A contribuição do senador José Serra para a mediocridade e o cinismo

O senador José Serra hoje se move na direção e a favor dos mesmos que criticou em 1964, abandonando os que lhe serviram de apoio e lutaram contra o golpe, muitos entregando as próprias vidas. Quando Serra foi desonesto e mentiroso? Em 1964, quando denunciou o fascismo ou agora que os defende?

Prezado Nonato Silva

Agradeço-lhe comovido por suas palavras de incentivo e de entusiasmo em forma de comentário à “carta aberta ao ministro Gilmar Mendes”, o fazedor de injustiças.

Precisamos avançar em todas as frentes no sentido de construirmos uma sociedade mais justa onde pessoas como Gilmar Mendes não sejam a medida de conduta social. A luta de ideias é essencial e o debate agudo e sério precisa se dar. Claro, sempre com respeito por mais duros que sejamos em nosso discurso. O que importa não é atacar pessoas, mas desconstruir modelos dominantes injustos.

Ontem, domingo, 29 de novembro de 2015, me deparei com mais um anacronismo de gente do mesmo paradigma de Gilmar Mendes, até porque do mesmo partido e espectro ideológico.

Eu não me surpreendo com coisas ditas e feitas por pessoas como o senador José Serra. É evidente que quem adota as ideias perversas, atrasadas e elitistas como as dele só pode discursar o que ele reverbera irresponsavelmente.

Deparei-me com um parágrafo digitado por Serra (que Paulo Henrique Amorim Chama de Cerra, talvez porque a palavra “cerra” não significa nada) na sua página no Facebook em que ele, de forma rasa, oportunista e de má fé liga o Prefeito Fernando Haddad à Presidenta Dilma chamando-os de despreparados a partir de um movimento pessoal dele, José Serra, numa espetáculo de superficialidade e de inconsequência.

Foi bom o site do jornalista Paulo Nogueira, denominado “Diário do Centro do Mundo”, repercutido pelo site Brasil 247, flagrar o parágrafo, ao mesmo tempo pleno de mediocridade e radiografia do que é esse senador por São Paulo e o que ele representa e sua mente sem capilaridade neuronal.

O senador alegou que foi visitar um amigo (não esqueçamos do tipo de amizade que funciona na casa grande, como defini na “carta aberta ao ministro Gilmar Mendes”) e levou trinta minutos para ir e quarenta para retonar, graças ao engarrafamento nas ruas paralelas à Avenida Paulista, fechada aos domingos para permitir que a população se divirta, passeie, brinque e as pessoas se encontrem, coisa que sempre acontece em dias ensolarados.

Eis o post parvo do senador da casa grande: “Infelizes são os paulistanos! Dilma na presidência e Haddad na prefeitura. Vocês sabiam que os níveis de despreparo para governar de ambos se equivalem? Somos infelizes ao quadrado!”

Primeiro ponto a observar é que José Serra faz uma “análise” “crítica” em torno do seu interesse pessoal do engarrafamento em que se meteu, certamente com motorista dirigindo um carro do Senado, com quem ele não fala nem sequer sabe seu nome. Aí, com seu umbigo como centro do mundo, acusa o Prefeito de São Paulo de despreparo, ao não fazer toda a máquina girar para ele, sem a devida honestidade de reconhecer que uma cidade como a capital dos paulistas engarrafa normalmente com chuva, usando a Av. Paulista ou não.

O senador quer a Av. Paulista, dos bancos, dos escritórios das grandes empresas nacionais e internacionais, somente para ele, livre, sem essa gente de povo passeando a pé e se encontrando para celebrar a humanização urbana.

O senador das privatizações queria São Paulo toda girando em torno de sua visita “a um amigo”.

Da mesma forma, domo se o seu egoísmo e mediocridade não bastassem, o ex-governador daquele Estado e ex-prefeito que renunciou ao cargo antes de completar o mandato, ainda queria que o Brasil inteiro girasse em torno dele. Por causa do engarrafamento, que lhe tirou setenta “preciosos” minutos de um homem de ego inflado, considerou a Presidenta do Brasil despreparada.

Num só parágrafo mostra o egotismo do representante parlamentar da elite dominante, que se avalia como dona do mundo.

Como sou sacerdote e capacitado para suportar os piores pecados do mundo às vezes me dou ao trabalho de assistir os discursos dos senadores pela TV Senado. Quando José Serra sobe à tribuna ou aparteia colegas são os momentos em que minha vocação sacerdotal mais grita por paciência e tolerância.

O referido senador é um ególatra e pura arrogância. O mundo, para ele, deve se mover aos seus pés e ao seu serviço. Essa minha leitura é corroborada por colegas seus, até tucanos, que o descrevem como pessoa fria, que não dá importância para quem ele julga inferior.

Além dessa empáfia que insufla sua carência de conteúdo ético, José Serra, ao estilo de seu partidário Gilmar Mendes, não tem nenhum compromisso com a honestidade intelectual, conduta típica da direita e do lacerdismo, que mente qualquer coisa para granjear interesses.

O que escreveu sobre Haddad é de uma falta de fundamento a toda prova. Faz questão de esquecer que a maioria dos paulistanos aprova a abertura da Av. Paulista para o ciclismo e para o congraçamento das pessoas e das famílias.

Mais, o senhor Serra queria que não houvesse chuva, já que povo, pessoas aglomeradas incomodam gente como ele, a chuva para abastecer a cidade e o Estado que ele ajudou a secar. Temporais em grande intensidade de chuva inundou a cidade, mas Serra nem isso percebeu.

Alheio à realidade social, o ex-prefeito renunciador se quer soube que muito do movimento de carros, que o irritaram tanto por “perder” setenta minutos nas ruas, foi causado por milhares de jovens estavam prestando vestibular da Fuvest, o mais concorrido do país.

Quanto ao oportunismo do comentário sobre o despreparo da Presidenta Dilma, mais uma vez a desonestidade ética e intelectual do senador dos ricos é impressionante.

Serra não sabe nada sobre os problemas da Presidenta Dilma ou, como diz nosso povo, se faz de salame ou se finge de morto para ganhar sapatos novos. Acusa a Presidenta de despreparo sem aludir que preparo para ele é privatizar, entregar as estatais e engordar o mercado, dando-lhe rédeas para passar por cima de um estado mínimo, fraco e desmaterializado, como ajudou o governo entreguista de FHC a fazê-lo.

Preparo para Serra é silenciar em face do estrago que o governador de seu partido de direita faz em São Paulo contra a educação, com o objetivo de privatizar escolas públicas, sem nenhum respeito às famílias pobres e aos professores que protestam.

Preparado é o seu governador maquiar as estatísticas da polícia, que mata jovens negros e pobres, com o objetivo de mentir que a segurança melhorou naquele judiado Estado.

A desonestidade moral de Serra só ajuda a dividir o País e avoluma o engarrafamento de preconceitos, de fundamentalismo, de analfabetismo político, do fascismo e do ódio.

É típico das posturas que o ex-prefeito da cidade da Av. Paulista que se fale superficialmente e de modo imoral dos problemas políticos, sempre centrando o seu umbigo como eixo do mundo.

E assim é Serra, o defensor da privatização, esquartejamento e entrega da Petrobrás à Chevron. É isso que move o seu coração. Ser governo para ele é ser entreguista e traidor da Pátria.

Essa é a história de um traidor contumaz, que, movido por interesses mesquinhos, abriu mãos dos compromissos que tinha com o Brasil na sua juventude.

No 13 de março de 1964 José Serra era presidente da UNE. Nessa condição discursou no famoso comício da Central do Brasil promovido pelo Presidente João Goulart. Junto ao Presidente defendeu as reformas de base e uniu os estudantes universitários em torno do projeto que tornaria o Brasil mais justo.

Já em 1º de abril de 1964, com o golpe em curso, o então estudante do último ano da Escola de Plitécnica da USP discursou chamando os estudantes de todo o Pais para uma greve geral para resistir à quartelada pró-imperialista: “Que nós partamos nesse instante para uma ofensiva e não fiquemos na defensiva porque a defensiva será a vitória de fato dessas forças reacionárias que hoje investem contra o povo brasileiro”, disse o jovem José Serra. .
Esse foi Serra, que nada tem a ver com o Serra entreguista, reacionário e direitista, que mente e calunia, hoje.

O senador José Serra hoje se move na direção e a favor dos mesmos que criticou em 1964, abandonando os que lhe serviram de apoio e lutaram contra o golpe, muitos entregando as próprias vidas.

Quando Serra foi desonesto e mentiroso? Em 1964, quando denunciou o fascismo ou agora que os defende?

Prefiro pensar que o senador de São Paulo, José Serra, é um traidor e que mente agora.

• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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