A guerra da comunicação, o combate das narrativas e o sucesso de comunicação de Lula da Silva

Lula tem o domínio do diálogo. Ele é irrefreável, é um comunicador inato, está em plena conexão com o interlocutor.

(Foto: Stuckert)

A comunicação confunde-se com os sentidos humanos, coloca-nos em contato com o mundo e com ooutro, em sensíveis trocas ininterruptas. Estão mais livres as pessoas que melhor articulam seus potenciais em termos de transmitir ideias e de capacidade de conexão com o outro. Lula tem o domínio do diálogo. Ele é irrefreável, é um comunicador inato, está em plena conexão com o interlocutor. Independe se o diálogo ocorre com companheiros de lutas ou adversários. Lula é um sucesso de comunicação. Ele atrai pela leveza de sua fala, pela competência dialógica, pela inventividade, independente de nossas vontades.

Liberdade de comunicação é uma conquista complexa, histórica, que exige o domínio de ferramentaseficientes para tal. Comunicar-se é um produto das relações humanas, que acontece em maior ou menor grau, dependendo do emissor e do receptor. Existem muitas formas de comunicar-se, está para além da capacidade de elaborar palavras e montar textos, porque é também aquilo que não está objetivado, mas pode ser captado pelos sentidos humanos.

É por tudo isso e mais que a comunicação é uma estratégia de guerra.É por tudo isso e mais que a comunicação é um recurso de dominação. As forças que detém o monopólio dos meios de comunicação possuem vantagens. A disseminação de um tom narrativo para determinadas questões, como a política, a economia ou sobre os aspectos sociais, é uma forma de consolidar a hegemonia de um poder. Uma interpretação é capaz de convencer pessoas reprimidas, pelo abuso da força de trabalho, de que isso é o melhor, de que o mundo não pode ser diferente, de que qualquer outra ordem seria uma tragédia. Segundo Gramsci, essa é uma das características mais impressionantes do capitalismo, a capacidade de dominar mentes e corações, tornando-os defensores da estrutura que os subjuga, impedindo a realização humana.

Uma propaganda, aparentemente ingênua, possui um conjunto de valores e intenções na suaconcepção, cooptando o interlocutor sem que o mesmo, na maioria das vezes, tenha as condições intelectuais para impor limites a esse contato. Esse é um dos motores do consumo, essa é uma forma de introduzir percepções sobre a realidade, através de desejos, medos e valores.

É com a limitada capacidade intelectual que os novos conquistadores contam, vorazes por mentes ealmas. Um dos motivos por que a educação não deve ser libertadora, não deve ser crítica e não pode ser criativa.

Um conteúdo disseminado pela mídia pode mobilizar o ódio contra “inimigos”, utilizando-se de históriassobre atrocidades; pode reforçar laços entre aliados; pode estimular a cooperação; e pode desmoralizar o “inimigo”. Via de regra, os poderosos meios de comunicação contam com o desaviso do receptor, que o mantém absorvente ao que faça sentido às suas disposições internas.

É impossível concluir sobre a plenitude da liberdade de expressão de cidadãos em contextos de limitadoacesso à cultura e à educação. Em menor número estão as pessoas que suspeitam da sua realidade, que duvidam das simples explicações e que dispõem de autonomia suficiente para construir o próprio texto sobre o que observam. A força do capital está voltada para a uniformização e a alienação da sociedade.

Por isso, num momento em que a população americana estava contra a I Guerra Mundial, a propagandae as narrativas foram um recurso importante para convencer de que o apoio aos aliados contra a Alemanha era importante. Um forte trabalho da mídia dissolveu a presença no imaginário da opinião pública das crueldades do campo de batalha. Na Inglaterra, o apoio popular era conquistado através de mensagens como “os soldados lutam como as pessoas pensam ou os soldados lutam como os soldados pensam”. No caso da política, os partidos que se posicionam de maneira contra hegemônica têm a dura missão de fazer o contraponto, de colocar em movimento a dialética das narrativas. Alguns interlocutores, políticos, é o caso de Lula, possuem uma capacidade diferenciada e apresentam novos argumentos à cena política, oportunizando o deslocamento dos pontos de vista na opinião pública.

O debate entre abordagens é uma forma de exercitar o povo na direção do confronto de narrativas, naconsciência sobre a diversidade de propostas para problemas que afetam a todos. Um quesito no qual a Globo tem persistentemente cometido o pecado capital da voracidade de um discurso uníssono. O The Intercept, com a Vaza Jato, deixa amostra os aspectos sórdidos da manipulação da opinião pública de maneira exaustiva pelos métodos do anti-jornalismo do jornalismo partidário da rede de maior abrangência no Brasil.

Talvez a Globo seja apenas uma representante que ilustra “A Nova era do Capital”, quando o mundo sepergunta se o capitalismo abriu mão do verniz democrático para colocar-se de volta em uma era selvagem, desrespeitando toda a razoável civilidade conquistada entre a maioria dos povos e a própria democracia. Todas as liberdades estão em risco, inclusive a de comunicação, precária pelo difícil acesso do ser humano a si mesmo e confrontada por ataques diretos a toda forma de expressão. Um projeto sustentado pelos rancores estimulados naqueles que se sentem contemplados pela falta de sensibilidade e solidariedade humana.

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