A cada minuto Mourão fica mais necessário ao País

(Foto: ABr)
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Já vivemos NUMA DITADURA!  

O povo pobre e a classe média (os trabalhadores que constroem o Brasil), NÃO SABEM, mas todos os dias são arrancados dezenas de direitos e garantias deles. Já não existem tantas oportunidades intergeracionais [1]. E todos os dias os pais do Brasil, ou perdem seus empregos, ou mendigam algumas moedas na informalidade.  

Quanto aos idosos: foram mandados para o “campo de concentração” articulado por Bolsonaro (que resolveu não combater o coronavírus de verdade, o que tende para matar milhares de aposentados desse País – rezemos para que este plano do mal dê errado).

Tenho uma má notícia: a situação tende a piorar muito – após a saída de Sérgio Moro do expresso-milícia que estacionou no Palácio do Planalto. Mas não é porque Moro seja a salvação do Governo e, portanto, útil ao País. É exatamente o contrário! Moro saiu num minuto e no minuto seguinte foi lançado (pela Rede Globo, pelos magnatas do Mercado, pelas castas e elites do Brasil) CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.

Sei, sei! Ainda está bem longe a campanha. Somente em 2022. Eu também sei que ele, Moro, sofrerá para se manter na visibilidade tão necessária a qualquer candidato. A Grande Imprensa terá de fabricar fatos (Opinião Publicada) toda semana para dar uma canjinha de entrevista a Moro e mantê-lo forte junto ao povo (Opinião Pública). Essa é minha primeira esperança: o fracasso do outsider. Porém, a recente História do Brasil nos ensinou que, na política, canja de galinha e cautela não fazem mal a ninguém. Bolsonaro foi eleito contra todas as previsões da ciência política, e teses dos racionais ou caducos da política. Não havia lógica num déspota despreparado, arrogante, fascista, ignóbil ser Presidente da República. E o é.  

Claro! A verdade é que também foi forjada a nova “democracia” e Bolsonaro não venceu POR MEIO NATURAIS da política. A facada (ainda não comprovada de todo). A prisão fabricada do líder das pesquisas presidenciais: Lula. A nova força das fake news. A fuga do presidenciável laranja dos debates. A Lava Jato como criadora de um falso imaginário quanto ao real. Sem estes 5 elementos cruciais, JAMAIS, JAMAIS Bolsonaro seria Presidente da República. (Mas quem garante que outros 5 elementos fabricados não serão a força da campanha eleitoral de 2022?)

Moro é tudo de pior que representa este País. Pior (puxa, difícil dizer isso) que Bolsonaro. É hipócrita! É elitista! É a própria ressurreição dos colonizadores dos primeiros séculos no Brasil, com um agravante: é “assessor para assuntos do Brasil”[2] do United States Department of State (Ou Departamento de Estado dos EUA). Um traidor que serve àquele outro país antes de servir ao nosso e está pronto para continuar atuando em prol da Shell, das maiores petroleiras do mundo, dos grandes bancos internacionais. E para isso, Moro, discreto, com aquela carinha de “hamster” molhado, cativando o povão ingênuo, enfiará o punhal nas costas das pessoas – sem que o povo sinta que está morrendo.

Parte II – O Plano “Mourão”

Bom! Fizemos toda esta introdução para chegar ao objetivo deste texto: Mourão!  

Bolsonaro já caiu. Falta apenas jogar as pás de terra em cima da sua Presidência. Apressemos, portanto, o Impeachment – para dar algum fôlego ao País. Mourão não é útil apenas para que o Brasil tenha comando sobre a COVID-19 (estamos à deriva em meio ao mar tempestuoso do coronavírus). O Mourão passa a ser também a peça chave, talvez a única para nos permitir disputar a DEMOCRACIA, de “igual para igual”.

Nossa! Como assim? Um militar presidindo o Brasil seria a esperança do Estado Democrático de Direito? Afirmo que sim!

Após Mourão assumir a Presidência, só existirão dois caminhos: ou i) ele saca que o Brasil não pode mais – não combina – voltar a ter uma Ditadura Militar e respeita o pleito democrático de 2022; ou ii) ele saca as armas e impõe uma nova era de trevas ao País. De toda forma, os campos progressistas terão, de fato, um cenário para disputar na honestidade histórica pela ambiência democrática, seu regresso.

Então! Nesse primeiro cenário com Mourão, Moro teria um adversário à altura. Mourão, tomando a caneta “bic” do Bolsonaro e parte de seu capital político, ganharia parcela significativa dos parlamentares (e os tiraria do colo de Moro). O pragmatismo de Mourão, aliado à fisiologia e à corrupção – a  droga injetável no vício – de metade de nosso Congresso Nacional, desidrataria significativamente o apoio ao ex-juiz da “republiqueta de Curitiba” junto a prefeitos e vereadores e outras lideranças País afora. Isso gera um efeito castata.

Dória voltaria a sonhar com sua candidatura à Presidência, pois certamente veria que enfrentar Mourão é menos suicídio que enfrentar Moro.  

O Governador do Rio, Witzel, negociaria com o “mais forte” para desistir de sua candidatura e tentar garantir reeleição ao Palácio das Laranjeiras. Todavia, até lá continuaria seu balão de ensaio à Presidência (para valorizar o passe na hora do leilão).

Luciano Huck retornaria à Família Marinho, no esforço de disputar os horários nobres da Rede Globo com Sérgio Moro.

Com alguma eficácia numa possível candidatura à reeleição de Hamilton Mourão, o ex-presidenciável João Amoedo (Riachuelo), Jorge Lemann (AMBEV), Roberto Setubal (Itaú-Unibanco), Octavio de Lazari Jr. (Bradesco), o “Loro José”, aquele caricato Luciano Hang (Havan), enfim, os grandes bilionários do Brasil, teriam “muitos candidatos” para apoiar, fazendo elevar a temperatura e pressão neste campo da Direita e da Extrema Direita.

Parte III – A decisão da Esquerda  

Feita esta abordagem, precisamos concluir com algum encaminhamento útil neste horizonte tão desgraçado ao Brasil (aliás, cenário que parece nos devolver ao período da Colônia Portuguesa, de tão tenebroso que se apresenta). E apresento a seguinte assertiva: o campo progressista (erroneamente chamado de Esquerda) somente possui dois caminhos...

Primeiro: precisa lutar com todas as forças pelo Impeachment de Bolsonaro, deixar que Mourão “se enxergue” Presidente com chances de reeleição para que eles “se matem” no campo deles; que ele dispute as agendas neoliberais e conservadoras com Sérgio Moro e João Doria – ou outros. Precisamos estimular a metapolarização [3] da Direita, isto é, eles disputando com todo o capital (político e econômico) que possuem, rachando o eleitorado.

Segundo: precisa, urgentemente unir o campo progressista (Ciro + Lula + Dino + n... = vitória). Não dá para brincar mais de disputar narrativas, narrativas alternativas, narrativas marginais, narrativas cruzadas. Existe apenas NARRATIVAS para os progressistas, que devem apresentar de forma uníssona 1) um Plano de Governo (uma agenda séria para o País, inovada mesmo quanto aos governos do PT – que tiveram várias pautas saturadas), pensado a partir de demandas represadas na sociedade; 2) um Plano de Comunicação com as pessoas, sobretudo, com os segmentos que passaram a odiar o “jeito de governar e ser” dos partidos de Esquerda, superando a força motriz das fake news, capazes de consolidar a pós-verdade e estabelecer um imaginário cruel, disfarçado de bom no meio popular; e 3) um Plano de Oposição estratégico e tático para enfrentar o novo Presidente do Brasil e sua agenda no polo negativo aos trabalhadores e aos pequenos empresários e aos pequenos produtores, e no polo positivo aos grandes empresários e às castas seculares do País, além da Ditadura do Mercado já estabelecida em Bolsonaro, com a liderança de Rodrigo Maia no Congresso Nacional.

Ou é isso, ou o País receberá outra Facada Histórica com a eleição de Sérgio Moro, Presidente do Brasil.

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[1] ... Oportunidades intergeracionais, isto é, vagas em universidades, cursos de medicina e outros que somente as elites têm direito, intercâmbio internacional para pesquisa e profissionalização de nossos estudantes, capacidades de empreender, bons empregos e tudo mais para os filhos e netos desse País, no futuro breve.

[2] Evidente que essa “assessoria” não existe, não de forma convencional. É uma maneira de dizer que Sérgio Moro serve – e não disfarça – aos interesses estadunidenses.

[3] Refiro-me à polarização dentro da polarização (duas forças de mesmo valor, imantadas, a Direita e sua derivação, a Ultra Direita).

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