precisa de uma trinca de ases. O jogo é duro, mas o presidente da Câmara poderá ter seu mandato de apenas seis meses terminado, se o STF aceitar as denúncias da Procuradoria Geral da República contra o parlamentar que cantou de galo, derrotou o Governo em várias votações importantes, não aceitou derrotas em votações no plenário e conspirou em favor do impeachment de Dilma Rousseff, que nunca incorreu em malfeitos e crimes de responsabilidade. Cunha tem de mudar seu discurso agressivo para se afastar, e se der tempo ainda, da guilhotina. A única coisa que se tem para afirmar ao presidente da Câmara de perfil ditatorial é o bordão do personagem cômico de Jô Soares, sendo que ao invés de dizer "Vai pra casa, Padilha!", exclama-se: "Vai pra casa, Cunha!" É isso aí.

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