A empáfia do mentiroso

"Ao menos um detalhe do treinamento funcionou: Pazuello tentou, o tempo todo, tirar Jair Messias do lugar que efetivamente lhe cabe, ou seja, o de Genocida. Não conseguiu mais do que complicar o presidente", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

Eduardo Pazuello e a CPI da Covid
Eduardo Pazuello e a CPI da Covid (Foto: Pedro França/Agência Senado | Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Não foi preciso acompanhar o depoimento do general da ativa do Exército brasileiro Eduardo Pazuello até o fim para comprovar duas coisas.

A primeira: a exemplo de todos os militares da sua geração, formados durante a ditadura, Pazuello é de uma empáfia sem limites. Mais que saber, ele tem a certeza radical de que são seres superiores à humanidade em geral e aos brasileiros em particular.

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A segunda: escudado nessa empáfia, Pazuello mentiu com uma facilidade comparável apenas à de seu chefe máximo, Jair Messias. A diferença é que enquanto um mente em meio aos surtos psiquiátricos que padece de maneira incessante, o general em questão mente com seriedade, ênfase e um ar de indignação.  

As perguntas secas e diretas tiveram como resposta frases longas, vagas, contraditórias. Diz agora que não fez o que deixou de fazer porque não sabia ao certo o que deveria ser feito. Cada vez que foi confrontado diretamente, falou em ilações, desviou, enfim, acovardou-se.  

Foi desmentido enfaticamente. E continuou mentindo. O que não entendi é qual a razão de ele não ter sido advertido com mais veemência sobre o risco de ouvir voz da prisão por tanta mentira.

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Os integrantes governistas da CPI do Genocídio bem que tentaram sair em defesa do mentiroso. Missão impossível. Nem mesmo a estúpida – como sempre, aliás – intervenção do senador Flávio Bolsonaro conseguiu desviar o rumo da presença especialmente absurda de Pazuello.

De nada valeu o intenso treinamento recebido pelo general da ativa do Exército brasileiro. Esqueceu da recomendação de frases curtas e conclusivas, e se estendeu longamente nas mentiras, complicando sua situação cada vez mais. Aliás, ao menos um detalhe do tal treinamento funcionou: ele tentou, o tempo todo, tirar Jair Messias do lugar que efetivamente lhe cabe, ou seja, o de Genocida. Não conseguiu mais do que complicar o presidente. Mas aí seria querer demais.

O dia trouxe outro problema para Jair Messias: seu ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, virou alvo de uma portentosa operação da Polícia Federal. Suspeito de participar de um esquema de proteção a desmatadores, a origem da denúncia esteve fora do alcance de Jair Messias: veio dos Estados Unidos, reforçada por denúncias levantadas na Europa.

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A pergunta é simples: a troco de quê Salles liberou madeira absolutamente ilegal, que tinha sido apreendida pela própria Polícia Federal, para ser mandada ao exterior?

Salles é fartamente conhecido como, além de ser absolutamente eficaz na política destruidora radical de Jair Messias e filhos, alguém que justificaria perfeitamente o título de um filme de 2013 dirigido por Julia Rezende: “Meu passado me condena”.

Pois agora, além dos antecedentes, corre o tremendo risco de ver que também seu presente pode servir de condenação.

A cada dia que passa a CPI do Genocídio complica mais e mais, expõe mais e mais os crimes de Jair Messias.

E como se fosse pouco, agora Salles põe gasolina no fogo... 

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