2019: tempo de renovar a resistência

2019 projeta-se como um ano difícil, com os efeitos da crise ainda pesando na vida do trabalhador. Precisaremos debater com setores econômicos e os trabalhadores para pensar coletivamente as melhores saídas para retomar o desenvolvimento sem mais retirada de direitos. Não devemos nos limitar a viver uma pauta meramente reativa ao governo federal

2019: tempo de renovar a resistência
2019: tempo de renovar a resistência (Foto: Roberto Parizotti/ CUT)

Com o avanço da direita no Brasil, a Oposição deve se preparar para resistir contra retrocessos democráticos e cortes de direitos do povo, que podem ser realizados pelo presidente Jair Bolsonaro.

2019 projeta-se como um ano difícil, com os efeitos da crise ainda pesando na vida do trabalhador. Precisaremos debater com setores econômicos e os trabalhadores para pensar coletivamente as melhores saídas para retomar o desenvolvimento sem mais retirada de direitos. Não devemos nos limitar a viver uma pauta meramente reativa ao governo federal.

Devemos atuar de maneira mais ampla no Parlamento e nos movimentos da sociedade organizada. Queremos reunir novas forças e atores políticos que também se opõem ao projeto representado por Bolsonaro, o que significa evitar posturas exclusivistas e hegemonistas.

Decidimos nos unir em um bloco parlamentar com PDT e PSB para atuação conjunta na Câmara. Estaremos sempre abertos a quem mais quiser colaborar com essa mobilização.

Houve grande renovação no Congresso Nacional. A esquerda praticamente manteve posições, o que foi uma conquista dado o cenário eleitoral. Os segmentos abertamente de direita cresceram, em prejuízo de siglas identificadas com o centro e centro-direita. Nesse contexto, a Oposição trabalhará para que a Câmara dos Deputados tenha um funcionamento interno democrático, sem atropelos, e paute temas que enfrentem os principais dilemas do país, impulsionando o crescimento econômico e a geração de empregos.

Nas eleições de 2018 não foi debatido um programa de desenvolvimento da nação. Esse fato é gravíssimo, pois não está claro o projeto que o presidente eleito tem para o país.

Os primeiros sinais do novo governo são erráticos, mostram improviso e falta de clareza. Ainda na transição, já tivemos problemas nas relações externas com países árabes e ruídos com a China e o Mercosul. Tivemos a chantagem, em razão de preconceito ideológico, que motivou a retirada de Cuba do Mais Médicos, o que trará graves consequências para o atendimento das pessoas.

A sociedade saiu dividida da campanha, demonstrando sentimento negativo em relação à política. Mas nós sempre apostaremos na política como instrumento para mediação de conflitos, o que eleva o papel do Congresso em momentos de crise como o atual.

Na Câmara, nos últimos quatro anos, minha atuação foi marcada pela defesa dos direitos dos trabalhadores, contra as reformas que firam esses direitos, como é o caso da Previdência, que o novo governo insistirá em pautar. Continuarei nessa trincheira.

Também devemos tratar do problema da desindustrialização do país e da soberania nacional em setores estratégicos, como os de energia e petróleo e gás, que sofrem ameaças de privatização. E lutaremos muito para reafirmar as pautas democráticas, porque a democracia é um pressuposto para a construção de um projeto de país que seja justo e gere oportunidades para todos os cidadãos.

Os embates não serão fáceis. O clima continuará tenso dentro e fora do Congresso. A nós, da Oposição, caberá resistir e reforçar a luta contra qualquer tentativa de sepultamento de direitos dos brasileiros.

Boas festas a todos. Que venha 2019! Vamos à luta!

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