A História Real dos Golpes no Brasil - II

O movimento de 64, que extirpou a nossa frágil democracia, foi uma ardilosa parceria entre o alto comando militar e a elite brasileira, com a participação efetiva da imprensa conservadora e o know-how das vivandeiras da UDN

A História Real dos Golpes no Brasil - II
A História Real dos Golpes no Brasil - II (Foto: Divulgação)
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O estampido que remeteu o presidente Getúlio Vargas para a história tangeu o povão para as ruas. Udenistas e comparsas, assombrados, recolheram-se.

Não demorou muito tempo!

Perderam a eleição seguinte e já botaram novamente as unhas de fora, sem querer que Juscelino assumisse a presidência da República. .Dessa vez, quem cortou as unhas dos golpistas foi a espada do marechal Teixeira Lott.

Deu-se que, em 1961, na renúncia embriagada de Jânio, o vice-presidente eleito João Goulart, assumiu o comando do país depois de muita resistência da burguesia nacional e dos comandantes militares.. A Campanha da Legalidade liderada pelo governador Leonel Brizola garantiu sua posse.

Não completou nem três anos!

O uruguaio René Dreifuss, no livro, 1964 - A Conquista do Estado, descreve banqueiros, grandes empresários e trezentas multinacionais americanas abarrotando os cofres do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, o famoso IPES. .Um belo nome para designar a usina que fabricou o golpe militar de 1964, derrubando o presidente João Goulart, eleito dentro das regras democráticas do país.

"As vivandeiras alvoroçadas" da UDN, conforme relatava o Marechal Castelo Branco, haviam convencido os militares a derrubar o governo democrático de Jango.

Os jornais Estadão, Folha, Jornal do Brasil celebraram a instalação do regime militar e O Globo sapecou na primeira página o editorial: "Ressurge a Democracia".

Deu pra entender: o movimento de 64, que extirpou a nossa frágil democracia, foi uma ardilosa parceria entre o alto comando militar e a elite brasileira, com a participação efetiva da imprensa conservadora e o know-how das vivandeiras da UDN.

Corte para 2016!

O único personagem do PMDB com projeção nacional e potencial para disputar uma eleição para presidente foi Ulisses Guimarães. Em 1989 amargou um sétimo lugar, com minguados 4% da votação.

Os tucanos montaram na garupa do Plano Real de Itamar Franco e venceram duas eleições. Foi só desapear do Plano Real e perderam quatro seguidas para Lula, seu carisma e sua revolução social. E ainda tinha pela frente 2018 com o petista na frente das pesquisas.

Sem alternativas democráticas, o jeito foi buscar inspiração na experiência udenista.

Quem deu o mote para iniciar o golpe foi o peemedebista Jucá: " ...tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar a sangria". Mete no mesmo saco o STF e os militares: "Conversei com alguns ministros do Supremo e os caras dizem que só tem condições sem ela". "...Estou conversando com os militares, os caras dizem que vão garantir".

No dia 10 de março, peemedebistas e tucanos reunidos na residência do senador Tasso Jereissati traçaram as diretrizes para consolidar politicamente a queda da presidenta.

Já o 'respaldo popular', necessário em todos os golpes, veio montado numa mega manifestação convocada à exaustão por repórteres da rede Globo, estrategicamente espalhados por todas as capitais do país.

Mesmo com todas as articulações políticas, apoio popular forjado, militares atentos e o Supremo na jogada, alguma coisa ainda faltava.

Na noite anterior à votação do 'impeachment' na Câmara federal, conduzida pelo maior corrupto do país, a versão eletrônica da Folha de São Paulo falava numa enquete em que a oposição não dispunha de votos suficientes para tocar o "impeachment".

Besteira!

Na calada da madrugada uma vaquinha de 500 milhões devidamente arrecadada pela FIESP (o jornalista e economista J Carlos de Assis nunca foi contestado) foi decisiva para iniciar a consumação do golpe.

E foi assim que o mandato de quatro anos da presidenta eleita pela maioria dos brasileiros foi brutalmente interrompido.

A FIESP, como o IPES, em a cara da burguesia nacional; peemedebistas e tucanos compõem a mesma laia das vivandeiras udenistas e a imprensa(direita volver) tupiniquim é a mesmíssima de 64.

Só faltaram as armas!

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