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EUA revogam ingressos de torcedores iranianos na Copa

Federação do Irã acusa interferência política e cobra ação da Fifa após cancelamento da distribuição de entradas para os jogos da seleção

Jogadores do Irã (Foto: REUTERS/Efekan Akyuz)
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247 - A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI) afirmou nesta terça-feira (9) que os Estados Unidos revogaram a cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos para a Copa do Mundo de 2026, a poucos dias do início do torneio. A informação foi divulgada pela Reuters.

Segundo a entidade, a medida impede que torcedores do país acompanhem presencialmente as partidas da seleção iraniana, mesmo após muitos deles já terem organizado viagens e outros preparativos para assistir aos jogos do Mundial, que começa na próxima quinta-feira (11).

Em comunicado oficial, a FFIRI informou que havia iniciado o processo de venda dos ingressos destinados à sua torcida, mas que não poderá mais disponibilizá-los. A federação criticou duramente a decisão e destacou os impactos para os torcedores que confiaram no procedimento previamente anunciado.

"Isso ocorre apesar de muitos torcedores iranianos de futebol, confiando no processo oficialmente anunciado, já terem feito os planos necessários para comparecer às partidas", declarou a entidade.

A seleção do Irã estreia no Grupo G da Copa do Mundo diante da Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Em seguida, enfrenta a Bélgica, também em Los Angeles, no dia 21, antes de encerrar sua participação na fase de grupos contra o Egito, em Seattle, em 26 de junho.

Federação denuncia violação da igualdade entre países

A FFIRI afirmou que a retirada da cota de ingressos contraria princípios fundamentais das competições internacionais e prejudica diretamente os torcedores iranianos.

"Privar os torcedores iranianos do acesso à sua cota legítima e oficial de ingressos é uma ação contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio de igualdade entre os países participantes", afirmou a federação.

De acordo com as regras da Copa do Mundo, cada federação participante recebe 8% dos ingressos de cada partida de sua seleção para distribuição entre seus torcedores, seguindo critérios próprios.

Para a entidade iraniana, a decisão levanta preocupações sobre a influência de fatores externos ao esporte na organização do principal torneio do futebol mundial.

A federação declarou que a revogação dos ingressos suscita sérias dúvidas sobre "a interferência de considerações não esportivas e políticas na organização do maior evento de futebol do mundo".

Apelo à Fifa

Embora não tenha apontado quem foi responsável pela decisão, a FFIRI pediu à Fifa que intervenha no caso e preserve a neutralidade da competição.

A entidade solicitou que a organização máxima do futebol mundial siga "os princípios de neutralidade, justiça e regulamentos estabelecidos" e impeça que questões extracampo comprometam a realização do torneio.

Até o momento, a Fifa não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o episódio.

Tensões geopolíticas cercam participação iraniana

A presença do Irã na Copa do Mundo vem sendo acompanhada por incertezas desde o agravamento das tensões no Oriente Médio após ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano no fim de fevereiro, desencadeando um conflito regional.

Em meio ao cenário de instabilidade, a FFIRI negociou a transferência da base da seleção do Arizona para o México. A mudança foi motivada por dúvidas sobre a emissão de vistos norte-americanos e pela percepção crescente dentro do Irã de que a permanência da equipe em território dos Estados Unidos deveria ser reduzida ao mínimo necessário.

Após semanas de indefinição, os vistos dos jogadores foram liberados pelo governo norte-americano na semana passada, apenas dez dias antes da estreia da equipe. Entretanto, integrantes da comissão técnica ainda enfrentaram dificuldades para obter autorização de entrada.

Na última sexta-feira, uma autoridade dos Estados Unidos informou à Reuters que o governo havia emitido "os vistos necessários para o Irã competir na Copa do Mundo".

Fifa mantém diálogo com a delegação iraniana

Também nesta terça-feira, a Fifa informou que o secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, manteve uma reunião considerada positiva com o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, após a chegada da delegação iraniana à sua base de preparação no México.

Segundo comunicado divulgado pela entidade, o diálogo entre as partes será mantido ao longo da competição.

"Com a equipe agora no México, a Fifa continuará o diálogo e a colaboração com a FFIRI para garantir que a experiência da seleção e da delegação seja positiva", afirmou Grafstrom.

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