70 mil mortos, tudo abrindo e a esquerda quer esperar por 2022

Às ruas para derrubar Bolsonaro e todos os golpistas, conquistar eleições gerais e parar a matança

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Diário Causa Operária

Duas das mais importantes Universidades, com destacados estudos matemáticos sobre a evolução da pandemia mundial do coronavírus, fizeram previsões sobre a situação no Brasil. Suas conclusões são importantes para compreender o caráter criminoso da política defendida pelo presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, e executada fielmente pela quase totalidade dos governos estaduais e municipais, no momento em que o Brasil ultrapassou a marca de 70 mil mortos.

Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Universidade de Washington, que criou um modelo que prediz como será a propagação do covid-19 em diversos países do mundo, em 1º de outubro, o Brasil deve superar 166 mil mortes, com a América Latina e o Caribe (contando o Caribe inglês) somando 438 mil. A Imperial College, de Londres, por sua vez, estimou que nosso País ultrapassará a marca dos 188 mil mortos pelo coronavírus no começo de novembro.

Os dados estão em perfeita sintonia com a ampla pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas – a maior realizada até agora – que testou mais de 90 mil pessoas em 136 cidades de todos os Estados e conclui que o número de infectados no País é – pelo menos – seis vezes maior do que o total divulgado pelo governo federal e secretarias estaduais de Saúde, o que significaria que mais de 10 milhões de pessoas já teriam contraído a doença e que o número de óbitos já supera os 100 mil.

Tais números deixam ainda mais evidente que a política de reabertura do comércio, das escolas, universidades etc., não é mais do que um genocídio premeditado. Se não for barrada, tal operação pode promover uma matança ainda maior do que aquela apontada pelas estimativas acadêmicas. 

Essa política não é uma novidade, mas a continuação da que foi adotada desde os primeiros momentos da crise atual, diante da ausência de testes em massa, na falta de pesados investimentos na fabricação e distribuição de equipamentos de proteção individual e de higiene, na continuidade “normal” da obrigação de que milhões de trabalhadores continuem a trabalhar sem nenhuma proteção efetiva; na inexistência de obras para ampliação e adequação da rede hospitalar e do saneamento básico.

Com se pode conferir nas páginas desse jornal, estamos diante de um genocídio premeditado e continuado, durante o qual a burguesia e seus governos só pensam em tirar proveito, para auferir maiores lucros, assaltando o orçamento público e expropriando os trabalhadores. Já há mais desempregados do que empregados e os salários estão sendo rebaixados, inclusive, por meio de leis votadas no reacionário Congresso Nacional com apoio da maioria da esquerda e até de sindicalistas, que mantém seus sindicatos fechados e paralisados pensando única e exclusivamente na sua própria proteção. Os trabalhadores? Que se virem!

Diante disso, as previsões da Organização das Nações Unidas (ONU) são de que o Brasil termine 2020 com 9,5% da sua população na condição de pobreza extrema, um crescimento de 100% em relação ao ano anterior, o que significaria mais de 20 milhões vivendo com menos de R$12,00 por dia.

Este quadro alimenta uma situação de enorme explosividade social, de acirramento da polarização política, de enfrentamento entre as vítimas desse massacre e os seus algozes.

Ao contrário das necessidades das massas, a posição de amplas parcelas das direções da esquerda, “afagadas” pela imprensa capitalista (como nos casos de Flávio Dino, do PCdoB, e Guilherme Boulos, do PSOL), é a de defensores e articuladores da política de frente ampla, portanto, atuam como bombeiros junto ao movimentos de luta. Fazem o contrário do que seria a tarefa central da esquerda, dos setores classistas e revolucionários, que é impulsionar, organizar e dar coesão à esse necessário enfrentamento, com um programa e uma perspectiva opostas à da direita golpista, em todas as suas variantes.

Bolsonaro e a “oposição” estão unidos na matança. A política de aliança com os inimigos “democráticos” dos trabalhadores busca conter a mobilização pela derrubada do governo Bolsonaro. É preciso derrotar a reacionária política de esperar pelas eleições adotada por setores da esquerda. É somente nas ruas que se pode derrotar o fascismo e todos os golpistas que nesse momento são embelezados pelos setores mais direitistas no meio da esquerda com adjetivos como “democráticos”, “científicos”, “civilizados” e “responsáveis”.

É nas ruas que se pode derrubar Bolsonaro e todos os golpistas, impor eleições gerais, parar o genocídio e conquistar as reivindicações que impeçam milhões de perecer na fome e na miséria. É aí que vamos conquistar a imediata redução da jornada de trabalho, a estabilidade no emprego, readmissão de todos os demitidos desde 1º de março deste ano e um plano de emergência, controlado pelas organizações dos trabalhadores, para combater – de fato – a pandemia.

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