A conclusão da conclusão de Luís Nassif

A política de alianças segue uma necessidade. A com a esquerda sempre existiu e até se fortaleceu após o Impeachment, inclusive englobando de maneira mais orgânica os movimentos sociais democráticos. O dilema segue sendo a construção de maiorias parlamentares e eleitorais, já que neste sufrágio Lula disputa uma prévia jurídico-política.

Grande ato de encerramento da caravana Lula Pelo Brasil no Espírito Santo e Rio de Janeiro na UERJ. 
Grande ato de encerramento da caravana Lula Pelo Brasil no Espírito Santo e Rio de Janeiro na UERJ.  (Foto: Leopoldo Vieira)

O grande jornalista (e enxadrista) Luis Nassif, na postagem A confirmação da estratégia prevista no xadrez de Lula, em seu Jornal GGN, comemorou duas conclusões suas que bateram, segundo ele, com avaliações de Marcos Coimbra, comandante-em-chefe do Vox Populi.

São elas:

A) "Conclusão 1 - Se Lula tem 43% das preferências e o PT tem 17% de simpatia, significa que 60% do eleitorado potencial de Lula é composto por não-petistas. Logo, o discurso de campanha terá que focar prioritariamente esse contingente.";

B) "Conclusão 2 - Se 80% dos 17% De simpatizantes votarem em deputados do PT, a bancada poderá ficar entre 55 e 60 deputados. Poderá ser a maior bancada, pela primeira vez, mas ainda assim sem condições de assegurar, sozinha, a governabilidade. Daí a necessidade primordial de uma nova política de alianças.".

Em minha modesta opinião, as conclusões precisam de conclusões, afinal o que, exatamente, quer dizer a interpretação de que o discurso de campanha terá que focar prioritariamente o eleitorado mais amplo que o PT?

Do mesmo modo, o que significa, decorrente disso (o voto petista não garantir maioria no Congresso), a necessidade primordial de uma nova política de alianças?

Na realidade, não se tratam de novidades.

No primeiro caso, Lula é mais amplo que o seu partido há pelo menos umas seis eleições só presidenciais. Isso se for tomado como verdade o argumento de que, em 1989, havia um voto programático petista que gerava o "teto" do então ex-presidente do sindicato dos metalúrgicos.

Este público é aquele que, em 2002, podia até não saber, mas, no fundo, era um pouco PT, na esperança de ter oportunidades diante de um Brasil da fome e da miséria. Quando Lula disse que, junto com um grande empresário, seria dedicado a assegurar as três refeições a todos os brasileiros e não acertar as contas da relação histórica do socialismo com o capitalismo, ele levou.

Em seguida, estes brasileiros conquistaram empregos, bom salário, luz, geladeira, fogão, carro, passagem aérea, vagas no ensino técnico e superior, e orgulho de um país que o mundo aplaudia por seus êxitos sociais e econômicos.

Apostaram na palavra de Lula, cheio de moral, e bancaram a Mãe do PAC para gerenciar o país. Veio a decepção com a crise generalizada, porém pior foi com o vice que a golpeou.

Veio aquela saudade e, mundo dá voltas, esperança na volta do velhinho. Saudade daquele tempo bacana que contrasta com desemprego, forno a lenha, gás a 100 reais, gasolina aumentando a cada mês, universidades fechando, demissões em massa para a adaptação a novas legislações com menos garantias, e a ameaça de trabalhar mais e receber menos.

De fato, é preciso falar a um eleitorado mais amplo do que o PT, que tem feito um esforço para reorganizar as pautas de esquerda, o que, entanto, não são tão amplas quanto a saudade do ex.

No segundo caso, o Congresso segue o mesmo mais conservador da história depois de 1964 (segundo o Diap). A novidade, de um lado, é correto, é a recuperação e crescimento do prestígio de Lula após a deposição de Dilma Rousseff. Contudo, de outro, é a ascensão do populismo radical de direita do extremista Jair Bolsonaro. Logo, imagina-se que tanto a tendência é de um parlamento mais difícil como as forças políticas do tabuleiro são as mesmas, só que numa conjuntura bem mais adversa em seu miolo do que 2006, 2010, 2014.

Portanto, a política de alianças segue uma necessidade. A com a esquerda sempre existiu e até se fortaleceu após o Impeachment, inclusive englobando de maneira mais orgânica os movimentos sociais democráticos. O dilema segue sendo a construção de maiorias parlamentares e eleitorais, já que neste sufrágio Lula disputa uma prévia jurídico-política.

Se com a esquerda sempre houve aliança, valendo recordar até de tempos anteriores, como as frentes de primeiro ou segundo turnos de 1989 a 1998, a nova política de alianças só pode ser a situação o estado da arte da capacidade de arrastar apoios daqui até outubro/novembro de 2018.

Apoios de quem? Oras, de todos aqueles que sentem saudades e depositam esperanças na volta de Lula.

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