3 de Setembro: Dia de Lutar pela Vida!

Para que sejamos valorizados, e tenhamos nosso ambiente igualmente respeitado, somente com a derrubada desse governo nefasto, lesa-pátria. Juramos lutar pela vida. E Lutar por ela é dizer não aos crimes de Bolsonaro!

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Nesse dia do Biólogo, muita coisa passa em minha cabeça. O que me faz ser biólogo? Mais do que o amor à vida e à defesa da biodiversidade, me vejo em uma missão ainda maior: defender a informação verdadeira. Em meio ao caos que vivemos, em uma sociedade propositadamente dividida e polarizada, enquanto biólogo – e professor – é urgente meu papel social. Não basta falarmos de células, doenças, natureza, corpo humano. É preciso contextualizar tudo, mostrar a realidade das coisas, os fatos. E não tem como escapar de falarmos dos eventos, sem que falemos de política. Hoje vejo que ser biólogo, é ser um cidadão ainda mais ativo na sociedade.

Impossível ser biólogo sem denunciarmos a barbárie que o (des)governo miliciano está fazendo com a Amazônia e demais biomas. Cabe também a nós, biólogos e biólogas, denunciarmos as Fake News – as mesmas que elegeram Jair Bolsonaro e sua trupe conservadora – que envolvem as vacinas e o risco iminente de novas epidemias mundiais. Devemos sim defender a vida, ainda que os canalhas que estão no poder queiram legalizar o porte de armas e criminalizar a agricultura ecológica em atendimento e submissão aos interesses do agronegócio – que é tóxico!

É nosso dever agir e alertar contra o aquecimento global, mesmo que pseudocientistas queiram negar o que já está acontecendo em nosso planeta. Fazer valer nosso juramento – “...exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz” – e lutar pela ciência, e não sucumbirmos e baixarmos guarda perante período das trevas que estamos vivendo. É necessário que mostremos a realidade à população, contextualizando-a em seu dia a dia, seja pela importância da redução do consumismo exacerbado, como deseja o degradante sistema capitalista, seja pela simples redução do uso de sacolas plásticas em mercados. Mostrar ao povo que nossos atos fazem a diferença, para o bem, ou para o mal.

Quantas pessoas sabem do efeito do consumo do óleo de palma, por exemplo, refletindo diretamente no desmatamento de florestas tropicais para sua produção? Quantas pessoas entendem e se preocupam com a “pegada ecológica” dos produtos que consomem? E o que dizer das poucas que sabem do real perigo dos AGROTÓXICOS e a relação destes com várias doenças, como câncer, Parkinson e depressão?

A educação é nossa ferramenta para isso. E não à toa é diariamente atacada por cortes orçamentários, precarizando o ensino e a formação de cidadãos pensantes. Como ouvi certa vez no documentário “The mask you live in”, a população informada é uma população empoderada...e é exatamente esse o medo das grandes corporações que mandam e desmandam nos governos, com o objetivo único de concentração do capital. Tais atitudes, portanto, devem ser enxergadas em um contexto muito mais amplo do que disputas partidárias, ou como insistimos, de “esquerda vs. direita”. É uma questão geopolítica, em atendimento ao capital.

Como disse o professor e economista Landislau Dowbor, os principais bens do planeta estão com 16 corporações, vemos que há controle da economia mundial sem que se tenha um governo mundial.

A própria prisão política de Lula é um exemplo disso. Líder e estadista que priorizava não apenas a autonomia de nosso país, sempre com olhar de preocupação com a própria Amazônia, fortalecendo o IBAMA e tantas agências de pesquisa que possam contribuir para a preservação ambiental. Lembremos que foi justamente nos governos petistas de Lula e Dilma que o Brasil passou a ser referência mundial na proteção das florestas, conseguindo reduzir em 82% os desmatamentos no bioma. Mais do que isso, Lula sempre teve preocupação com o ambiente, e não media esforços para investir agroecologia e na capacitação das pessoas mais negligenciadas pelo atual sistema.

E o que vemos hoje em nosso país sob a batuta do ecocida Bolsonaro? Queimadas descontroladas na Amazônia – e correlacionadas com áreas de desmatamento –, sem qualquer tipo de atitude, com objetivo claro de devastação para exploração pelo agronegócio e a liberação de venenos extremamente danosos ao ambiente. Em relação aos agrotóxicos, só até julho deste ano, forma mais de 260 novos registros, incluindo dezenas de produtos com o princípio ativo Sulfoxaflor, comprovado como “exterminador de abelhas” e condenável em vários lugares da Europa.

O caso do Sulfoxaflor é um claro exemplo dos interesses econômicos. O responsável pelo registro é a Dow AgroSciences, que faz parte da gigante americana Dow Chemical Company. Em 2016 teve o registro cancelado pelo Tribunal de Apelações de São Francisco, nos Estados Unidos, mas em 2019, já com o bilionário Donald Trump ocupando a Casa Branca, teve seu registro totalmente liberado. O curioso nessa liberação pela EPA (Environmental Protection Agency) – e a total anulação das evidências e provas da mortalidade das abelhas – é que a Dow AgroSciences é ligada à Corteva, que doou US$ 1 milhão para as festas da posse de Trump. E segundo reportagem da Associated Press, na época, o CEO da Dow, inclusive, era amigo pessoal de Trump.

Isso sem falar em casos clássicos das “portas giratórias”, quando executivos dessas empresas de agroTÓXICOS assumem cargos nos governos para aprovação de regulamentações que as favoreçam. Como relatado no livro/documentário “O Mundo Segundo a Monsanto”, a liberação dos organismos geneticamente modificados – transgênicos – feita pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos em 1992, foi redigida por Michael Taylor, advogado da Monsanto que ingressou neste órgão justamente para isso. Hoje, Bayer e Monsanto são uma única empresa: a causadora de doenças, e a mesma que vende os remédios.

No Brasil não é diferente. A atual Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem laços fortes com executivos ligados diretamente aos agrotóxicos e com a bancada ruralista, financiada justamente por essas empresas para que façam o devido lobby no Congresso Nacional para a liberação facilitada de venenos – como o aprovado PL 6299. Parecendo mentira – e infelizmente não é –  também temos Ricardo Salles como Ministro do Meio Ambiente, um sujeito condenado por crime ambiental e hoje lota sua agenda com reuniões com líderes do agronegócio, madeireiros, executivos de multinacionais do petróleo e mineração e representantes de indústrias farmacêuticas. Ou seja, mais um exemplo de um cargo importante ocupado por uma pessoa totalmente desqualificada e despreparada – tal como o atual presidente do país.

Assim sendo prezados colegas e amigos de profissão, compete a cada um de nós erguermos as vozes e lutarmos contra essas práticas contrárias àquilo que juramos defender. E para que sejamos valorizados, e tenhamos nosso ambiente igualmente respeitado, somente com a derrubada desse governo nefasto, lesa-pátria.

Juramos lutar pela vida. E Lutar por ela é dizer não aos crimes de Bolsonaro!

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