A disputa é pelo comando do golpe e não para impedí-lo

Golpistas de toga e da terceira via disputam com o bolsonarismo quem vai comandar a fraude contra o povo

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(Foto: ABr)


Com a aproximação das eleições e diante do agravamento da crise e da divisão interna da burguesia, intensificam-se as disputas no interior da burguesia para ver quem vai efetivamente controlar o processo eleitoral.

O que se destaca, em toda a imprensa capitalista, são as “denúncias” de que o bolsonarismo estaria preparando um golpe, ameaçando se insurgir – por meio das Forças Armadas – contra um possível resultado desfavorável nas eleições. Ao mesmo tempo é evidente, que Bolsonaro e os chefes militares buscam – além de coesionar suas bases em torno da popular desconfiança do processo eleitoral e pressionar o judiciário, no sentido de que tenham algum controle sobre as eleições.

As bravatas dos que se curvaram às ordens da caserna

Em discurso, no último dia 12, por exemplo, um dos principais ministros da Lava Jato, operação criminosa que fraudou as eleições de 2018 colocando Lula na cadeia e Bolsonaro na presidência, Edson Fachin, membro do STF e atualmente presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bradou que “o país terá eleições limpas e que ninguém e nada interferirá” na Justiça Eleitoral (Portal G1, 12/5/22).

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Fachin, ainda usou de ironia ao afirmar que “quem cuida das eleições são as forças desarmadas” (idem). Toda essa “valentia” bus ocultar – entre outras – que, em 2018, ele e toda a “suprema corte” “bateram continência” às ordens do comando militar que, publicamente ameaçou o País de golpe – caso Lula fosse colocado em liberdade e tivesse seus direitos de candidatos à presidência garantidos, como correspondia por força da Lei . Procura-se mostrar uma suposta autoridade dos homens de toga, na mesma semana, em que o TSE acatou “pedido” dos militares para que seus “recomendações” sobre as eleições fossem divulgadas.

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Agravamento da crise e manobras

O que está em questão é o aprofundamento da divisão entre as alas da burguesia, diante do avanço da crise econômica e da polarização puxada pela esquerda – com a candidatura de Lula  -. Nessa verdadeira guerra entre as diferentes alas da burguesia, que se agrupam – principalmente em dois blocos: de um lado, a direita tradicional (“centro”), que busca uma terceira via, age não apenas pelos seus políticos e partidos em crise, mas também por meio do judiciário que controla e da poderosa máquina de propaganda dos tubarões da imprensa capitalista; de outro, a extrema direita, liderada pelo bolsonarismo, que além do governo federal, lança mão do comando das forcas armadas, das igrejas evangélicas que dirige etc.

Em meio à essa crise, por exemplo, o  senador Lasier Martins (Podemos-RS) apresentou um requerimento para que o também ministro do STF, e ex-presidente do TSE, Luís Roberto Barroso apresente esclarecimentos sobre declarações envolvendo as Forças Armadas e as eleições deste ano. Barroso declarou que as instituições militares estavam sendo orientadas a “desacreditar” o sistema eleitoral brasileiro, o que – por sua vez – foi apontado pelo  ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, como declarações “irresponsáveis”.

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Defendendo os interesses do grupo governista, o senador Lasier, afirmou – sem que se possa dizer que esteja errado – que “’não compete e nem convém’ que um ministro do STF faça críticas às Forças Armadas” (Veja, 11/5/22). Com o que, de forma tímida, apontou em direção ao papel cada vez mais político desempenhado pelos “homens da capa preta” que, há vários anos, desde o início das articulações golpistas, passaram a ocupar o primeiro lugar no noticiário político dos grandes monopólios da imprensa burguesa e até mesmo de setores da esquerda, que ainda conseguem difundir a ilusão de que os mesmo atuam com alguma imparcialidade e na “defesa da Constituição”, quando estes estão e sempre estiveram na linha de frente da violação dos direitos democráticos de quem se oponha à política da direita golpista diante da crise.

Golpistas contra o golpe?

A golpista imprensa capitalista, defensora ardorosa da terceira via, mas que em 2018 – da mesma forma que os “paladinos” da Justiça do STF, garantiram a fraude das eleições sem Lula, que elegeu Bolsonaro, tenta convencer parcelas da população (com amplo apoio na esquerda burguesa e pequeno burguesa) que estaríamos diante da luta do bem contra o mal, e que os togados seriam os “mocinhos”, quando estamos diante de uma intensa luta entre as principais frações da burguesia para ver quem comanda o processo eleitoral e a terceira etapa do golpe.

De um lado, o imperialismo, capitaneado pelos EUA, cujos chefes democratas vem dando seguidas declarações de confiança na justiça eleitoral brasileira, nas urnas eletrônicas etc., com seus aliados e sócios menores do mercado financeiro e da maioria do grande capital “nacional” que procuram estabelecer uma via intermediária que impeça a eleição de Lula, bem como do próprio Bolsonaro, que serviu (na condições de outrora) aos interesses da direita tradicional para derrotar – de forma fraudulenta – o candidato reserva da esquerda, Fernando Haddad, mas cuja permanência no governo constitui uma ameaça para os planos da direita de intensificar os ataques contra a economia nacional e o povo brasileiro, pelas tendências a uma explosão social que estimula.

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De outro, a extrema direita bolsonarista, representando – por hora – os interesses de setores mais fracos da burguesia nacional (em relação ao imperialismo, aos banqueiros e à grande indústria, por exemplo), do agronegócio, dos setores grandes e médios do comércio, dos militares, da classe média em decomposição etc., que se vêm diretamente atacados pelo controle que a direita tradicional tem sobre algumas das instituições mais antidemocráticas do Estado capitalista, como é o caso do Judiciário e da imprensa capitalista.

Uma guerra de muitas frentes

A disputa entre essas duas alas tem lances cotidianos não só nas ações do judiciário, como as condenações e clara perseguição política contra bolsonaristas, mas também nos atritos no Congresso Nacional, com a tentativa dos governistas de afastar da vice-presidência da Câmara dos Deputados, o  deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), por conta do mesmo ter trocado o PL (onde se encontrava quando eleito) pelo PSD, o que estaria em desacordo com o Regimento da Casa. No TSE, o ministro que vai presidir o TSE no processo eleitoral, Alexandre de Moraes, se intrometendo – uma vez mais – no funcionamento do Legislativo, já concedeu liminar para manter Ramos no cargo.

Se somam ainda as ações da Polícia Federal, como o inquérito contra o presidente ilegítimo, depois que o próprio Alexandre de Moraes aceitou uma notícia-crime do próprio TSE emitida contra Bolsonaro por ter criticado o processo eleitoral e o TSE e defendido o voto impresso.

Mostrando que procura se entender, ao menos, com uma parte dos militares, no dia 10 o TSE divulgou suas respostas ao questionário encaminhado pelo Ministério da Defesa sobre o processo eleitoral, deixando evidente – uma vez mais – que as  forças armadas continuam “cuidando das eleições”.

Bolsonaro e seus aliados sabem que sem que tenham algum controle do processo eleitoral não conseguirão impedir que sejam vítimas de uma fraude organizada pela burguesia golpista desejosa de uma terceira via eleitoral, e que controla o TSE.

Deixar de lado as ilusões

A esquerda precisa deixar de lado suas vãs ilusões de que a direita golpista que derrubou Dilma, prendeu Lula, fraudou as eleições de 2018, e atacou duramente os trabalhadores com suas “reformas” para servir aos interesses do grande capital internacional e “nacional”, vai garantir a realização de eleições livres e democráticas que permitam uma vitória do candidato dos trabalhadores, o principal alvo do regime golpista e, portanto, um retrocesso da ofensiva da direita.

Eles estão em atrito, mas nesta disputa nenhum dos lados defende os interesses democráticos do povo e são capazes de garantir que Lula, a esquerda e todo os explorados não sejam uma vez mais golpeados. Pelo contrário, estão disputando quem vai comandar a terceira etapa do golpe. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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