A história da riqueza da direita no Brasil

A riqueza da elite brasileira é o resultado de uma História de espoliação, fraudes, corrupção e mortes. Conto nos dedos das mãos quem, dentre os manifestantes que foram às ruas defender Sérgio Moro, não tem em sua árvore genealógica um malfeitor que construiu sua riqueza com o emprego de um – ou de todos esses fatores

A riqueza da elite brasileira é o resultado de uma História de espoliação, fraudes, corrupção e mortes. Conto nos dedos das mãos quem, dentre os manifestantes que foram às ruas defender Sérgio Moro, não tem em sua árvore genealógica um malfeitor que construiu sua riqueza com o emprego de um – ou de todos esses fatores. Se considerarmos que na esquadra de Cabral só desembarcaram ladrões, saqueadores e, pouco tempo depois, religiosos treinados para escravizar pela fé, aí mesmo é que não sobra ninguém honesto de origem.

Lendo as obras de Jorge Amado, por exemplo, encontramos rastros de sangue na conquista de vastos territórios onde o cacau foi plantado, no sul da Bahia. Fraudes cartoriais, emboscadas, expulsão de colonos, jagunços matando a torto e direito por ordem dos seus coronéis, cenário que se repetiu ininterruptamente nas culturas da cana, do café e, agora, na expansão da pecuária sobre áreas indígenas.

A mais clara distinção que se faz no Brasil entre direita e esquerda, é a correlação desses paradigmas com as figuras do explorador e do explorado. A direta brasileira é, na essência, uma organização de exploradores que não abre mão daquilo que conseguiu em séculos de saques e falcatruas. Não se trata de uma observação simplista do problema, sobretudo se observarmos que os mesmos elementos de dominação trazidos pela corte portuguesa, estão presentes no século 21 para controlar e manter os explorados debaixo de chicotes.

Observe, por exemplo, esses líderes evangélicos que circulam com desenvoltura por canais de TV, se articulam com milicianos e traficantes para expulsar terreiros de religiões de matriz africana, se não agem exatamente como os jesuítas das Companhias de Jesus. O poder da fé como elemento de controle dos explorados, que gera resignação e a perspectiva de que o sofrimento faz parte do processo de ascensão aos reinos do céu, é um dos maiores instrumentos de controle social da elite brasileira.

 A despolitização defendida pelo governo fascista de Jair Bolsonaro conta com o aval da elite brasileira, para quem a universidade nunca foi lugar para pobres, desde a criação da Escola de Cirurgia da Bahia, em 1808, e das faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827. Educação e trabalho são privilégios dos filhos de europeus, mesmo que as enormes bundas das loiras brasileiras denunciem o sangue africano que lhes correm nas veias. Não é a toa que uma das primeiras medidas adotadas pelo regime militar de 1964 foi a aprovação da lei 4504, conhecido como o Estatuto da Terra, que previa uma ampla reforma agrária, mas o que se viu foi a consolidação de imensos latifúndios que não param de se expandir.

 A direita não quer debate político nas escolas. A direita se utiliza dos meios de comunicação de massa para idiotizar o povo. A direita quer o pobre de volta ao papel de serviçal. A direita é aquilo que se viu no domingo apoiando Sérgio Moro. A direita está enraizada até mesmo nas instituições que deveriam ser guardiãs da democracia. Onde está a OAB, a ABI, a CNBB, que não se prenunciam publicamente contra a prisão ilegal de um ex-presidente, vítima de uma conspiração golpista do Judiciário? O que o Intercept precisa divulgar ainda para causar indignação a estas entidades? Tenho pena – e admiração – dos advogados que defendem Lula, que vão buscar na ONU o apoio que não recebem aqui. Que artista dessa nova geração vai contrariar o Sistema, levantando voz contra quem lhes dá projeção? Como eu gostaria que Anitta cobrasse do Bolsonaro uma solução para gerar empregos para 15 milhões de desempregados. Que soco no estômago do governo seria uma crítica do Cauã Reimond ao projeto belicista do fascista em armar a população. Mas entendo que não seria justo que sacrifiquem suas carreiras, diante da indústria do entretenimento que lhe fechará as portas. Então, vamos continuar com Chico Buarque, Caetano, a velha guarda que lutou contra o golpe de 64, onde me incluo, que ainda tem voz e verbo para gastar.

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