A árvore dourada da vida

Um homem público que esteve, por quatro anos, no topo da cadeia alimentar do ministério público não tem o direito de declarar qualquer intenção homicida contra um ministro do Supremo

Gilmar Mendes e Rodrigo Janot
Gilmar Mendes e Rodrigo Janot (Foto: Lula Marques)
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Cheguei no meu limite, fui armado e minha ideia era dar um tiro na cara dele e depois me suicidar. Com estas palavras o ex PGR Rodrigo Janot – aquele que disse, outro dia, sobre os diálogos da cúpula da operação lava jato desnudados pelo The Intercept: São incomuns, mas não geram a suspeição do então julgador –  se referiu a Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes.O tempo solapa os costumes, diria o poeta. Em tempo de má poesia e de merda, o que esperar de alguém que afirma não haver suspeição nas inúmeras tratativas de aconselhamento tiradas entre o juiz da causa e a parte que acusa? Que faça uso do revólver e não do livro...

Janot esteve a testa da PGR por quatro longos anos. Foi conduzido e reconduzido pelo governo de Dilma Rousseff, contra quem nunca cansou de desgostar. 

Aqui, um ligeiro aparte: Como fomos pueris, tolos e republicanos – seja lá o que isso signifique, mas nos parece quase imbecilizante um governo de esquerda obedecer ao comando de uma lista qualquer, entregue por uma serventia de direita...

Mas não é da lista tríplice (aliás, com este nome só vacina se recomenda) que pensamos falar, e sim da fala homicida/suicida do ex PGR.

Um homem público que esteve, por quatro anos, no topo da cadeia alimentar do ministério público não tem o direito de declarar qualquer intenção homicida contra um ministro do Supremo – ou a desfavor do pipoqueiro do estádio Mané Garrincha, da bailarina do cabaré das Antas, em Pompéia, do coveiro do Paço do Descanso Eterno, em Fernandópolis, e assim por diante.

Palavras compõem o ideário de nossa responsabilidade desde que aquele livro antigo vaticinou que delas se fez a carne. Deste instante em diante o logos compositivo da verbalização da palavra na carne já impunha um cuidado maior com o que se fala, de quem se fala, como se fala – sem que isso demande qualquer gestão de fé, mas sim um grande cuidado com a vida e sua essência – afinal, sempre olhamos com algum resguardo para os gestores da fé alheia, sem qualquer assombro, notadamente após Francisco...Bergoglio nos redime em Francisco, dia após dia, sonhando com uma igreja pobre, enquanto nossa fé vadia sugere algo de podre em terras brasilis quando um ex PGR fala a uma revista reconhecidamente editorializada pela direita, ter estado armado para matar alguém que lhe seria desafeto cultural...

Ideias não se combatem à bala. Ideias se debatem. Mas para este debate você só está convidado se tiver ideias... Janot não tinha nenhuma ideia. Por isso levou o revólver. Como também não tinha muita coragem, este ficou na cinta.

Triste o país onde o sistema legal compõe um ideário falso, no qual agentes de estado chegam ao ponto de substituir ideias por um revolver – isso para não falar nada sobre os vários carros circulando com aquele colante de apoio a operação lava jato, como que acreditando no verbo raso da falta de fé exarada na busca dos que tomaram o estado de direito à força, pela falta de vontade dos que andavam com os livros...

Erramos. Seguiremos em erro? Os irmãos argentinos já acordaram. Rezai por nós Bergoglio. Intercedei, tanto quanto, Francisco! Guardeis a arma, Rodrigo; pegueis o livro. Rápido, ainda há tempo...

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