A direita continua matando na Colômbia

Em meio ao novo modo de enfrentamento, as FARC já teve 36 integrantes mortos desde que confiou no acordo de paz. Em janeiro deste ano dois candidatos foram assassinados, em fevereiro integrantes do Partido Comunista da Colômbia foram cercados e apedrejados. A violência contra políticos de esquerda é uma ação ordenada por setores conhecidos, com objetivo de sabotar a campanha

Em que pese a formalização do acordo de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o governo de Juan Manuel Santos em novembro de 2016, coordenado por Cuba, os dois protagonistas deveriam mudar o campo de luta para o embate eleitoral.

As Farc se transformou em "Força Alternativa Revolucionária do Comum", e o governo teria de garantir sua postulação nas eleições de 11 de março. Esta aproximação logo passou para perseguição por parte dos paramilitares, se valendo da passividade do poder público.

As primeiras eleições das FARC lhe permite postular 74 candidatos na eleição legislativa, além de eleger seu líder Rodrigo "Timochenko" Lodoño a presidente no dia 27 de maio.

Em meio ao novo modo de enfrentamento, as FARC já teve 36 integrantes mortos desde que confiou no acordo de paz. Em janeiro deste ano dois candidatos foram assassinados, em fevereiro integrantes do Partido Comunista da Colômbia foram cercados e apedrejados. No dia 7, foi a vez de Timochenko cancelar comícios na área metropolitana de Cali por falta de segurança.

A violência contra políticos de esquerda é uma ação ordenada por setores conhecidos, com objetivo de sabotar a campanha. Líderes do Partido Centro "Democrático", uma força comandada pelo ex-presidente Alvaro Uribe e chefe de grupos paramilitares, estão gerando este situação. Esta facção que sempre foi crítica ao acordo de paz, agora visa simplesmente impedir a participação política de partidos progressistas.

Esse plano, executado por Uribe, tenta lograr ganhos não só políticos, mas econômicos. Primeiramente ao se postar como "defensores" da população via grupos armados privados, assassinando a História no que tange a realidade que demostra haver vítimas e culpados dos dois lados. Nesta questão, objetiva impedir a comissão da verdade, presente no acordo e que lançaria penalidade para muitos dos aliados. Em outra vertente, mira se apropriar de uma plataforma política que fale a população sobre segurança, que na verdade sabota.

Tradicionais aliados da elite colombiana , os paramilitares são recorrentes em se beneficiar do período mais acentuado da guerra do tráfico . Numa perspectiva econômica, foram beneficiários dos valores disponibilizados pelos Estados Unidos no combate ao narcotráfico, o que gerou fortunas a estes atores. Nos dias atuais, ainda o déficit orçamentário da Colômbia é coberto por esta fonte de recursos, deixando para o segundo plano atividades formais.

Voltado para outros inimigos,os aliados de Uribe utilizaram esta guerra para matar trabalhadores rurais ou expulsar de suas terras . Um exemplo que se fez presente neste 9 de fevereiro é de Jonathan Cundumi Anchino, membro de um programa oficial de substituição do cultivo da coca, que foi morto. Segue mesmo sentido o atentado contra o líder de movimentos sociais, Pedro Gusman, na cidade de san Vicente Del Caguan.

Já despido de qualquer credibilidade, o governo Manuel Santos, não repassa valores que pudessem garantir uma eleição justa e segura, bem como se abstém de atuar contra o terrorismo de direita. Cada vez mais se aclara que o acordo de paz serviu apenas para debilitar o adversário. Deste modo uma conclusão traz para realidade uma preocupação reverberada pelas FARC:

"A Colômbia não pode converter-se em Estado falido eleitoralmente por culpa dos inimigos da paz"

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