A facada preventiva ou: como agitar as hostes bolsonaristas sem fazer força

"O que Leda Nagle fez, medidas as devidas proporções em termos de linguagem, tem o mesmo efeito – e talvez o mesmo objetivo – da fala desbocada do deputado Daniel Silveira. Sublevar as hostes bolsonaristas contra o STF e, agora, somando o ódio ao Lula", escreve a jornalista Denise Assis

(Foto: Stuckert | Reprodução)
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A fake News esparramada pela jornalista Leda Nagle, nas redes sociais, anunciando que Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm um plano para matar Bolsonaro, bem poderia vir com o título: “facada preventiva”. Bolsonaro está vendo a sua “viola em cacos”, diante dos percentuais de pesquisas divulgadas pelo país, em que aparece derretendo na preferência do eleitorado, com quem ele esperava ter um vitorioso encontro marcado em 2022. Na iminência de não ter o fôlego que pensou ter e mirando o abismo que a “CPI do genocídio” pode representar  na sua trajetória até as urnas, já vai se vitimizando preventivamente.

Com trejeitos teatrais, com direito a olhos arregalados, franzir de sobrecenho e apelos à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e até da “Bicicletinha”, a jornalista Leda Nagle conseguiu o que não faz há muito tempo: causar. O motivo, porém, não foi nobre. Exibindo um celular – para dar “veracidade” ao “fato” -, Leda disparou a sua “bomba”:

“O delegado Paulo Maiurino, hoje colocou a seguinte nota: ‘hoje foi a quarta vez que derrubaram a minha conta esse mês. Recebi 16 ameaças de morte no e-mail, várias mensagens, várias mensagens aqui no Twitter, dentre outras coisas, isto porque não quero e não posso ser imparcial. Vocês querendo ou não eu sou a favor de Jair Bolsonaro. Aos que ameaçaram, eu sei onde estão. Partiu dali, em conjunto com Lula oficial e outros, a ideia de matar Bolsonaro. Por enquanto não posso dizer muito, mas  vocês saberão. Quem quiser pensar que é falsa a informação, fiquem (sic) à vontade. Nos próximos dias saberão de muitas coisas. Deus abençoe vocês. Paulo Maiurino’.”

A jornalista/celebridade finaliza o texto lido, com um comentário:  – Quando ele diz “daqui” ele bota a foto do STF (com ar entre o espanto e a surpresa).

Diante da avalanche de repercussões negativas Leda postou na rede um pedido de desculpas, dizendo que reproduziu e não checou por falta de tempo (!), uma notícia de um grupo de discussões de que participa à noite, para debater as manchetes do dia, intitulado: “Clube da Notícia”.

O vídeo foi destacado na página do site Uol, com o título: “Leda Nagle propaga notícia falsa de que Lula e STF queriam matar Bolsonaro”, e uma chamada explicativa: “A jornalista, que esteve por 13 anos à frente da apresentação do Jornal Hoje, na TV Globo, leu publicações do perfil falso que citavam um plano traçado para matar Bolsonaro. O destaque do Uol ignora que a jornalista Leda Nagle esteve por muito mais tempo no comando do programa da TV-E, o “Sem Censura” (20 anos). Diante do que pode parecer “maluquice”, o Uol se apressou em colocar no ar a observação: “O Perfil confirmado como “falso” pela Polícia Federal, já não está mais disponível”.

Daqui por diante, os integrantes do tal grupo a que pertence Leda Nagle, deveriam trocar o título por: “Clube da Fake News”.

Sofrer outra facada pegaria muito mal para Bolsonaro, mas um “atentado” atribuído à “turma do Lula”, lá isto poderia lhe render bons votos. A mesma jogada, qual seja, a da fake news da Leda Nagle, ainda teria um efeito providencial. Por exemplo, alvoroçar o exército verde-e-amarelo do “mito”, que cercaria o Lula na esquina, para acertá-lo em cheio, tirando-o, desta vez, não só da disputa, mas da vida. Sim. Há sempre um “maluco” de plantão disposto a tresloucar e “finalizar” o problema –, para ficar numa linguagem típica da turma miliciana. Traduzindo: os bolsominions podem querer matar Lula.

Sobre esta questão grave, envolvendo o diretor geral da Polícia Federal e a integridade moral da mais alta corte do Brasil, o STF divulgou a seguinte nota:

“Circula pelas redes sociais um post atribuído ao novo diretor-geral da Polícia Federal que aponta um mentiroso plano envolvendo ministros do STF. Trata-se de perfil não verificado e, segundo a PF, falso.

O STF reitera o alerta para a importância da checagem de informações suspeitas, como forma de evitar a propagação de fake news com o nome de autoridades e membros da Suprema Corte.

Antes de compartilhar informações, verifique se a fonte é segura.

Para conscientizar a sociedade sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal (STF) lançou a série “#VerdadesdoSTF”.

A nota do STF poderia estar afixada no mural de cortiça de qualquer escola de ensino médio. Tem a força de um “pito” da diretora e o efeito de um passar de pano. O que Leda Nagle fez, medidas as devidas proporções em termos de linguagem, tem o mesmo efeito – e talvez o mesmo objetivo – da fala desbocada do deputado Daniel Silveira (PFL-RJ). Sublevar as hostes bolsonaristas contra o STF e, agora, somando o ódio ao Lula.

Não é crível que uma jornalista experiente acredite que um diretor geral da Polícia Federal ande por aí sendo ameaçado de morte e tendo contas em redes sociais derrubadas, ficando tudo por isto mesmo. À primeira leitura já salta aos olhos a soma de absurdos contida no texto que leu. Mas, agarrada ao “espaço” que conseguiu com a família presidencial, Leda Nagle parece não ter medido consequências. E elas podem ser sérias. Não só em termos jurídicos, como em influência política aos desvairados que se enfileiram no gabinete do ódio, onde ela acaba de ter sua ficha de ingresso aprovada.

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