A entressafra moral e cívica dos cidadãos brasileiros

A entressafra moral é tão grande, que temos na comissão que julgará o impeachment da presidente Dilma, nomes como Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo. O primeiro tem pedido de prisão decretado até pelo FBI, além de ter a sua entrada proibida em alguns países. O segundo teve que renunciar a presidência, no primeiro processo de impeachment aberto contra um presidente da república na história do país

O atual momento do nosso país é bem mais complicado do que se possa imaginar e a questão não se resume apenas ao campo político. Fica difícil para o cidadão que possui uma alma um pouco mais humana e um pensamento um pouco mais racional, acompanhar essa "involução". Como diria Caetano Veloso na música Podres Poderes: "Queria querer cantar afinado com eles, silenciar em respeito ao seu transe num êxtase, ser indecente, mas tudo é muito mau." São comportamentos contraditórios demais para serem compreendidos. Uma parte do povo brasileiro está confusa, talvez atordoada pelo som das panelas que elas mesmas batem ou pelo uso indiscriminado de óculos escuro de grife durante as manifestações, comprometendo assim uma visão mais realista dos fatos.

Um país que viveu um período de vinte anos sob um regime de exceção, onde muitos foram perseguidos, mortos, torturados, exilados, privados do seu direito de ir e vir e que ainda assim suscita vozes, que com cartaz em punho, pede a volta dos militares ao poder e proclama Jair Bolsonaro como um mito capaz de trazer o seu país de volta. Será que sempre precisaremos de ridículos tiranos para gerir a nossa incompetência humana? E ainda citando versos da mesma canção de Caetano eu pergunto: "Será que essa minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?" Será que não somos capazes de evoluir sem sermos guiados por oportunistas e por gente sedenta pelo poder a qualquer preço?

O período de entressafra atinge a todos os níveis e a todos os setores da nossa sociedade. Os militares, hoje cantados em verso e prosa por alguns saudosos dos métodos do Dops, ainda tiveram sorte. Quando uma crise política ameaçava se instaurar e por em risco a credibilidade e o comando dos generais da época, eles apelavam para a pátria de chuteiras. Era só nomear o Pelé como ministro chefe da casa civil, Zico como ministro do planejamento e Rivelino no ministério da economia e tudo entrava no eixo. Bons tempos em que a seleção brasileira de futebol cumpria o seu papel político de alienar o povo, jogando bonito e com arte. Não havia dólar que resistia a um elástico do Rivelino e a uma tabelinha Pelé e Tostão, Sócrates e Zico. Caia na hora aos pés do governo canarinho. Hoje, o dólar olha para o time do Dunga e dispara.

A entressafra moral é tão grande, que temos na comissão que julgará o impeachment da presidente Dilma, nomes como Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo. O primeiro tem pedido de prisão decretado até pelo FBI, além de ter a sua entrada proibida em alguns países. O segundo teve que renunciar a presidência, no primeiro processo de impeachment aberto contra um presidente da república na história do país. Sem falar que o atual presidente da câmara dos deputados, o sociopata Eduardo Cunha, tem mais contas não declaradas no exterior do que o número de vitórias do Palmeiras na atual temporada. E mesmo assim se apresenta como paladino da ética e maior entusiasta do processo de impeachment da atual presidente. Isso é imoral demais!

Outro defensor ferrenho do golpe e candidato derrotado nas últimas eleições, o senador Aécio Neves, tem mais citações na lava jato do que o número de vice-campeonatos conquistados pelo Vasco da Gama. E olha que o time da cruz de malta sabe ser vice, hein! Se solicitarmos um release político de algumas figuras que fazem parte do atual grupo que pretende moralizar o país, o libertando das garras malignas do atual governo, poderemos jurar que estamos diante de perfis de atores, dos mais canastrões na história da dramaturgia política nacional. Quem tiver curiosidade, faz uma busca no Google e procure pelo histórico de nomes como: Ronaldo Caiado, Aloysio Nunes, Agripino Maia, Demóstenes Torres, Moreira Franco, entre outros. Quantas histórias eles têm para contar. Eu até acho que o Juiz Sérgio Moro não acessa a inter net. Se alguém puder sugerir o Google para ele, a democracia agradece.

Outra prova de que a entressafra de pessoas de bom senso nos atinge de forma letal, é a inspiração dos Juízes da operação Lava-Jato na operação Mãos Limpas que ocorreu na Itália no início dos anos 1990. Naquela ocasião, mais de seis mil pessoas, incluindo políticos, empresários e laranjas, foram investigadas pelos Juízes da terra da bota. Um verdadeiro pente fino para livrar aquele país da corrupção. O problema é que após a limpeza, assume e fica no poder por 17 anos, o poderoso chefão Silvio Berlusconi, ou seja, lavaram as mãos com sangue. Espero que não seja esse o desfecho da nossa operação mãos limpas. Embora tudo indique que sim, a julgar pelos nomes que se apresentam como opções para suceder o atual governo em caso de impedimento do mesmo. Sangue & eacute; o que não falta em nosso país para eles lavarem as mãos. Principalmente sangue inocente, derramado a céu aberto, diuturnamente, sem que as nossas zelosas autoridades apresente nenhum pudor em conviver com isso.

Para finalizar e ilustrar com maior clareza a má fase moral que atravessa os seres humanos, me deparo com a notícia de que o ex-gogo boy e assassino Guilherme de Pádua, possui mais de 25 mil seguidores no Instagram, onde ele costuma exibir a sua rotina diária de treinamentos na academia, passeios, cultos evangélicos em presídios, fotos sensuais e outras amenidades do cotidiano de um Psicopata. Talvez a música "Simpathy for the devil", dos Rolling Stones, explique a atração dessa legião de fãs por uma figura tão sórdida e desumana. Eu não duvido que a maioria dos seguidores desse Sociopata, seja a favor do impeachment da Dilma e da prisão do ex-presidente Lula. Tudo para que se faça justiça e se moralize o Brasil. Afinal lugar de corrupto e de bandido não é no governo do meu país, mas sim no púlpi to da minha Igreja, na minha lista de amigos nas redes sociais e no mesmo palanque das manifestações que eu frequento.

Oremos para esse período de entressafra passar logo!

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