A direita quer o impeachment, mas vai se estapear pelo poder

PMDB por um lado, PSDB de outro, o plano afinal é o mesmo: querem tirar Dilma do poder. Só não estão de acordo sobre quem vai governar depois

PMDB por um lado, PSDB de outro, o plano afinal é o mesmo: querem tirar Dilma do poder. Só não estão de acordo sobre quem vai governar depois
PMDB por um lado, PSDB de outro, o plano afinal é o mesmo: querem tirar Dilma do poder. Só não estão de acordo sobre quem vai governar depois (Foto: Chico Vigilante)
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A carta de Temer a Dilma- que soou à Nação como justificativa para sua traição- não convenceu o PMDB como um todo, nem muito menos agradou a todos os caciques do PSDB, alguns dos quais parecem não pretender de maneira alguma apoiar o seu plano de usar atalhos para chegar à Presidência da República.

O senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, alerta que o golpe contra a presidente Dilma Rousseff também atingiria o vice Michel Temer, que entre 2014 e 2015, na ausência de Dilma, assinou pelo menos três decretos não numerados de crédito suplementar, sem o consentimento do Congresso, num montante de cerca de R$ 8 bilhões.

Como a questão constitui os fundamentos usados como justificativa pela oposição para os pedidos de impeachment contra a presidente, Álvaro Dias entrou com um pedido no TCU de investigação sobre Temer, no intuito de tirar dele a chance de substituir Dilma.

No documento Álvaro Dias solicita ao TCU que verifique a compatibilidade ou não dos decretos não numerados com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com a Constituição Federal.

Temer nega responsabilidade sobre os decretos e por meio de sua assessoria disse que “apenas cumpria formalidades da gestão e da política econômica determinada pelo governo”.

Nada disso quer dizer, obviamente, que Álvaro Dias, esteja preocupado com a legalidade, com a Constituição, com a traição de Temer. Não, ele só quer que Temer e sua metade do PMDB não tome o poder.

Ele quer que Dilma saia, mas não que o PMDB ocupe a presidência porque teriam que se aliar a Temer para ter algum espaço no governo e isso não acrescentaria fôlego aos tucanos para a corrida presidencial em 2018.

A movimentação de Temer nos últimos tempos não lhe melhora em nada o currículo. Um vice-presidente, que lançou um "novo programa de governo", seguindo fielmente a cartilha neoliberal, que comprovadamente não é mais solução para país nenhum crescer.

Ele quer nada mais nada menos, entre outros absurdos, que o fim dos investimentos constitucionais em Saúde e Educação; dos dissídios coletivos; maior tempo de trabalho; fim da indexação do Salário Mínimo; e privatização geral, inclusive do pré-sal. Só pode ser provocação!

Como se fosse pouco se reúne regularmente e frequenta festas de deputados e empresários que tramam abertamente o golpe, e circula por organizações empresariais, como a Fiesp, ou a FecomércioSP, onde é aplaudido de pé pela fina flor da elite brasileira.

Assim que Eduardo Cunha aceitou o pedido de abertura do processo de impeachment de Dilma, Temer imediatamente se coloca no papel de vítima e manda como recibo de seu “sofrimento” uma carta pessoal a Dilma, vazando o documento para o jornalista Jorge Bastos Moreno antes que chegue às mãos da presidente.

Por que será? Ora porque assim teria certeza de que a carta teria o estardalhaço que teve pela Globo e grande imprensa.

Na carta faz todo tipo de reclamação em seu nome e do PMDB, como se o PMDB não tivesse sido presenteado com
ministérios, presidências, diretorias de estatais, além dele mesmo, por dois mandatos consecutivos, ocupar o segundo cargo na linha sucessória do Poder Executivo do país.

A ação política de Temer, Eduardo Cunha, a turma de Aécio Neves (PSDB) e de forças sindicais como a do deputado pelego Paulinho da Força (SDD) estão mancomunadas com a grande imprensa e entidades empresariais interessadas na garantia da volta dos pontos da Ponte para o Futuro, de Temer, ou Ponte para o Abismo como a qualifiquei à época.

A conclusão é óbvia. O papel de Temer na construção desta ‘ponte’ é ser o instrumento de passagem para a retomada da reforma da Constituição e do Orçamento Nacional pelo Congresso.

Seus parceiros não param por aí. Em vergonhoso editorial no último domingo a Folha de S. Paulo também propõe, entre outras aberrações, cortes dos gastos orçamentários compulsórios com Previdência Social, Educação e Saúde.

Essa obsessão do orçamento equilibrado visa, na verdade, atender aos interesses do setor bancário e financeiro à custa do suor e do sangue dos brasileiros.

Na quarta a noite, após se encontrar com a presidente numa tentativa de passar a limpo sua relação com Dilma, Temer saiu dizendo que a relação entre eles será institucional e o mais fértil possível.

Declaração mais vazia impossível. O terreno só se torna fértil para gerar bons produtos quando se aduba e nada indica que ele adubará a terra desta relação. Até o momento tudo o que fez demonstrou o contrário.

PMDB por um lado, PSDB de outro, o plano afinal é o mesmo: querem tirar Dilma do poder. Só não estão de acordo sobre quem vai governar depois.

Reunidos em Brasília para afinar a orquestra segundo Aécio Neves, tucanos de alta plumagem como Serra, Alkmin, Beto Richa, etc, ouviram de FHC que o processo de impeachment é jurídico–político e que um presidente só pode ser tirado no meio do mandato se esse “clima político” se formar.

É exatamente este clima que estão tentando há tempos montar, porque no fundo sabem muito bem que Dilma não cometeu crime de Responsabilidade- que é o que justificaria um impeachment- nem outro de nenhuma espécie.

A direita não esmorece, usam todo tipo de golpe baixo para chegar onde pretendem, apesar de que para os defensores do impeachment está difícil de engolir todas as manifestações espontâneas de democratas nos mais variados campos contra o impeachment de Dilma.

Artistas, intelectuais, juristas, cientistas, professores, reitores, sindicalistas, trabalhadores e empresários nacionalistas e políticos como os 16 governadores já assinaram um documento em defesa da legalidade, apontando que um impeachment sem crime de responsabilidade é, sim, golpe.

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