1954, 1964 e 2016, 17, 18...

O Golpe de 2016 tem os mesmos elementos dos de 54 e 64: polarização ideológica, crise econômica interna, interesses econômicos internacionais, acusação de corrupção, campanha difamatória pela imprensa

Em 1954 o Presidente Getulio Vargas foi levado ao suicido em razão de uma conspiração civil-militar, semelhante àquela que levou o país à ditadura a partir de 1964 e afastou definitivamente João Goulart.

Há enormes semelhanças entre esses eventos.

Em 1954 e em 1964 ocorreu um rápido processo de radicalização e polarização, gerando enorme tensão institucional.

Em 1954 o heroico suicídio de Getulio salvou as instituições, mas em 1964 a ausência de heróis, com os agravantes decorrentes da guerra fria, as instituições naufragaram.

Tanto em 1954, quanto em 1964 havia pressão inflacionária e os planos econômicos, de natureza keynesiana, que exigiam investimentos estatais, aumento dos salários dos trabalhadores, etc., não decolavam. Ademais, a política desenvolvimentista de Vargas e Goulart colidia com as políticas de austeridade que interessava aos credores internacionais, e eles sabiam defender seus interesses, faziam diretamente ou através, da imprensa e do FMI.

Além das questões econômicas o monopólio estatal do petróleo, através da PETROBRÁS, sempre desagradou os interesses plutocráticos internacionais, interesses que – presumivelmente – financiavam a imprensa para amplificar as tensões e instabilidade.

Some-se a tudo isso o fato de que, nas crises dos governos Vargas e Goulart, sobravam acusações de corrupção, acusações nunca comprovadas.

O Golpe de 2016 (chamado insistentemente de impeachment, assim como o golpe de 64 foi chamado de "revolução" pelos conspiradores e traidores da democracia) tem os mesmos elementos dos de 54 e 64: polarização ideológica, crise econômica interna, interesses econômicos internacionais, acusação de corrupção, campanha difamatória pela imprensa, etc., etc.

Mas os elementos essenciais e que diferenciam o golpe de 2016 dos outros dois, aqui em comento, é o fato de que hoje não vemos tanques ou armas, ele é sustentado por setores do judiciário e do congresso, que usam pretextos jurídicos para dar ares de legitimidade ao golpe e cobrir a vergonha dos conspiradores e golpistas.

E o Golpe de 2016 não teve por objetivo apenas o afastamento da presidente Dilma Roussef, mas a volta definitiva da agenda liberal, derrotada nas urnas em 2002, 2006, 2010 e 2014; tal agenda privilegia interesses internacionais. Para isso o sucesso do golpe exigiu a destruição das grandes empresas nacionais, criminalização da Política e, seletivamente, dos políticos de esquerda e centro-esquerda, declarou-se Estado de exceção, o afastamento do candidato do centro-esquerda participe das eleições de 2018 e, por fim, a cassação do registro do maior partido de centro-esquerda do país.

Esse é o roteiro.

Temos uma elite autoritária, que construiu um Estado autoritário, orientado por um Direito autoritário, "o direito da Casagrande", como escreveu Roberto Amaral, um direito que sempre tratou o país e o povo como senzala, uma elite que vê como ideal uma democracia sem povo, uma elite que não pensa o país, uma elite alienada e sem compromisso com um projeto nacional.

A grande questão é responder: O QUE FAZER?

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