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“Acho que eles têm um problema com o meu país”, diz árbitro somali barrado na Copa

Primeiro árbitro da Somália selecionado para um Mundial relata detenção em aeroporto dos EUA e questiona decisão migratória

Omar Artan (Foto: Reprodução / Redes sociais)
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247 - O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escalado para atuar na Copa do Mundo de 2026, afirmou estar decepcionado após ser impedido de entrar nos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, Artan disse que possuía toda a documentação necessária para ingressar no país e exercer sua função na competição organizada pela Fifa.

Selecionado entre os 52 árbitros que trabalharão no Mundial, Artan faria história como o primeiro representante da Somália a apitar partidas de uma Copa do Mundo. No entanto, sua participação foi interrompida antes mesmo do início do torneio.

“Eu tinha os documentos certos e tudo mais. Eu tinha o visto correto”, declarou o árbitro ao The New York Times. Segundo ele, além do visto apropriado, foram apresentados documentos que comprovavam sua trajetória profissional na arbitragem internacional.

Sem receber uma explicação oficial para a negativa, Artan relacionou a decisão à sua nacionalidade. “Acho que eles têm um problema com o meu país”, afirmou. O árbitro informou que retornaria a Mogadíscio, capital da Somália, na quarta-feira (10).

O somali desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami no último sábado, apenas cinco dias antes da abertura da Copa do Mundo, marcada para quinta-feira (11). De acordo com seu relato, agentes de imigração o submeteram a um interrogatório que durou mais de 11 horas.

Após a longa entrevista, Artan afirmou ter sido conduzido a uma cela e mantido sob custódia antes de ser embarcado em um voo com destino a Istambul, na Turquia. As autoridades norte-americanas não teriam informado o motivo da recusa de sua entrada no país.

O árbitro destacou ainda o significado que sua presença na competição teria para a população somali. “Sou simplesmente um árbitro que está tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, vir para a Copa do Mundo”, disse.

Questionada sobre o caso, a Fifa afirmou que não interfere nos procedimentos migratórios adotados pelos países-sede. Em nota, a entidade declarou que “não se envolve no processo de imigração dos países-sede, incluindo a concessão de vistos”. A organização também informou ter sido comunicada pelas autoridades de que a situação de Artan não será revertida neste momento.

O Ministério da Juventude e dos Esportes da Somália saiu em defesa do árbitro e manifestou apoio à sua conduta profissional. Em comunicado, a pasta destacou a “integridade” de Artan e reiterou seu “apoio incondicional” diante do episódio.

O governo somali informou ainda que promoveu esforços diplomáticos junto às autoridades dos Estados Unidos e à Fifa na tentativa de reverter a decisão, mas sem sucesso.

Integrante do quadro internacional da Fifa desde 2018, Omar Abdulkadir Artan atua na principal liga da Somália e conquistou reconhecimento continental ao ser eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.

O caso ocorre em um contexto de restrições migratórias impostas pelo governo dos Estados Unidos a cidadãos de determinados países. A Somália está entre as nações afetadas por medidas adotadas pela administração do presidente Donald Trump. Em novembro do ano passado, Trump classificou o país africano como “podre” e afirmou que pretendia encerrar o status especial que protege cidadãos somalis contra deportação.

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