A bala de prata

Jair Bolsonaro está tão confiante na vitória, que disse que somente uma “bala de prata” poderia interromper sua caminhada à presidência da República. Quem rasga a Constituição, obviamente não se constrangerá em queimar a carta-compromisso no dia da posse

A bala de prata
A bala de prata (Foto: Valter Campanato - ABR)

Jair Bolsonaro está tão confiante na vitória, que disse que somente uma "bala de prata" poderia interromper sua caminhada à presidência da República. Desde então, como amante dos velhos filmes de terror da Hammer, parti em busca desse precioso objeto, capaz de abater até lobisomens. Descobri, no entanto, que o melhor método para fulminar esses seres das trevas é a exposição à luz. E a cortina que precisa ser aberta para iluminar o Brasil e protege-lo da instauração de um regime fascista, chama-se CARTA-COMPROMISSO.

O povo brasileiro precisa cobrar do Bolsonaro uma assinatura em um documento que ele não terá condição de subscrever. Todo seu discurso de ódio contra a Constituição, os direitos humanos, as minorias, os trabalhadores, os agricultores sem-terra, os homossexuais, os negros, os povos indígenas, as mulheres, os educadores e as lideranças progressistas, colocam em risco o destino da sociedade brasileira. É preciso, portanto, que ambos os candidatos firmem um compromisso por escrito, antes do resultado das urnas, em defesa da democracia e da vida humana, promovendo ações que reduzam as desigualdades através de políticas de paz e não a de extermínio, como reiteradamente manifesta Bolsonaro.

Bolsonaro e seus descendentes rasgam a Constituição quase que diariamente, como a proposta de empastelamento do Supremo Tribunal Federal. Uma ofensa tão grave, que não se resolve minimizando a ameaça como "um ato de moleque boboca", provocado por uma pergunta intempestiva. Temos até domingo para proteger nossa Carta Magna e todas as suas cláusulas pétreas, como a que assegura o direito do trabalhador receber seu 13º salário. Sabemos que esse bando que se aproxima do Planalto não tem compromisso nenhum com os valores democráticos, manifestado em dezenas de vídeos disponíveis nas redes sociais.

Como vamos entregar o país a um tirano que constrói seu projeto de poder à margem do diálogo com a sociedade? As entidades civis, com destaque para a OAB e a CNBB, precisam elaborar urgentemente essa carta-compromisso e cobrar a assinatura de Haddad e Bolsonaro. Um texto conciso, mas que inclua todos os tópicos importantes para garantir a democracia no Brasil. Não firmar esse compromisso representará a negação tácita dos valores morais que a sociedade ocidental defende, seja ela capitalista ou socialista.

Sem essa carta-compromisso, o voto dado a Jair Bolsonaro também lhe dará poderes para decidir quem vive e quem morre, quem pode ou não pode votar, quem tem ou não direito à educação, Quem se aposenta com benefícios privilegiados ou quem vai morrer trabalhando.

Quem rasga a Constituição, obviamente não se constrangerá em queimar essa carta-compromisso no dia da posse. Mas ele tem de assinar até um dia antes das eleições, sob pena de fazer cair sua máscara. Menos mal para os seus eleitores, que não poderão dizer que foram enganados.

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