519 dias, 519 anos: um dia de prisão política de Lula para cada ano de Brasil

O colunista Gustavo Conde lembra a prisão política que Lula enfrentou nos anos 80 e soma os 31 dias daquele período aos quase 500 dias da atual violência judicial: "esses 31 dias também devem ser contabilizados a esse período em que o cidadão Luiz Inácio fica sob custódia ilegal do Estado brasileiro. E somados aos 488 dias em que nosso maior líder democrático vê-se aprisionado em uma condenação cada dia mais fragilizada pelos fatos, temos 519 dias."

Lula, o político que contraria Lógica
Lula, o político que contraria Lógica (Foto: Stuckert)

Nem todos se lembram que Lula também foi preso pela ditadura militar. Nem todos se lembram que ele ficou 31 dias em uma cela do Dops, em São Paulo. Nem todos se lembram que ele saiu da prisão política do Dops em 1980 para ir ao enterro da mãe, Dona Lindu.

Esses 31 dias também devem ser contabilizados a esse período em que o cidadão Luiz Inácio fica sob custódia ilegal do Estado brasileiro. E somados aos 488 dias em que nosso maior líder democrático vê-se aprisionado em uma condenação cada dia mais fragilizada pelos fatos, temos 519 dias.

Hoje, 8 de agosto de 2019, temos um dia de prisão política para cada ano de Brasil: 519 dias para 519 anos. É emblemático.

A dimensão de Lula é a dimensão possível de Brasil. O mesmo Brasil eternamente sabotado pelas elites é o Brasil contido no coração de Lula, eternamente temido e combatido por nosso sistema excludente e egoísta.

Quando Lula saiu da prisão política em 12 de maio de 1980 para enterrar sua mãe, o Brasil pode ver a comoção em torno da dor do maior líder sindical do país, já amado por muitos brasileiros e já sob o signo da esperança.

Não duraria mais uma semana a frágil prisão do metalúrgico. Viu-se, ali, que sua prisão era apenas reforçar a sua imagem como maior líder de massas do país, além da evidência absoluta de que tratava-se de um cidadão que jamais cometera um crime.

39 anos depois, Lula deixa uma prisão política muito mais violenta, muito mais vingativa, muito mais política, para enterrar seu neto Arthur (depois de lhe ser vedada a despedida – garantida por lei – ao irmão Vavá).

Ali, o Brasil inteiro pôde ver, mais uma vez, a dor de Lula e sua humanidade lancinante. Foi o ponto de inflexão desta prisão absurda, como foi naqueles anos 80 as imagens de Lula chorando a perda da mãe.

Esta constatação torna-se ainda mais dramática para todos nós, porque mostra que esta prisão política, capitaneada por um juiz e por procuradores já desmascarados em suas violações múltiplas de todo e qualquer parâmetro judicial, é ainda mais abusiva que aquela de 1980.

Lula já deveria estar livre e já deveria estar em casa. Nem o amplo espectro político brasileiro ainda confuso pode mais aguentar essa violência contra um cidadão que tão bem nos representou ao mundo e a nós mesmos.

A ‘procissão’ de parlamentares de toda coloração político-partidária ontem ao STF confirma essa mudança de ares no país com relação a esta prisão fraudulenta. Os 10 a 1 do Supremo também acenam para o esgotamento do arbítrio sobre Lula.

Com tudo isso, Lula chega ao seu 519° dia de prisão política, somadas as duas prisões. Um dia para cada ano de Brasil. Cada dia, uma lição de generosidade. Todos os dias, a esperança viva de que um Brasil mais justo é possível porque ainda há pessoas que ‘teimam’ como Dona Lindu e ‘brilham’ como o menino Arthur.

Que esses 519 dias não sejam em vão. Que o mundo possa testemunhar o brasileiro mais apaixonado pelo Brasil que já nasceu – o Brasil que deu certo, o Brasil generoso, o Brasil soberano.

A democracia está com Lula, hoje e sempre.

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