A desigualdade como artefato no Brasil

As contradições experimentadas no espaço construído são reproduzidas por causa dos passos dados para converter o capital financeiro no elo mediador entre o processo de urbanização (em todos os seus aspectos, inclusive a edificação de ambientes construídos) e as necessidades ditadas pela dinâmica subjacente do capitalismo

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A grande ruptura surgida no curso do que conhecemos, como República Velha nos deu a Revolução de 1930 como presente inaudito - inclusive, o líder da Revolução "Getúlio Vargas", após a eleição fraudada de 1929: que elegeu Júlio Prestes ( a partir daí) toma o poder, que na verdade caberia a ele ( como candidato) em tese usurpado.   

Militares, com a espada na mão fazem da MONARQUIA uma REPÚBLICA DE ESPADA. Depois de forma oligárquica o povo, sempre alijado da cena maior da política, ganha de presente o poder do voto, mesmo que aberto (de cabresto} e limitado a homens maiores de 21 anos.

Contestado, Canudos, Vacina e Chibata, todas sublevações que demonstraram efetivamente que a “desembainhada” REPÚBLICA trazia no bojo sua desigualdade.

"A produção, da expansão do tamanho da força de trabalho assalariada, da expansão da atividade de circulação na medida em que mais produtos se tornam mercadorias e da expansão do campo de controle da classe capitalista dominante (Smith, 1982a, 1982b, 1984; Harvey 1985). 

A partir desta perspectiva, os teóricos da acumulação de capital explicam que os processos de desenvolvimento da cidade ou urbanização são a manifestação espacial do processo de acumulação de capital. Na prática, os teóricos defensores desta tese ressaltam os aspectos estruturais desse processo e relacionamos com o desenvolvimento urbano. De todos os teóricos que trabalham neste veio, David Harvey e Allen J. Scott destacam-se pelas suas tentativas de apreender a natureza inter-relacionada do desenvolvimento capitalista e da forma espacial urbana. De motor de crescimento, a cidade tornou-se um espaço organizado para o investimento de capital. As contradições experimentadas no espaço construído são reproduzidas por causa dos passos dados para converter o capital financeiro no elo mediador entre o processo de urbanização (em todos os seus aspectos, inclusive a edificação de ambientes construídos) e as necessidades ditadas pela dinâmica subjacente do capitalismo.

Este ponto introdutório obriga-nos a revisitar a relação entre a produção do espaço construído e as crises no processo de acumulação de capital estudada por Harvey (1975, 1978, 1982, 1985). Este autor identifica três circuitos distintos de acumulação de capital. O circuito primário, que se refere à organização do próprio processo produtivo, por exemplo, com a aplicação de tecnologia e trabalho assalariado para produzir bens em troca de lucro. O circuito secundário, que implica investimento no ambiente construído. Finalmente, o circuito terciário que diz respeito ao investimento em ciência e tecnologia e numa ampla gama de despesas sociais relacionadas, principalmente, com os processos de reprodução da força de trabalho. A competição entre capitalistas resulta em superacumulação. 

Então não conhecíamos o trabalhismo nos termos que passamos a conhecer. O Getulismo traz à baila a substituição real do trabalho escravo pelo “escravismo fantasiado de justiça".

O homem negro, o homem pardo, o cafuzo, o mestiço ou o branco empobrecido precisariam de rédeas modernas; afinal o mundo era moderno, a irrupção surgida na Inglaterra se espraiou, e o modelo econômico exigia o exercício da compra e venda. A abolição da Escravidão, em seu último recôndito americano trouxe mudanças para o arcabouço secular do latifúndio nacional. A Inglaterra se mecaniza e exige mudanças dramáticas no mundo, afinal sempre houve poder direto e indireto sobre o Brasil.

E aquele que fora conhecido como" o pai dos pobres e a mãe dos ricos" recria a República que ele alcunhou de "Velha" nos mesmos moldes de repressão, que em seu repressor Estado Novo exigia. 

Certo promotor de Água Branca, Alagoas, envia uma carta enérgica para Vargas, explanando o marasmo das volantes e expondo fatos que fizeram com que o ditador voltasse para os sertões nordestinos.

Getúlio então determinou ordens severas para o governo estadual, que apertou o major Lucena de tal maneira que o comandante saiu da reunião tão acabrunhado que foi direto pedir proteção e ajuda dos santos, na Catedral de Maceió. 

O governo estadual lhe dava trinta dias para trazer a cabeça de Lampião. Major Lucena convocou o tenente João Bezerra (acusado de cumplicidade) dando-lhe quinze dias para entregar a cabeça de Virgulino Ferreira da Silva. O desenrolar dos fatos, a partir daí, foi o toque decisivo que faltava para o golpe final no Cangaço; considerado por muitos arruaça e por outros resistência... Aterrissamos no bolsonarismo... E nossas cabeças hoje estão no prelo da sindemia, que avança em meio ao mar de experimentações imunizantes; lidamos com um verdadeiro Aliem microscópico, que faz da desigualdade sua cepa. Joãos, Antônios, Pedros, Marias, poderão não resistir ao ataque do Sars-cov-2, pois seu bolsos vazios não sustentariam um tratamento de 30.000 reais por dia, através de um pulmão artificial, por exemplo.

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