A árvore de Israel

Bibi dá indícios de quem gostaria de uma terceira eleição, afinal, ficou apenas seis votos distante de formar um governo. Poucos aqui acreditam que irá funcionar

Brasil, Israel e os anões morais
Brasil, Israel e os anões morais (Foto: POOL)

As eleições em Israel feriram Bibi de morte, mas não está morto quem peleia. Ele continua jogando todas as cartas de que dispõe, se agarrando a todas as possibilidades e fazendo jogadas de mestre. Bibi continua sendo Bibi.

Enquanto a maioria dos políticos tentava descansar depois de uma noite intensa com a contagem dos votos, o primeiro ministro já dava a entender que acusava o golpe das urnas. Seu partido e seus aliados não tinham maioria, e sem maioria, não teriam como formar um governo.

Bibi começou a fazer seus movimentos. Convocou a liderança de todos os partidos que compõe sua coalizão e fez com que assinassem um documento onde se comprometem a estarem juntos em qualquer negociação de um futuro governo. Esta suposta unidade tinha um endereço, o presidente Livlin a quem cabe indicar a líder do partido que irá tentar formar o próximo governo.

Conhecedor da lei, Bibi sabe que aquele que tiver o maior número de indicações de parte de todos os partidos que foram eleitos para formar o parlamento, é quem recebe o mandato do presidente. Sua coalizão tem hoje 55 votos. Ele acredita que nem os partidos árabes e nem Liberman vão indicar o Azul e Branco de Gantz. Com isso ele teria apenas 44 votos.

Mesmo assim, não foi dormir. Gravou um vídeo para sua página no Facebook convocando Gantz para um encontro neste mesmo dia a fim de formarem um governo de unidade nacional. Mais tarde, em uma cerimônia pela passagem de Shimon Perez três anos atrás, ele repetiu a mensagem na presença de Livlin e de Gantz.

Quem acha que ele fez este gesto para agradar o Azul e Branco, não conhece Bibi. O recado era na verdade para Liberman. É que o líder do partido Israel é a Nossa Casa, vem repetindo que seu partido indicará para primeiro ministro aquele que se dispuser a formar um governo de unidade nacional. Bingo! Com os votos de Liberman, Bibi chegaria a 63 mandatos e formaria o próximo governo.

Acontece que os truques de Bibi já são velhos conhecidos e não funcionam mais como antes. O documento assinado pelos partidos não serve para nada, sua validade é apenas simbólica. Seu chamado para um governo de unidade nacional teria ele como primeiro ministro e incluiria seus parceiros religiosos, o que Liberman não aceita. Em resumo, ele jogou confete pra torcida.

Neste momento todos os partidos estão em cima da árvore. Quem vai descer, quem vai trair seus princípios primeiro é o que todos estão aguardando para saber. E os partidos religiosos já dão sinais disso. Como no Iran dos Aiatolás, quem manda nestes partidos são os conselhos rabínicos. Seus parlamentares obedecem aos conselhos e já estão pedindo autorização para sentarem com Yair Lapid, uma das lideranças do Azul e Branco odiada por eles.

Yair Lapid é um liberal, jornalista, ator e escritor. Líder do partido Existe Futuro, ele combate os partidos religiosos e os enfrenta para que Israel seja um estado laico. Como parte de um dos quatro partidos que compõe o Azul e Branco, é ele quem faz as declarações mais contundentes por um governo que não inclua os religiosos. Entende-se porque a recíproca é verdadeira.

Neste momento, não existe governo possível. Nenhuma composição é possível se levarmos em conta os princípios e declarações de cada partido. No Likud não aceitam afastar Bibi, nem mesmo diante do provável indiciamento pelo recebimento de vantagens indevidas e “presentes” com valores além do permitido e aceitável para quem ocupa o cargo. Ele mesmo não aceita outro primeiro ministro que não seja ele mesmo. No Azul e Branco, não aceitam sentar em um governo com Bibi, e tampouco com os religiosos. Gostariam sim de formar uma coalizão com o Likud, sem Bibi e seus parceiros, sob a liderança de Gantz.

Poucos desejam uma terceira eleição, mas muitos estão pagando para ver. Os religiosos parecem que serão os primeiros a fazerem um movimento conciliatório. Se vão encontrar parceiro, é outra questão.

Bibi dá indícios de quem gostaria de uma terceira eleição, afinal, ficou apenas seis votos distante de formar um governo. Ele acredita que o povo vai entender que somente um governo de direita com a sua liderança é capaz de manter Israel a salvo de seus inimigos (reais e imaginários) e com uma economia estável. Vai culpar novamente o Liberman por sua intransigência e Gantz por não aceitar um governo de coalizão nacional.

Poucos aqui acreditam que irá funcionar. A direita já bateu no teto no número de simpatizantes e a tendência em caso de uma terceira rodada eleitoral, é de que aumente o número de votos para o centro em detrimento do próprio Likud e dos partidos de direita. Ninguém gostaria de chegar neste ponto, mas olhando para a árvore, todos ainda estão lá em cima.

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