A ditadura Temer começou ontem com o gritar de terrorismo

Para resistir, governos como o de Temer precisam de inimigos. Não basta ter adversários. E esses inimigos têm que ser uma ameaça àquilo que governos autoritários costumas chamar de ordem. E eis que assim surgiu ontem a palavra mágica: terrorismo

Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasill)
Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasill) (Foto: Renato Rovai)

O anúncio de ontem do ministro da Justiça Alexandre Moraes de que o governo Temer havia acabado de desbaratar uma célula terrorista e prender dez dos seus integrantes é apenas o sinal do que virá após a consolidação do golpe no Senado.

O governo de Michel Temer é fraco e isso não mudará após a sua consolidação no cargo.

Temer se segura num Congresso que se move por corrupção e numa mídia tão corrupta quanto.

Numa mídia que por caraminguás de anúncios oficiais não se furta a furtar do seu leitor dados corretos de uma pesquisa, por exemplo.

Em tempos outros, Congresso mais mídia a favor produziam resultados eficientes.

Hoje, não.

A internet ressignificou a correlação de forças na sociedade. A mídia ainda é um jacaré, mas já não tem metade dos dentes. E o Congresso está completamente desmoralizado.

Para resistir, governos como o de Temer precisam de inimigos. Não basta ter adversários. E esses inimigos têm que ser uma ameaça àquilo que governos autoritários costumas chamar de ordem.

E eis que assim, surgiu ontem a palavra mágica, terrorismo.

Temer não é original.

Erdogan, o presidente turco que se disse vítima de um golpe de Estado, está seguindo de forma eficiente essa cartilha.

Em 2013, Erdogan foi questionado por protestos que teriam reunido, segundo estimativas locais, 2,5 milhões de pessoas. O evento se iniciou numa resistência à construção de um shopping na praça Gezi e tomou o país.

De lá pra cá o presidente turco foi endurecendo sua gestão e agora, depois de uma tentativa de golpe que mais parece uma armação, passou a demitir e prender professores, juízes, jornalistas e qualquer um que considere alguma ameaça ao seu poder imperial.

O lance da dupla Temer-Moraes berrando terrorismo ontem vai nessa linha.

Temer tem pouco tempo pra fazer o serviço que os golpistas lhe repassaram e só conseguirá realizá-lo se tiver condições de construir perigos no país que escapem da lógica política tradicional.

O golpe consolidado no Senado vai levar o país a viver uma longa noite de São Bartolomeu.

Sindicalistas, lideranças do MST, indígenas, ambientalistas etc. que ousem questionar o capital e o governo serão presos em nome da ordem e da paz social. E serão processados por terem tentado organizar resistência com base em ação violenta.

A prisão de ontem de um jovem professor de árabe, cuja entrevista com sua esposa foi publicada com exclusividade pela Fórum, é um sinal claro que não há mais necessidade de provas para prender alguém. Apenas supostos indícios são suficientes.

Uma ditadura começa assim.

Os sinais de ontem é que a ditadura Temer abriu a boca e mostrou o dentes.

Datafolha

A vergonhosa explicação do Datafolha para ter escondido que 62% da população querem eleições gerais no país ao invés de Temer presidente dão mostras claras a que ponto a mídia brasileira chegou. Se havia fundo do poço, não avisaram ao Frias.

João Santana

A revelação de João Santana de que teria recebido restos a pagar da campanha de Dilma de 2010 por caixa 2 pode complicar ainda mais a vida do PT. Mas há algo na sua fala que está sendo ignorado. Santana disse que isso é algo comum e que todos os outros marqueteiros do seu porte o fazem. E não só no Brasil. Ou seja, ele não estaria preso pelo que fez, mas para quem fez. Está preso por ter feito a campanha do PT e não a do PSDB, por exemplo.

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