A campanha eleitoral e a defesa de uma Petrobrás para os brasileiros

"Um efetivo projeto de transformação do Brasil demanda a defesa do controle estatal da renda da exploração e produção do petróleo", escreve Milton Alves

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Petrobrás (Foto: Reuters)


Por Milton Alves

Uma questão promete esquentar mais ainda a pauta da disputa eleitoral em curso no país, obrigando uma definição dos candidatos à presidência da República. Trata-se do futuro da Petrobras e sobre o lugar da empresa estatal no projeto de reconstrução econômica do país. Um debate que também é polarizado, como quase todo tema de interesse público nos últimos anos.

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (1) pelo PoderData revela que 54% dos entrevistados são contra a privatização da empresa, 30% são favoráveis e 16% não sabem ou não opinaram. O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 29 de março e ouviu 3 mil pessoas em todos os 27 estados da federação.

Apesar da criminosa e permanente campanha do governo Bolsonaro e da mídia empresarial pela privatização integral da Petrobras, a pesquisa revela que cresce entre os brasileiros uma opinião contra a política sistemática de desmonte e venda fatiada da estatal, uma política antinacional e intensificada após o golpe contra o mandato da presidente Dilma Rousseff — e que foi um alvo prioritário da Operação Lava Jato.

A sanha privatista do governo Bolsonaro provocou, de imediato, uma elevação constante nos preços dos derivados de petróleo de amplo consumo popular – gasolina, gás de cozinha, óleo diesel -, impactando no bolso e nas condições de vida da classe média e dos trabalhadores.

A adoção pela Petrobras do mecanismo do Preço de Paridade de Importação (PPI), instituído pelo golpista Temer e aplicado por Bolsonaro, dolarizou os preços domésticos dos combustíveis, o que teve o efeito nefasto de elevar o patamar do atual ciclo inflacionário.

Bolsonaro quer a privatização total da Petrobras

A resposta do governo Bolsonaro para a crise nos preços dos combustíveis é a promessa de intensificar o processo de privatização total da Petrobras. Neste sentido, a indicação do lobista Adriano Pires no lugar do general entreguista Joaquim Silva e Lula aponta para uma radicalização da política privatizante.

Adriano Pires, o especialista em petróleo de estimação da Rede Globo, defende abertamente a venda das refinarias da estatal, a maior abertura para exploração de novas áreas e blocos do pré-sal e até adoção do fracking (método de extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo, chamado também de fraturamento hidráulico) para aumentar a produção de gás natural liquefeito.

A entrega do comando da Petrobras para Adriano Pires significa a continuidade da transferência da renda petroleira para um reduzido grupo de acionistas nacionais e estrangeiros. Enquanto isso, o povo brasileiro vai continuar pagando mais de R$ 130 reais pelo botijão de gás, R$ 8 reais pela gasolina, mais de R$ 7 reais pelo litro do diesel e cerca de R$ 5 reais pelo Etanol.

O governo do presidente Jair Bolsonaro tenta fugir da responsabilidade da elevação dos preços dos combustíveis, ora procurando bodes expiatórios de ocasião, como foi o caso da demissão de Luna e Silva, ora jogando a culpa na guerra de Putin contra a Ucrânia. No entanto, o debate sobre o preço dos combustíveis — e além disso do papel estratégico da Petrobras — tende a ganhar muito espaço no processo da disputa eleitoral, demarcando posições e definindo os campos políticos.

Lula quer “abrasileirar” o preço dos combustíveis

O ex-presidente Lula, favorito nas intenções de votos em todas as pesquisas eleitorais, tem defendido o fim da política de dolarização dos preços dos combustíveis, o que tem servido, segundo o petista, para “beneficiar especuladores e acionistas internacionais”.

“Não tem sentido o preço da gasolina ser internacional. O preço vai ser brasileiro, porque os investimentos são feitos em real. Enquanto a gente enriquece os acionistas, a gente empobrece a sociedade brasileira, isso é uma coisa descabida. Não existe nenhuma razão para que a gente tenha o preço da gasolina, do óleo diesel, o preço do gás dolarizados. Acontece que quando se destruiu a BR, em nome do desenvolvimento, de repartir em várias empresas, o que aconteceu? Destruiu-se a BR e hoje temos 392 empresas importando gasolina dos Estados Unidos, importando gasolina a preço de dólar quando a nossa gasolina é produzida em reais. É importante que o preço da gasolina seja em função da nossa moeda, em função do nosso custo real”, afirmou Lula.

O ex-senador Roberto Requião (PT-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, tem alertado para a necessidade da defesa de uma Petrobras a serviço dos interesses nacionais e para impulsionar um projeto de desenvolvimento do país. Segundo Requião, “a privatização da Petrobras é a recolonização do Brasil”.

Um efetivo projeto de reconstrução e transformação do Brasil demanda a defesa do controle estatal da renda da exploração e produção do petróleo — e que se converta numa alavanca para enfrentar as imensas disparidades sociais do Brasil.

Portanto, a campanha eleitoral de Lula precisa combater duramente as propostas privatistas da extrema direita bolsonarista e dos esquálidos candidatos da 3ª via neoliberal, que defendem em bloco a privatização total da Petrobras.

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