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Com mobilização popular, Cuba denuncia acusação dos EUA contra Raúl Castro

Ato em Havana repudiou imputação dos EUA e reafirmou defesa da soberania e da Revolução Cubana

Povo cubano foi às ruas em apoio ao Líder da Revolução Raúl Castro (Foto: José Manuel Correa-Granma)
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247 - Mais de 250 mil moradores de Havana participaram de um ato na Tribuna Anti-Imperialista José Martí para denunciar a acusação dos Estados Unidos contra Raúl Castro Ruz e reafirmar a defesa da soberania e da Revolução Cubana, informa o jornal Granma.

A mobilização, realizada no contexto das atividades pelo 95º aniversário do líder revolucionário, reuniu representantes do povo cubano em apoio à Declaração do Governo Revolucionário. O ato foi convocado como resposta à iniciativa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de tentar imputar Raúl Castro, apontada pelas autoridades e organizações cubanas como uma acusação manipulada, injusta e sem legitimidade.

A concentração foi presidida pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, presidente da República e do Conselho de Defesa Nacional, Miguel Díaz-Canel. Também participaram o comandante do Exército Rebelde José Ramón Machado Ventura, Esteban Lazo Hernández, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Manuel Marrero Cruz, primeiro-ministro, e Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Comitê Central do Partido.

Estiveram presentes ainda integrantes do Birô Político, do Secretariado do Comitê Central, dirigentes do Partido, do Estado, do Governo, de organizações de massa e sociais, da União da Juventude Comunista, da Associação de Combatentes da Revolução Cubana, das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior.

Raúl Castro envia mensagem ao povo cubano

Gerardo Hernández, Herói da República de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução, transmitiu uma mensagem enviada por Raúl Castro. No texto, o General do Exército expressou gratidão pela solidariedade do povo cubano e de amigos de outros países diante da acusação.

Segundo a mensagem lida no ato, Raúl Castro afirmou que continuará, enquanto viver, liderando o povo cubano, defendendo a Revolução e “com o pé firmemente no estribo”.

Hernández afirmou que os setores imperialistas “não nos perdoam pela humildade que não conseguem destruir”. Em seu discurso, ele declarou que, diante da “elevada moral” de Cuba, são promovidos planos associados “à mentira e ao terrorismo contra esta terra”.

O dirigente também se referiu a recentes declarações do secretário de Estado dos EUA em 20 de maio. Segundo Gerardo Hernández, o discurso não alcançou o efeito pretendido e “gerou desprezo e indignação entre os covardes”.

Ao relacionar as acusações à história de resistência de Cuba, Hernández evocou José Martí, homenageado no 131º aniversário de sua morte em combate. Ele afirmou que, com o Apóstolo Nacional, os cubanos aprenderam que “monstro” é a palavra adequada para descrever o que é organizado “nas entranhas do império”.

Cuba fala em legítima defesa

Gerardo Hernández também relembrou o contexto das violações do espaço aéreo cubano entre 1994 e 1996. Segundo ele, Cuba sofreu mais de 25 violações graves nesse período e alertou publicamente e oficialmente os Estados Unidos, inclusive por meio de mensagens diretas ao presidente norte-americano da época.

“Portanto, a resposta de Cuba à agressão repetida contra seu espaço aéreo constituiu um ato de legítima defesa. É um direito inalienável de qualquer nação e uma obrigação garantir a segurança de seus cidadãos”, afirmou.

O dirigente questionou a posição de Washington diante do caso. “Os Estados Unidos permitiriam que seu espaço aéreo fosse violado de maneira hostil e provocativa? Claro que não. Eles próprios agiriam com o uso da força”, declarou.

Em defesa de Raúl Castro, Hernández destacou a trajetória do líder revolucionário. “O jovem que invadiu o Quartel Moncada sem medo da morte. O expedicionário do Granma, aquele que foi lutar contra um exército com apenas sete homens, aquele que fundou a Segunda Frente Oriental Frank País e mudou a vida dos camponeses. O mais fiel seguidor de Fidel, capaz de servir, exigir e amar”, disse.

Ao final de seu pronunciamento, Gerardo Hernández disse que Cuba reafirma seu compromisso com a paz e “sua firme determinação em exercer o direito inalienável à autodefesa. Ninguém nos tirará esse direito”.

“O povo de Cuba reafirma sua decisão inabalável de defender a Pátria e a Revolução, e ratifica com toda a força seu comando absoluto e firme do General do Exército Raúl Castro Ruz, conforme declarado pelo Governo Revolucionário e como se manifesta em todos os cantos da Pátria”, acrescentou.

Jurista denuncia acusação contra Raúl Castro

O jovem jurista Rolando López Meriño também discursou no ato. Ele afirmou que a acusação contra Raúl Castro, relacionada ao abate de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate em 24 de fevereiro de 1996, no espaço aéreo cubano, é “absolutamente fraudulenta e ilegítima”.

Segundo López Meriño, a iniciativa busca distorcer fatos históricos comprovados e amplamente documentados, que teriam sido denunciados de maneira formal pelas autoridades cubanas ao governo dos Estados Unidos.

Em nome dos juristas cubanos, ele defendeu o respeito ao direito internacional e citou a Convenção de Chicago de 1944, que estabelece a soberania exclusiva e absoluta dos Estados sobre o espaço aéreo de seu território.

“Denunciamos a evidente cumplicidade e responsabilidade do governo dos Estados Unidos, que foi alertado pelo governo cubano em diversas ocasiões”, afirmou.

O jurista também declarou que a acusação não tem base jurídica. “A acusação contra o nosso General do Exército Raúl Castro Ruz carece de toda legitimidade e contraria o direito internacional, que tem como fundamento sólido a igualdade soberana dos Estados. Os Estados Unidos não podem exercer jurisdição em matéria ocorrida fora do território do seu Estado e contra cidadãos cubanos”, disse.

López Meriño afirmou ainda que a defesa do espaço aéreo cubano corresponde a um direito soberano, exclusivo e absoluto do Estado para proteger sua população diante de violações.

Familiares de vítimas do terrorismo lembram ataques contra Cuba

Betina Palenzuela Corcho, filha de Adriana Corcho, morta em 1976 por uma bomba colocada na sede diplomática cubana em Lisboa, falou em nome das famílias dos cubanos que morreram em consequência de atos terroristas organizados ou apoiados pelos Estados Unidos contra a ilha.

Ela afirmou que a ausência da mãe, que perdeu quando tinha 12 anos, marcou todos os momentos felizes e difíceis de sua vida. Segundo Betina, esses sentimentos se intensificam ao lembrar que a vida de sua mãe foi interrompida por um ato terrorista.

“Esses sentimentos se reforçam quando se pensa que sua vida foi ceifada por um ato atroz terrorista, financiado por um governo como o dos Estados Unidos, que acaba de anunciar a imputação ao General do Exército Raúl Castro Ruz, uma decisão infame, imoral e carente de legitimidade que queremos denunciar hoje”, afirmou.

Betina também defendeu a trajetória de Raúl Castro. Segundo ela, o líder revolucionário dedicou sua vida à defesa da soberania de Cuba, da dignidade de seu povo e da paz entre as nações.

“Por isso somos pessoas de paz. Não podemos continuar permitindo o genocídio que se gesta e se comete a partir dos Estados Unidos contra nosso amado povo. Querem assassiná-lo, mas aqui estamos, firmes”, declarou.

Ela também mencionou décadas de agressões, invasões, ataques, sabotagens e atentados contra sedes cubanas no exterior, em meio ao bloqueio imposto à ilha. “Todas essas ações são provas irrefutáveis da necessidade que nosso país tem de se defender de tais atos”, disse.

Díaz-Canel afirma que Cuba não aceitará ofensas a seus heróis

A mobilização em Havana ocorreu após convocação da União de Jovens Comunistas, de organizações de massa, entidades estudantis e movimentos juvenis. Desde cedo, milhares de moradores da capital cubana se reuniram na Tribuna Anti-Imperialista José Martí em demonstração de apoio ao governo cubano e de rejeição à ação dos Estados Unidos.

Em publicação na rede social X, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba responderia à acusação. “Não se desrespeitam os heróis da Pátria, não se ofendem história e tradições sem resposta. Não em Cuba”, declarou.

O presidente cubano também afirmou que o povo do país superou dificuldades e carências cotidianas, atribuídas por ele principalmente ao bloqueio, para reagir à nova ofensiva contra Raúl Castro.

“Nosso povo saltou com bravura por cima das dificuldades e carências cotidianas, provocadas em primeiro lugar pelo bloqueio genocida, para responder à infâmia mais recente dos inimigos históricos da nação cubana: a pretensão de processar em um tribunal estadunidense o Líder da Revolução”, afirmou.

Díaz-Canel disse ainda que a iniciativa dos Estados Unidos fortaleceu a unidade nacional e elevou o sentimento de dignidade e resistência do povo cubano. “O General do Exército é Cuba, e a Cuba se respeita”, declarou.

Mobilização reforça defesa da soberania cubana

Durante o ato, os participantes afirmaram que ameaças, bloqueios, embargos energéticos e falsas acusações não serão capazes de quebrar a vontade do povo cubano em defesa da Revolução.

A manifestação foi uma resposta política e histórica à tentativa de imputar Raúl Castro. A partir da Tribuna Anti-Imperialista, representantes de Havana afirmaram apoio à Declaração do Governo Revolucionário e reiteraram que Cuba manterá sua posição em defesa da soberania nacional, de seus líderes e de sua Revolução.

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