1º de abril, dia da Globo

Justamente no dia em que, em 1964, começava a ditadura militar, manifestações estão sendo convocadas pelas redes sociais pedindo a cassação dos direitos de transmissão da TV Globo

Justamente no dia em que, em 1964, começava a ditadura militar, manifestações estão sendo convocadas pelas redes sociais pedindo a cassação dos direitos de transmissão da TV Globo
Justamente no dia em que, em 1964, começava a ditadura militar, manifestações estão sendo convocadas pelas redes sociais pedindo a cassação dos direitos de transmissão da TV Globo (Foto: Rubens José da Silva)

No dia 1º de abril, dia da mentira, a verdade sobre a Globo será posta à prova das ruas. Justamente no dia em que, em 1964, começava a ditadura militar, manifestações estão sendo convocadas pelas redes sociais pedindo a cassação dos direitos de transmissão da TV Globo.

Espinafrar a Globo, hoje, é quase uma unanimidade. Um tanto enganosa, porém. Todos falam mal, mas disseminam a mesma pantomina que recebem. Esses não somam ao protesto. E isso sem contar os "gladiadores de Malafaia", que pedem o boicote da emissora num retorno às Cruzadas. Portanto, o foco da manifestação deve estar bem definido.

A concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucas famílias, basicamente na família Marinho, distorce qualquer ideia de democracia. O Quarto Poder é a Globo.

Curioso como o grande pregador do sistema capitalista e das leis "divinas" do mercado tenha se erguido, justamente, pela força do Estado – no período militar -, e até hoje mantenha um monopólio graças a uma reserva de mercado só comparável às mais abjetas ditaduras.

A premissa básica da livre concorrência só vale para os outros. Quem tanto defende a entrada de empresas estrangeiras sobre nossas reservas de petróleo, ao ponto de ridicularizar a política de conteúdo nacional implantada pelo governo na Petrobras – que gera uma monumental cadeia em empregos, conhecimento, desenvolvimento e inovação dentro do país -, não vê nenhuma incoerência em manter-se à parte do que prega.

A Globo, que tanto gosta de se cobrir nas cores verde e amarela, é quem tenta desnacionalizar o maior símbolo e alavanca da economia brasileira.

A maior virtude da emissora é a dissimulação.

Apenas para ilustrar, o noticiário local RJ/TV, em comemoração aos 450 anos da cidade, exibiu uma série de reportagens e documentários de um Rio antigo. Imagens fascinantes, muitas feitas pelo olhar de um estrangeiro. No episódio dedicado à história política, cenas sobre o absurdo da ditadura militar eram complementadas pela fala da apresentadora do telejornal a nos relembrar covardes arbitrariedades. Mais à frente, o colossal comício das Diretas Já, em 1984. Novamente, a apresentadora é levada à mais alta euforia democrática, enaltecendo o louvor cívico de um povo que sabia de sua responsabilidade.

A mesma Globo que patrocinou a ditadura até quando pôde e quis esconder um milhão de pessoas que clamavam, no Rio de Janeiro, por eleições diretas, agora nos empulha com aula de democracia.

Para continuar com a anacrônica reserva de mercado, costuma alegar que a entrada de outros players no setor representa um sério risco para o país, pois prejudicaria a formulação de conteúdo jornalístico.

Ora, mas é justamente por causa da extrema parcialidade desse conteúdo e de um domínio quase absoluto nas comunicações que muitos pedem a cassação da concessão pública.

Para inibir a competição, os Marinho recorrem à Constituição, que diz que as empresas que produzem conteúdo jornalístico podem ter, no máximo, 30% de capital estrangeiro, além do controle administrativo e editorial estar nas mãos de brasileiros natos.

Mas quando os defensores da regulação da mídia pedem o cumprimento do Parágrafo 5º da Constituição, que cita que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio", são sumariamente acusados de atentar contra a liberdade de imprensa.

Como disse Paulo Henrique Amorim, a Globo tem uma Constituição só pra ela.

Acostumada a viver às custas de isenções de impostos e privilégios na publicidade, morre de medo de um debate público sobre regulação.

Ela deveria seguir as regras do mercado que tanto exalta. Por que tanta proteção do Estado? Trata-se de uma atividade econômica e muito rentável: a família Marinho é a mais rica do Brasil.

Lutar contra ultrajantes privilégios é lutar contra a corrupção.

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