A ditadura narcisista de Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho é escravo de uma ditadura que ele mesmo estabeleceu para si. A ditadura de um narcisismo que o adoece e o mantém distante de qualquer realidade que não seja a sua. Ditadura nunca mais! Filosofia absurda também

“Só uma coisa pode salvar o Brasil: a união indissolúvel de povo, presidente e Forças Armadas.” A frase com a qual início este artigo, foi dita pelo filósofo e encantador de serpentes, Olavo de Carvalho. Antes, porém, peço desculpas aos leitores, por escrever mais uma vez sobre tão controversa e soberba figura, a qual os seus adoradores chamam de mestre. Ao que tudo indica, ele sugere a volta da ditadura. A não ser, que não tenhamos conseguido entender o que ele quis dizer com tal mensagem. 

Olavo de Carvalho é aquele sujeito que adora ver o circo pegar fogo, porque sabe que não será atingido por suas chamas. O cidadão mora ou esconde-se na Virgínia e pouco sabe-se, de fato, a respeito de sua vida e formação. Apesar, de ele apresentar-se como um verdadeiro multimídia. Sobre sua capacidade intelectual, a frase que citei acima nos dá a exata NOÇÃO do seu grau de raciocínio. Sua intelecção acima da média, como ele mesmo a coloca, permite que ele entenda como possível, uma ditadura militar governar com junto com o povo. Talvez, em Olávia, a terra dos absurdos filosóficos, isto seja plausível.

Na contra mão de toda e qualquer filosofia, Olavo de Carvalho apela para um estado de exceção, para que a sua verdade seja aceita. Alguém com inteligência acima da média, tentaria nos convencer com argumentos mais consistentes e menos radicais. Temos um defeito muito grande, que é o de, muitas vezes, não associarmos o que alguém diz, com aquilo que ele faz. Não é aceitável que pessoas que se julgam inteligentes, não percebam o blefe confesso do jogador, bem na sua cara. Um inconsciente coletivo ideológico, talvez seja o responsável por tal falta de percepção da maioria.

Não vale a pena ofender a Olavo de Carvalho, para refutar suas ideias inovadoras, como reeditar a ditadura. Ele deve ser esquecido, silenciado por nossa indiferença e perdoado por nossa capacidade de pensar diferentemente dele. Devemos ainda agradecer a Deus, por não sermos um de seus discípulos. Ele sofre de um narcisismo acentuado, que reverbera no comportamento de pessoas tão ou mais narcisistas do que ele. A sua superioridade pessoal, intelectual e ideológica, não é o suficiente para que ele saiba estabelecer padrões limítrofes para os absurdos que prega.

Aliás, nenhum narcisista tem essa capacidade. Ele faz piada, fala palavrões do mais baixo grau, ofende moralmente os seus opositores e orgulha-se disto. Antes, porém, ele havia acabado de fazer longa defesa da moral e dos bons costumes e dos valores cristãos, tradicionais e conservadores. A sua inteligência é paradoxal às suas afirmações e perpendicular ao seu contrassenso. Enquanto bafora o seu charuto e destila o seu veneno, o narcisista é capaz de louvar a Deus, ajoelhando-se sobre a terra plana que lhe sustenta a existência.

Há bem pouco tempo, o mesmo narcisista esculhambava com as forças armadas e comprava uma briga sem sentido, com alguns Generais membros do alto escalão do governo que ele ajudou a eleger. Chegou a citar a deficiência física de um deles, para auto afirmar às suas opiniões e dirigiu-se a um outro usando como pronome de tratamento, a reverência “Seu merda”. É possível levar a sério alguém tão ambíguo de personalidade, de moral, de ética, de valores e de posicionamentos? Alguém que sobrevive à base de polêmicas desnecessárias e de tuites semi escatológicos, baseados em fontes literárias ditadas por vozes da sua mente.

Eu já tive o prazer de ser esculhambado por ele em sua página, por ocasião de um artigo que escrevi sobre os seus absurdos filosóficos. Óbvio, que ele me desqualificou com a sua retórica erudita e exemplar. Afinal, quem sou eu na fila do seu zodíaco particular e da sua astrologia assertiva. Mais uma vez, ele provou que a sua inteligência superior, não é capaz de fazê-lo ignorar o “analfabetismo funcional” que pontua as minhas ideias, como ele classificou o meu texto na ocasião.

Nenhum narcisista consegue ignorar uma crítica. Mesmo que ela venha de alguém, digamos, menos relevante do que ele. Ele não responde por respeito ao interlocutor ou por estar aberto a um diálogo. Ele o faz como parte de um ritual diário de auto afirmação, que visa incensar o seu ego e manter a idolatria de seus seguidores, sobre as ideias que ele entronizou em suas mentes como santas, puras e unicamente verdadeiras.

“Aparentemente, não tenho alunos nem leitores: tenho seguidores, devotos, fiéis, militantes e cultores idolátricos. Todos iletrados e de baixíssimo QI. Ninguém discute as minhas ideias nem cobra explicações...” Isto posto, e dito por ele mesmo, paro por aqui e alerto sobre os perigos de um transtorno de personalidade narcisista. Trata-se de uma condição mental em que as pessoas têm um senso inflado de sua própria importância, uma profunda necessidade de atenção e admiração excessivas, relacionamentos conturbados e falta de empatia pelos outros.

Olavo de Carvalho é escravo de uma ditadura que ele mesmo estabeleceu para si. A ditadura de um narcisismo que o adoece e o mantém distante de qualquer realidade que não seja a sua. Ditadura nunca mais! Filosofia absurda também.

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