A Petrobras ameaçada

A sociedade não foi ouvida, os brasileiros não participaram do debate porque eles, os vendilhões, sabiam que tal proposta seria rechaçada

EC Angra dos Reis (RJ) 22/01/2014 Casco da primeira sonda do prÈ-sal chegou ao Brasil - Visita ao Estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis, onde ser· construÌda uma das sondas de perfuraÁ¿o do prÈ-sal, encomendada pela Sete Brasil. Foto de Fabio Rossi / AgÍn
EC Angra dos Reis (RJ) 22/01/2014 Casco da primeira sonda do prÈ-sal chegou ao Brasil - Visita ao Estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis, onde ser· construÌda uma das sondas de perfuraÁ¿o do prÈ-sal, encomendada pela Sete Brasil. Foto de Fabio Rossi / AgÍn (Foto: Ribamar Fonseca)


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A aprovação pelo Senado do projeto do senador José Serra, que abre o pré-sal para os grupos estrangeiros, foi mais um passo, talvez o maior deles após a quebra do monopólio do petróleo, para a privatização da Petrobrás e a entrega de nossas riquezas petrolíferas ao capital estrangeiro. Graças a um acordo que envolveu, além do governo e a oposição, também a grande mídia, que escondeu a votação dos olhos e ouvidos do povo brasileiro, a proposta entreguista foi aprovada às pressas e quase sorrateiramente, não dando tempo à organização de protestos, atendendo a interesses alienígenas, constituindo-se em mais uma traição ao país concebida há anos pelos tucanos, em cujo ninho estão abrigados os maiores vendilhões da Pátria. A sociedade não foi ouvida, os brasileiros não participaram do debate porque eles, os vendilhões, sabiam que tal proposta seria rechaçada.

Já soava estranha a forma como o tema, de vital importância para o país, vinha sendo tratado pelo governo, pela oposição e pela mídia, com muita discrição, quase em segredo, para que a sociedade organizada não tivesse oportunidade de se mobilizar. Afora algumas manifestações isoladas de jornalistas e políticos, entre estes os senadores Roberto Requião (PMDB) e Lindbergh Farias (PT), sobre os riscos para a Petrobrás representados por essa proposta, ninguém mais tocava no assunto. Requião, que acompanhava preocupado a movimentação dentro do Senado, chegou a declarar que "só uma mobilização nacional urgente pode salvar o nosso futuro". Com efeito, se esse projeto impatriótico chegar a virar lei as próximas gerações do Brasil terão comprometido o seu futuro diante do comprometimento do próprio futuro do país. E nossa geração infelizmente entrará para a história como vende-Pátria.

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, que quebrou o monopólio do petróleo e fatiou a Petrobrás para facilitar a sua privatização – tentou inclusive mudar o nome da estatal para Petrobrax – que os tucanos revelam verdadeira obsessão para entregar tudo aos estrangeiros, um entreguismo que parece estar no DNA de vira-lata deles. No período do governo FHC fizeram de tudo, até sabotagem, (em apenas dois anos foram registrados 62 acidentes, inclusive o naufrágio da plataforma P-36), segundo suspeitas do engenheiro Fernando Leite Siqueira, presidente à época da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobrás, para fragilizar a empresa e justificar a sua venda. "A ditadura militar cometeu erros crassos na área dos direitos humanos, mas os militares eram nacionalistas" – disse o engenheiro em entrevista ao jornalista Palmério Dória.

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Hoje o pretexto usado pelos vendilhões é a corrupção, que teria deixado a estatal falida, o que não é verdade. Um dos defensores da proposta de Serra, o presidente do Senado Renan Calheiros, que apressou a sua votação, disse em artigo aqui no 247: "A proposta do senador José Serra é patriótica. A Petrobras está em uma grave crise e inviabilizada financeiramente. Não tem, e isso é inquestionável, nenhuma condição de fazer face à obrigatoriedade que a lei, ultrapassada, impunha". Classificar o projeto de Serra de "patriótico" é piada ou, então, Renan pirou e subestima a inteligência dos brasileiros. Somente para os entreguistas e para os grupos econômicos internacionais interessados na Petrobrás é que ela está inviabilizada, um pretexto bem urdido para justificar a sua venda, junto com a mais avançada tecnologia de exploração em águas profundas. O senador Roberto Requião foi claro: "Essas empresas (que ficariam com a exploração) não vão investir. As petroleiras estão em dificuldades. O que eles pretendem é se apropriar da tecnologia de águas profundas e estrategicamente manter o controle absoluto de fornecimento de petróleo".

Além dos males à soberania do país, a aprovação do projeto-Serra pelo Senado, embora ainda necessite ser aprovado pela Câmara dos Deputados, também abre caminho para a aprovação do projeto de outro senador tucano, Tasso Jereissati, que quer privatizar todas as 140 estatais brasileiras. Ou seja, parece que os tucanos não querem mesmo que o Brasil seja independente e o povo conquiste melhores condições de vida, mantendo-nos na humilhante condição de colônia. O saudoso presidente Getúlio Vargas, aliás, já alertava, em sua carta-testamento de 1954, que continua muito atual, para esse complô contra a nossa soberania: "A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia de trabalho. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização de nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente".

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O saudoso presidente Itamar Franco revelou, tempos depois de deixar o Palácio do Planalto, que recebia muita pressão dentro do próprio governo: "Eles (os tucanos) queriam privatizar tudo, o Banco do Brasil, todo o setor elétrico, a Usiminas, a Petrobrás". O seu sucessor, Fernando Henrique, no entanto, acabou executando o programa de privatizações que queriam impor a Itamar, só não conseguindo vender a Petrobrás na época porque seu mandato expirou e Lula interrompeu o processo, retomado agora graças a participação da Operação Lava-Jato. E Itamar se arrependeu profundamente de ter feito FHC Presidente, contrariando muitos dos seus amigos que o aconselharam a não escolhê-lo. "A gente não é perfeito, né? Se fosse naquela época em que a professora colocava a gente ajoelhada no milho, acho que eu tinha de ajoelhar no milho", ele disse, conforme depoimento constante do livro "O Príncipe da Privataria".

Diante desse panorama sombrio para a nossa mais importante estatal, uma das maiores empresas de petróleo do mundo, resta esperar que a sociedade organizada saia às ruas para defender a Petrobrás antes que o projeto entreguista do senador José Serra seja votado pela Câmara dos Deputados. E lembrar à presidenta Dilma Rousseff a necessidade de fazer a sua parte, mobilizando os mecanismos do governo para impedir mais essa agressão à nossa soberania. Afinal, o país não pode ser engessado pela Operação Lava-Jato ao ponto de ficar imobilizado diante da ação dos entreguistas.

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