236 de Simón Bolivar e um general brasileiro inteligente, culto, honrado e libertário

As raízes da consciência revolucionária do general José Inácio se vincam ao próprio pai que participou da insurreição pela Revolução Pernambucana de 1817, condenado a fuzilamento em 29 e março de 1817, ato brutal que o filho foi obrigado a assistir

Querido amigo ADM Wesley Divino, Belo Horizonte, MG

Saúdo-te com  alegria e solidariedade, meu irmão e amigo.

Conhecer-te como evangélico que não vende o cristianismo,  que não negocia a fé nem faz de Jesus um cambista vendilhão e moeda de troca como cabo eleitoral de golpistas neoliberais, é honroso para mim.

És cristão verdadeiro e não pau de arrasto de igrejas, destas que servem de trampolim ao fundamentalismo, ao charlatanismo e ao neoliberalismo destroçador dos direitos e da dignidade de nosso povo.

Sou solidário contigo em face  das tuas preocupações comigo compartilhadas nesta manhã. És forte como o é nosso povo brasileiro e és movido por imensa fé.

Hoje, se vivo fosse e se com essa idade fosse possível viver, nosso herói Simón Bolívar completaria neste 24 de julho de 2019 dois séculos e mais 36 anos.

Na verdade,  Simón Bolívar vive em nossos sonhos e carências de liberdade e independência como América Latina, que ele almejava como a Grande Pátria, integrada pelos povos na luta pela libertação da colonização espanhola.

Em 2017 e em 2018 tive a honra de receber em minha resistência um maravilhoso padre católico romano colombiano.

Ele é um cristão genuíno. Como tal é profundamente preocupado e ocupado com a luta do seu povo sofrido, empobrecido e oprimido na Colômbia, pátria do revolucionário Padre Camilo de Oliveira Torres.

O colombiano, cuja comunhão comigo se deu a partir desse blog, participou intensamente da luta apoiando as FARCs e depois do processo de paz e da reconciliação nacional em seu país.

Na primeira visita o meu amigo me presenteou com dois livros. Um deles é a obra SIMÓN BOLÍVAR, O Libertador (Biblioteca Ayacucho, 2007, Compilação, Notas e Cronologia por Manuel Pérez Vila).

Na obra toda a documentação prova que Simón Bolívar foi o maior líder das lutas de independência de nossa América do Sul. Nascido no dia 24 de julho de 1783, em Caracas, atual capital da Venezuela, construiu toda a vida no estudo de nossa realidade colonizada e se preparou militarmente para a grande redenção de nossos povos, ora alienados, ora divididos, ora enganados até mesmo pelos padres aliados dos grandes senhores proprietários de terra, ora rechaçados em batalhas sangrentas, mas sempre colonizados e carentes de independência.

Apesar da perda do pai quando tinha apenas 3 anos e da mãe com 9 anos de idade, cuidado depois pelo avô materno, com a morte deste pelo tio Carlos Palacios, a despeito de desfrutar de excelente condição financeiro não descambou para o conservadorismo,  que cega as consciências e motiva traição à pátria por quem se acha superior aos nativos descendentes de ameríndios e mestiços escravizados.

A história de Bolívar é a prova de que quando as pessoas se deixam influenciar por intelectuais inteligentes, estudiosos e sensíveis à realidade, sem se deixarem cegar pelas elites, se permitem a saltos de qualidade na compreensão da realidade da dominação, das injustiças econômicas e da  opressão que exclui as massas populares.

Graças a dois de seus professores, Simón Rodrigues e Andrés Bello, Bolívar se deixou influenciar pelo projeto de libertação, que se tornou nele o seu maior legado. Graças à poderosa inspiração de seus mestres,  o grande lutador viajou para a Europa ainda com 14 anos  para estudar os autores iluministas, grandes animadores da Revolução Francesa.

Ao voltar à Venezuela com 19 anos sofreu mais uma tragédia com a morte de sua esposa Maria Tereza. Com isso,  retornou à Europa, onde,  no Monte Sacro,  jurou que não descansaria na luta pela libertação da América do jugo da colonização espanhola.

Monte Sacro foi escolhido para esse juramento pelo simbolismo: lá os plebeus protestaram contra a aristocracia da Roma antiga.

Na obra que recebi de presente do meu amigo padre revolucionário, que li rapidamente, me surpreendi com outro gênio, para minha alegria, um brasileiro pernambucano. Trata-se do general José Inácio de Abreu de Lima.

O apresentador do livro, Embaixador da República Bolivariana da Venezuela, Julio Garcia Montoya, menciona a grande amizade de Bolívar com aquele que  chamou de “herói pernambucano’, amigo fraterno do Libertador e grande colaborador na luta pela independência venezuelana. Os laços que ontem os uniram, hoje são cada vez mais fortes. O passado e o presente de nossos povos conjugam-se num futuro de união”.

Da mesma forma que Bolívar buscava na cultura a alimentação pelos estudos, frutificando a  inteligência, a inquietação revolucionária, a rebeldia organizada e o amor aos povos explorados insanamente pelos colonizadores,  pelas oligarquias egoístas e desumanas, o  general José Inácio de Abreu e Lima nutria-se, desde o nascimento,  em ambiente e em relações intelectuais de busca e de fermentação revolucionárias.

Pernambuco foi a pátria do grande general brasileiro. Nasceu em 6 de abril de 1794,

Seu pai era o padre Roma, que abandonou o sacerdócio por amor a uma mulher, com quem casou.

As raízes da consciência revolucionária do general José Inácio se vincam ao próprio pai que participou da insurreição pela Revolução Pernambucana de 1817, condenado a fuzilamento em 29 e março de 1817, ato brutal que o filho foi obrigado a assistir.

Filho de José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima , o padre “Roma” da insurreição de 1817, que foi fuzilado pelo governo em 29 de março de 1817.

A vida de José Inácio foi sempre marcada por envolvimento em revoltas  e insurreições de caráter popular, objetivando uma sociedade mais justa.

A biografia de nosso general pernambucano, amigo e companheiro do herói Bolívar,  é igualmente fértil de estudos. José Inácio de Abreu e Lima nasceu em Recife de família das mais ricas do Brasil, proprietária do engenho de Casa Forte, em 6 de abril de 1794. Chama a atenção que os Abreu e Lima eram também ricos em conhecimento – com sólida formação filosófica, científica e de línguas –, com  tradição militar e revolucionária.

Os pontos que uniam e identificavam os heróis pernambucano e venezuelano os faziam luminárias da América do sul.

Penso, meu amigo Wesley, que homenagear Simón Bolíviar e sua amizade com nosso compatriota José Inácio de Abreu e Lima é buscarmos a compreensão de que a luta pela independência e na construção da libertação de tudo o que oprime e desfigura o nosso povo carece de qualificação, de fundamentos, de estudos e de muita ousadia organizada. Ambas são absoltamente necessárias e interdependentes, sem desconsiderar nenhuma das duas.

Em tempos tão obscuros, com tanta mediocridade por parte de quem desgoverna o Brasil hoje, com inopinada, irresponsável dependência e superficialidade, com elogio à ignorância, à vulgaridade e destruição da educação,  até mesmo por militares e graduados generais, verdadeiros coroinhas da estupidez e do raquitismo intelectual, Bolívar e Abreu e Lima se levantam na história para nos indicar os nossos potenciais intelectuais e revolucionários,  que temos  o dever de avivar e de reacendermos o fogo da  qualificação na luta libertária.

Ousar lutar e ousar vencer são marcas do povo em marcha. Venceremos!

Abraços críticos e fraternos,

Dom Orvandil.

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