À imprensa cabe informar, com ou sem paixão, a verdade

O que vemos hoje na mídia corporativa, que está a serviço da plutocracia, é o modus operandi próprio da inquisição, quando as punições eram feitas em cerimônias públicas, chamadas autos-de-fé. Algumas pessoas acusavam outras por vingança, ou para obter recompensas da coroa

Assisti recentemente à entrevista que Zé Dirceu concedeu em 2010 ao programa RODA VIVA, da TV Cultura.

O que vi confirma algo que penso faz tempo: à imprensa cabe informar, com ou sem paixão, a verdade.

Na entrevista vê-se o ex-ministro da Casa Civil, ex-deputado federal, representante da geração de 1968, ser desrespeitado por alguns dos presentes e no melhor estilo inquisição. Creio que todas as pessoas deveriam devem ser tratadas com respeito pela imprensa.

O que vemos hoje na mídia corporativa, que está a serviço da plutocracia, é o modus operandi próprio da inquisição; corte religiosa, operada por autoridades da igreja, que caçava hereges e depois de identificá-los os entregava às autoridades seculares, pois "a igreja não derramava sangue", uma hipocrisia brutal.

A inquisição usava com frequência a tortura como modo de penitência e as punições variavam: da mais comum (quase 80% dos casos), que era a vergonha pública (obrigar o uso do sambenito, uma roupa de penitente, usar máscaras de metal com formas de burro, usar mordaças) até ser queimado em praça pública, quando o "crime" era mais grave. Havia também a morte pelo garrote (estrangulamento) que era usada para os arrependidos.

Por que a "entrevista" me lembrou da inquisição? Porque as punições da inquisição eram feitas em cerimônias públicas, chamadas autos-de-fé, que aconteciam uma vez por ano na maioria dos casos. Algumas pessoas acusavam outras por vingança, ou para obter recompensas da coroa e alguns dos entrevistadores, especialmente o jornalista Augusto Nunes, portou-se como inquisidor e o programa todo foi verdadeiro auto-de-fé.

A verdade é que Zé Dirceu foi imolado politicamente por um congresso que estava pressionado pela opinião pública, teve seus direitos políticos suspensos por oito anos, foi condenado apenas dois anos depois da entrevista e sem provas na AP 470. Não podemos ignorar que agora há também a condenação decorrente de um dos processos da Lava-Jato, mas isso merece reflexão própria.

À imprensa cabe informar a sociedade, com ou sem paixão, a verdade e não apenas a versão que se lhe apresenta mais adequada aos interesses "desta ou daquela" companhia que gasta milhões em publicidade ou mesmo de outros interesses impublicáveis.

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