18 de agosto: derrotar a sabotagem e ampliar a mobilização

É preciso um plano de lutas e um programa de defesa das reivindicações dos trabalhadores diante da crise

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(Foto: CUT)
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Por Antônio Carlos Silva, DCO

Em meio a uma sabotagem dos setores que defenderam a presença nos atos da esquerda dos golpistas do PSDB, o 18 de agosto, Dia Nacional de Lutas dos servidores contra a destruição dos serviços públicos, dos trabalhadores das estatais contra as privatizações e de todo o povo trabalhador brasileiro, por essas causas e pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, por vacina para todos e por auxílio emergencial de verdade, adquire uma importância ainda maior.

O “corpo mole” na convocação da parte de amplos setores da esquerda, que – mesmo depois da data ter sido aprovada no Movimento Nacional pelo Fora Bolsonaro – ocultaram a data, divulgaram outra etc. mostra o compromisso desses com os que – apoiam Bolsonaro nos seus ataques contra os trabalhadores e reforça a importante da luta por desenvolver uma tendência e necessidade dos explorados frente à situação política: a dos trabalhadores e de suas organizações de saírem à luta, contra o regime golpista e sua ofensiva, contra as condições de vida da imensa maioria do povo brasileiro e contra a economia nacional.

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Os que não convocaram efetivamente a mobilização nessa data são os mesmo setores da esquerda e da burocracia sindical (das “centrais” pelegas), que defendem a política de frente ampla com os golpistas, ou seja, de colaboração e capitulação diante dos inimigos dos trabalhadores, como o PSDB, DEM e toda a direita, bem como setores do PSB e PDT, que colaboram com Bolsonaro na aprovação das “reformas” e ataques ao povo. Nessas condições, a mobilização foi impulsionada pela necessidade dos servidores públicos, trabalhadores das estatais e etc. de se oporem ao violentos ataques de toda a direita (bolsonarista e de “oposição”), o que levou à CUT, sindicatos de servidores e das estatais, bem como outras entidades, a proporem um mobilização nacional com greves e paralisações, quebrando um longo período de paralisia, no qual – por exemplo – os sindicatos permaneceram fechados (e muitos ainda permanecem) por mais de um ano.

Finalmente, essa tendência aponta também para o sentido oposto da política de derrotas que dominou a esquerda e todo o movimento operário no último período: de submeter a luta dos trabalhadores e suas necessidades às articulações no interior das instituições da burguesia, como o Congresso Nacional, que não garantiram uma única vitória dos explorados diante do regime, que levou aos maiores retrocessos nas condições de vida do povo brasileiro de todos os tempos.

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Ainda que de de forma parcial e limitada – muito aquém do que é necessário para impor uma derrota à ofensiva da direita-, os protestos, greves e paralisações de servidores públicos, trabalhadores dos Correios etc. apontam no sentido de colocar em movimento a única força capaz de impor uma derrota real à direita: a mobilização dos trabalhadores, com suas próprias armas de luta, contra o governo ilegítimo de Bolsonaro e contra toda a direita.

Por isso, independentemente dos resultados práticos do dia 18, é preciso dar continuidade à essa mobilização e à luta pela sua ampliação e generalização. Por meio da multiplicação dos Comitês de Luta, da realização de assembleias presenciais massivas, plenárias e outros meios de organização que visem fortalecer a mobilização, por meio de uma intensa luta contra as tentativas de sepultar a mobilização, com a realização de “atos simbólicos” e não efetivos, o maior espaçamento das datas e, principalmente, a submissão da luta popular ao calendário e à política da direita golpista (defensora da “terceira via”) que não quer derrubar ou combater Bolsonaro, e nem se opor às “suas medidas”, mas apenas controlá-lo e forçá-lo a adotar ainda mais medidas contra o povo e a economia nacional.

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Contra essa política de capitulação e derrotas, é preciso levantar, além de um plano de lutas, um programa de defesa das reivindicações dos trabalhadores diante da crise, que procure impulsionar a unidade na luta dos trabalhadores na luta contra a burguesia e seus governos por meio da greve geral, e de outros formas de enfrentamento com o regime golpista.

  • Derrotar a PEC 32, todas as medidas de destruição dos serviços públicos e de ataques ao funcionalismo dos governos Bolsonaro, Doria e de toda a direita;
  • Abaixo as privatizações dos Correios, Eletrobrás, CEF etc. Cancelamento de todas as privatizações realizadas;
  • Abaixo a “mini-reforma trabalhista” (MP 1045) e todas as medidas de maior escravização dos trabalhadores. Revogação de todas as “reformas” contra os trabalhadores adotadas a partir do golpe de Estado de 2016;
  • Redução da jornada de trabalho para o máximo de 35h horas semanais (7h por dia, 5 dias por semana); trabalhar menos para que todos trabalhem;
  • proibição das demissões e readmissão de todos os demitidos na pandemia; ocupação e controle dos trabalhadores sobre as empresas que demitem;
  • Reposição integral das perdas salariais; escala móvel dos salários, diante da escalada da inflação: aumento automático toda vez que o custo de vida do trabalhador subir 3%;
  • Salário mínimo vital suficiente para atender às necessidades do trabalhador e de sua família (que hoje não poderia ser de menos de R$6.500), deliberado pelas organizações operárias.
  • Auxílio emergencial de verdade de – pelo menos – um salário mínimo, enquanto durar a pandemia;
  • proibição dos despejos e desocupações no campo e na cidade;
  • Reforma Agrária com expropriação do latifúndio;
  • Fim do regime golpista: Fora Bolsonaro e todos os golpistas; eleições gerais com Lula candidato dos trabalhadores, por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.

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