A culpa de Bolsonaro

A colunista Luciana Oliveira observa que embora o presidente Jair Bolsonaro não tenha efetuado os disparos que mataram dez pessoas em uma da Grande São Paulo, a sociedade "deve sim relacionar o massacre à sua postura e discurso de culto às armas com apelo ao ódio"; "Por essas e outras, Bolsonaro é sempre culpado de alguma forma por crimes que tem a loucura, o ódio ou preconceito como motivação", diz; " O país vai ter que se curar disso. Como? Com a sociedade admitindo que tomou o caminho errado. Não com um político em si, mas com a adesão à uma cultura de ódio", completa

A culpa de Bolsonaro
A culpa de Bolsonaro

Bolsonaro não disparou contra as vítimas da escola em Suzano.

Mas, devemos sim relacionar o massacre à sua postura e discurso de culto às armas com apelo ao ódio.

Bolsonaro não fez uma defesa séria do seu projeto de flexibilização de posse de armas.

E isso era possível sim.

Mas, ele defendeu mais armas à população disparando o gatilho mental do ódio.

Vou lembrar só algumas balas de ódio que ele disparou:

"Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil".

"[O policial] entra, resolve o problema e, se matar 10, 15 ou 20, com 10 ou 30 tiros cada um, ele tem que ser condecorado, e não processado".

Preferiu a morte a um filho gay. "Para mim é a morte. Digo mais: prefiro que morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo."

"Vamos fuzilar a petralhada", disse no Acre.

A uma criança de 1 ano ele perguntou: "você sabe atirar?".

O gatilho mental é facilmente disparado por quem alcança as massas.

Por essas e outras, Bolsonaro é sempre culpado de alguma forma por crimes que tem a loucura, o ódio ou preconceito como motivação.

Por isso ele é associado a massacres praticados por quem o apoiou na campanha e se exibiu com armas nas redes sociais como ele e os filhos orientaram.

Falou em ódio, vem à memória o comportamento e as falas de Bolsonaro com forte apelo à violência.

O país vai ter que se curar disso.

Como? Com a sociedade admitindo que tomou o caminho errado. Não com um político em si, mas com a adesão à uma cultura de ódio.

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