A abstenção popular no julgamento de Temer

Os verde-amarelos fizeram um verdadeiro carnaval fora de época quando o assunto era pedaladas fiscais. Restou mais do que claro que não se tratava de combate a corrupção, mas sim a ódio direcionado a um determinado partido

Os verde-amarelos fizeram um verdadeiro carnaval fora de época quando o assunto era pedaladas fiscais. Restou mais do que claro que não se tratava de combate a corrupção, mas sim a ódio direcionado a um determinado partido
Os verde-amarelos fizeram um verdadeiro carnaval fora de época quando o assunto era pedaladas fiscais. Restou mais do que claro que não se tratava de combate a corrupção, mas sim a ódio direcionado a um determinado partido (Foto: Guilherme Coutinho)
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Não faltavam motivos para o povo ir maciçamente às ruas em todo o país nesse 2 de agosto, em que a Câmara poderia, pela primeira vez na história, afastar um presidente por denúncia de corrupção. A pressão era mais do que necessária: Temer passou as últimas semanas comprando votos de deputados com emendas, em uma imoralidade sem precedentes. Mas enquanto a "Casa do Povo" preparava a pizza, as ruas emanavam um silêncio comprometedor. O povo concedeu um apoio velado a Temer ao ficar em casa. Quem cala consente.

Não existem dúvidas quanto a culpabilidade de Temer. O Presidente foi flagrado em inúmeros casos de corrupção. No mais grave deles, seu homem de confiança, Rocha Loures, foi pego recebendo uma mala com 500 mil reais, dinheiro que seria destinado a Michel Temer como parcela semanal, a título de propina, de um esquema que duraria 20 anos. Caso a Câmara admitisse a denúncia, Temer seria afastado por 180 dias para ser julgado pelo STF. O povo deveria exigir que o caso fosse ao menos apreciado pela Suprema Corte.

Mas o jogo democrático é corrompido no Brasil. Temer já possuía algum apoio na Câmara e comprou mais. Foram bilhões de reais liberados em emendas aos parlamentares, em troca de comprometimento com a impunidade do presidente. Houve até quem tatuasse o nome do presidente no ombro, tamanha a fidelidade com o chefe da quadrilha que comanda o país. O resultado estava mais do que previsto. Apenas o referendo popular surpreendeu.

Os verde-amarelos fizeram um verdadeiro carnaval fora de época quando o assunto era pedaladas fiscais. Restou mais do que claro que não se tratava de combate a corrupção, mas sim a ódio direcionado a um determinado partido. Mas, por outro lado, os manifestantes de esquerda não marcaram presença significativa para exigir um posicionamento correto dos parlamentares. Essa equação ficou realmente difícil de resolver. Nessa bipolarização que se instalou no país não se salvou ninguém. A corrupção agradece.

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