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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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A China é o sonho de Portinari realizado

O sonho de um mundo de um justo e igualitário, retratado pelo grande artista brasileiro, encontra sua expressão política na China

João Candido Portinari discursa no Museu Nacional da China (Foto: Brasil 247)
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A exposição O Brasil de Portinari, inaugurada no Museu Nacional da China, em Pequim, possui um significado que vai além da arte. Ela simboliza o encontro entre a obra de um dos maiores pintores brasileiros e uma experiência histórica concreta de desenvolvimento, superação da pobreza e valorização do povo.

João Candido Portinari, filho do artista, sintetizou esse encontro em uma frase precisa: “o desenvolvimento da China é aquilo que meu pai sonhou para o Brasil”.

Portinari foi o pintor dos trabalhadores, dos retirantes, dos lavradores, dos migrantes e das crianças pobres. Sua obra deu centralidade estética e moral aos que sempre estiveram à margem do poder. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, ele via a arte como instrumento de consciência social e como expressão de um compromisso profundo com a dignidade humana.

Esse é o ponto de contato com a China contemporânea. Nas últimas décadas, o país realizou a maior experiência de redução da pobreza da história, transformando desenvolvimento em política de Estado e colocando a melhoria das condições de vida da população no centro de seu projeto nacional.

Portinari não pintava a pobreza para romantizá-la. Pintava-a para denunciá-la e superá-la. Suas telas expressam dor, mas também esperança. Seus personagens carregam sofrimento, mas jamais perdem grandeza.

Por isso, se fosse necessário definir a obra de Portinari em uma única palavra, a melhor seria compaixão, como me disse seu filho João Cândido Portinari, num jantar após a exposição.

Não a compaixão como piedade, mas como reconhecimento da humanidade do outro. Compaixão como fundamento de uma sociedade justa. Compaixão como força política, social e espiritual. Compaixão como socialismo em sua dimensão mais humana.

O diretor do Museu Nacional da China, Luo Wenli, compreendeu esse núcleo moral ao afirmar que, nas obras de Portinari, “os trabalhadores” são “a espinha dorsal” e que seus quadros expressam preocupação com “a vida e o bem-estar do povo”.

Essa leitura é essencial. A grandeza de Portinari não está apenas na técnica, mas em sua fé na humanidade, na dignidade do trabalhador e na possibilidade de um mundo menos desigual.

A China não é o Brasil, e cada país tem sua história. Mas a experiência chinesa demonstra que o desenvolvimento pode ser orientado por um projeto coletivo, nacional e popular. É isso que aproxima Pequim de Brodowski.

Ao levar Portinari ao público chinês, a exposição mostra que a arte verdadeiramente nacional pode se tornar universal. E mostra também que os sonhos sociais presentes na obra do pintor brasileiro seguem vivos.

Em Pequim, Portinari não é apenas celebrado como artista. Ele é reencontrado como visionário de um Brasil possível: soberano, justo, solidário e capaz de colocar seu povo no centro da história.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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