À espreita de um colapso ambiental

O Trilhas da Democracia do dia 12 de janeiro recebeu como convidados a professora Maria das Graças e Silva, do Departamento e Programa de Pós-graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco, e Nal Pescador, Presidente da Associação de Pescadores e Pescadoras do Cabo de Santo Agostinho, a fim de debater a “questão ambiental no capitalismo predatório”.

O Trilhas da Democracia do dia 12 de janeiro recebeu como convidados a professora Maria das Graças e Silva, do Departamento e Programa de Pós-graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco, e Nal Pescador, Presidente da Associação de Pescadores e Pescadoras do Cabo de Santo Agostinho, a fim de debater a “questão ambiental no capitalismo predatório”.

O aparecimento de manchas de óleo no litoral nordestino, no segundo semestre de 2019, foi o acontecimento propulsor do debate, que procurou problematizar a ideia de inexorabilidade da destruição ambiental decorrente da expansão do modo de produção capitalista, particularmente nas suas regiões periféricas. Como costuma acontecer com a cobertura jornalística dos desastres ambientais (na verdade, com a cobertura jornalística em geral, já que esta vive o tempo dos acontecimentos – aquilo que o historiador francês, Fernand Braudel, chamou de “curta duração”), passado o momento da busca dos seus responsáveis imediatos, tudo volta à rotina comezinha do cotidiano, até que um novo desastre ambiental aconteça. O problema é que os intervalos entre os desastres ambientais têm se tornado cada vez menores – isso, por uma razão raramente abordada pelos meios de comunicação de massa, a saber: o fato de estar na sua origem profunda um modo de produção que tem na busca da lucratividade ilimitada a sua forma de ser, o que implica a necessidade de destruição também ilimitada do meio ambiente. Num livro publicado no ano de 2007, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno, o economista e filósofo francês Serge Latouche denunciou, na estrada aberta por Cornelius Castoriadis e Ivan Illich, a insustentabilidade da sociedade de crescimento capitalista, uma sociedade que, fundada no imaginário do progresso, alimenta a crença na possibilidade de “crescimento infinito”, num “mundo finito”. Claro é que, sem a edificação objetiva e subjetiva da sociedade de consumo no pós-Segunda Guerra Mundial, o ideal de “crescimento infinito”, com toda a sua longa gama de efeitos colaterais, não teria vingado tanto no Norte como no Sul do mundo.

Sociedade de consumo esta que, de acordo com Latouche, depende de três ingredientes para se afirmar e reafirmar continuamente como uma “ronda diabólica”: “a publicidade, que cria o desejo de consumir; o crédito, que fornece os meios; e a obsolescência acelerada e programada dos produtos, que renova a necessidade deles”.

Quando a estrutura capitalista consumista, brevemente descrita acima, passa a ser administrada por governantes adeptos do totalitarismo neoliberal, da ojeriza à causa ambientalista e a todas as formas de ativismo social, como aqueles que infelizmente nos governam desde 1º de janeiro de 2019, maiores são as chances de termos de conviver com uma sequência de desastres ambientais cada vez mais frequentes, que nos aproximem aceleradamente do colapso ambiental.
 

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