A hora é de resistir

O apoio deve ser para que Dilma diga: não abandono a responsabilidade que me foi confiada por 54 milhões de brasileiros. Não entrego o poder a golpistas corruptos. A presidenta constitucional eleita sou eu. Essa é a hora da resistência

Brasília- DF 18-04-2016 Presidenta, Dilma, durante coletiva no Planalto. Foto Lula Marques/Agência PT
Brasília- DF 18-04-2016 Presidenta, Dilma, durante coletiva no Planalto. Foto Lula Marques/Agência PT (Foto: Chico Vigilante)
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A cada dia que passa mais me indigno com a atual situação brasileira, de desmonte da democracia tramado pela dupla Michel Temer/ Eduardo Cunha.

Temer, um traidor acusado de corrupção, com ridículos 1% de preferência nas pesquisas para presidente da República quer chegar ao poder por meio de um golpe, sem submeter-se ao voto popular.

Com o apoio da mídia nacional e a inércia do STF, a dupla se organiza para governar para o 1% mais rico do Brasil, contra os outros 99%, voltando a oprimir os brasileiros.

O processo de impeachment de Dilma anda em ritmo acelerado no Congresso mas o de Temer se arrasta a passos de cágado na Câmara.

O processo de cassação de Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara já tem 190 dias e também não sai do lugar. É manobra atrás de manobra.

Se as instituições estivessem realmente funcionando no país, como a oposição afirma estar, Cunha já estaria na cadeia.

No STF existem cinco processos contra Cunha, todos correndo em sigilo. Quando Lula diz que o Supremo está acovardado o mundo vem abaixo num ti ti ti infindável de comadres, mas que nome dar a essa lentidão direcionada quando se trata de Cunha e Temer?

É a comédia dos horrores : corruptos tirando do poder uma mulher honesta. Em qualquer democracia minimamente séria Temer já estaria preso por conspiração.

Morando a menos de dois quilômetros do Palácio da Alvorada, ele no Palácio do Jaburu - a Toca da Conspiração – trama-se todo o tempo.

O mais grave de tudo isso é o loteamento de cargos que estão fazendo. É um frenesi de gente entrando e saindo do Palácio do Jaburu, para negociar posições de um governo de uma presidenta que tem um mandato constitucional até 2018.

Pensando sobre isso me lembro de todos os golpes impetrados pela direita em países latino americanos. Um em especial me veio a memória esta semana, um pouco pela semelhança do apoio de parte da população ao golpe, como acontece aqui, de forma totalmente equivocada.

Quando Fujimori deu um golpe no Perú, em 1992, fiz parte de uma delegação de deputados brasileiros, liderados pelo gaúcho, Odacir Klein, para protestar contra o golpe e prestar solidariedade ao povo peruano.

Nos hospedamos na Embaixada do Brasil e lá fizemos contato com a OAB peruana, com o correspondente no país à CNBB brasileira, visitamos o arcebispo de Lima, e muitas outras entidades do movimento social.

Todos estavam contra o golpe, com exceção do Sindicato dos Caminhoneiros e Proprietários de Ônibus, unidos num sindicato só, neutralizados por Fujimori com um expressivo aumento de tarifas.

Estivemos com o terceiro vice-presidente constitucional - o segundo havia renunciado- que estava em prisão domiciliar e que pela Constituição do país era o presidente do país, e quem deveria estar no poder. Havia soldados do Exército cercando sua casa.

Na noite de 5 de abril de 1992, um domingo, Fujimori anunciou na televisão que estava "temporariamente dissolvendo" o Congresso da República e "reorganizando" o Poder Judiciário. A seguir ordenou que tanques do Exército se dirigisse para o Congresso para fechá-lo.

Dois dias depois publicou a Lei de Base do Governo de Emergência e Reconstrução Nacional.

Assim como está acontecendo aqui com a classe média alta, numa primeira etapa no Perú, o povo aplaudiu Fujimori visto como salvação da pátria.

Mudaram de ideia quando viram no que se transformou o governo dele, uma das ditaduras mais corruptas no poder por dez anos, verdadeira carnificina, onde era rotina todo tipo de vilania. Quando se arrependeram era tarde demais.

Aqui no Brasil, neste momento, o que Dilma deve fazer é resistir ao golpe e não deixar o governo. Ela deveria confrontar Temer as 24 horas do dia. Ai sim vamos testar as instituições brasileiras se estão preparadas para defender a nossa Constituição.

O que não dá mais é pra ficar com aparência de democracia quando não é mais uma democracia.

Numa democracia consolidada e constituída as Forças Armadas no seu papel de garantidoras da Constituição, ficam do lado da presidente eleita pelo voto popular da maioria dos eleitores.

Se tem uma presidenta eleita, que não cometeu crime de responsabilidade ou nenhum outro é isso que tem que acontecer.

Portanto, minha proposta é que mesmo se o processo de impeachment passar no Senado, ela resista, não entregue o poder, não se deixe destituir por uma quadrilha. Ai vamos comprovar a existência efetiva da democracia no Brasil.

Minha proposta é que todos os ministros nomeados pela presidente constitucionalmente eleita não entreguem seus cargos e se mantenham em seus gabinetes trabalhando normalmente.

As esquerdas devem apoiar Dilma para além de todas as manifestações de rua que estão acontecendo por parte dos movimentos populares e sociais.

Em maio, as principais centrais sindicais do país, à exceção da Força Sindical, vão as ruas deflagrar greve geral que promete de fato parar o Brasil, contra o golpe.

O apoio deve ser para que Dilma diga: não abandono a responsabilidade que me foi confiada por 54 milhões de brasileiros. Não entrego o poder a golpistas corruptos. A presidenta constitucional eleita sou eu. Essa é a hora da resistência.



 

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