A inconteste maioria

Com Bolsonaro na Presidência, o resultado não será outro senão mais de um milhão de mortos. Ficou muito claro, ontem, em diversas cidades do Brasil, que a maior parte da população não vai tolerar ser vítima do descaso e da deliberada evasividade de Bolsonaro. O impedimento se faz urgente

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Ontem, um eloquente e necessário diálogo entre os lados que polarizam a política nacional, tendo a luta de classes como pano de fundo, saiu da internet para as ruas, demonstrando o tamanho e o volume da rejeição a Bolsonaro. De um lado, manifestações pintadas de verde e amarelo. Do outro, contra o desgoverno genocida, uma colorida e imensa população, bem mais de 70%. Quem apoia Bolsonaro, carregava cartazes pedindo de supressão da democracia, o fechamento do Legislativo e o do Judiciário. O grupo que a indignação com Bolsonaro fez enfrentar a pandemia, nas ruas, bradou, a plenos pulmões, contra o racismo, o fascismo, o armamentismo, o descaso do presidente com o Brasil e com os brasileiros e em defesa da democracia, da educação, da saúde.

Segundo os números da Polícia Militar, de São Paulo, enquanto 100 pessoas defendiam Bolsonaro e a ditadura, na Av. Paulista, mais de três mil outros brasileiros, no Largo da Batata, diziam em alto bom som que vidas pobres e pretas importam e que as intenções autoritárias do governo Bolsonaro não vão prosperar. Infelizmente, é triste se animar com as mobilizações quando elas acontecem num momento em que as pessoas deveriam estar em casa, protegidas, caso este País tivesse um governo interessado nas suas demandas. As manifestações em prol da democracia superaram, em muito, a capacidade de Bolsonaro compreender o seu papel de presidente de uma das 10 mais ricas nações do mundo. Parte significativa da população entende que o Brasil não merece um presidente sem a autoestima da sua altura, cuja vida se resume em criar crises, interferir na Polícia Federal para proteger sua família, vender cloroquina e se deliciar com os chutes que o Trump lhe dá.

Foi um grande dia, o domingo. Como se não bastasse as acachapantes manifestações contrárias ao seu desgoverno, Bolsonaro se viu ensaboado pelo seu consultor de assuntos aleatórios, astrológicos, de palavreado chulo, como tudo que vem desse governo. Olavo de Carvalho não poupou verdades sobre o presidente que ajudou a eleger, corroboradas pela voz das ruas. Essas, não pode ter passado indiferente aos ouvidos da Presidência da Câmara dos Deputados, chamada a se posicionar quanto a algum dos mais de 30 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Nenhum parlamentar federal tem condições de negar a contundente demonstração de isolamento do presidente, que é sustentado única e exclusivamente pelas políticas ultraliberais implantadas por Paulo Guedes, ministro do capital financeiro, que pode controlar mais de 450 parlamentares no Congresso Nacional.

Em meio à mais profunda crise sanitária da história do País, milhares de pessoas foram às ruas em favor da vida, desprezada por Bolsonaro e seu ministério de notáveis ineptos. Entre outras coisas, decretam a prisão de ministros do STF, colocam granada no bolso do servidor e se aproveitam da distração da imprensa para passar a boiada dos interesses internacionais sobre os recursos energéticos brasileiros. É muito triste perder tempo discutindo as políticas erráticas do governo, quando já estamos próximos de 40 mil mortos e mais de 700 mil infectados. Porém, com Bolsonaro na Presidência, o resultado não será outro senão mais de um milhão de mortos. Ficou muito claro, ontem, em diversas cidades do Brasil, que a maior parte da população não vai tolerar ser vítima do descaso e da deliberada evasividade de Bolsonaro. O impedimento se faz urgente, a bem das vidas que ainda se pode poupar das políticas genocidas de Bolsonaro e Guedes.

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