A informação liberta

Moro e de Dallagnol não podem mais se esconder atrás de argumentos que, sem sucesso, tentam desqualificar as postagens da InternceptBrasil. O que está em jogo é muito mais do que rixas partidárias, mas a soberania do País. A ocupação das ruas é fundamental

“Alguma coisa está fora da ordem”, disse o poeta. O verso pode ser aplicado ao estrondoso, incompreensível e desavergonhado silêncio e inação das instituições de segurança e controle, como os conselhos Nacional de Justiça e o do Ministério Público, que ainda não acusaram a indevida ocupação dos respectivos cargos dos senhores ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro e do chefe da Força-Tarefa, o procurador Deltan Dallagnol. Já são quatro meses de vazamentos da agência InterceptBrasil, na série de reportagens da Vaza Jato. Não obstante a omissão das instituições que deveriam se pronunciar e agir, para o bem das suas vergonhas, os únicos argumentos sabidos do ex-juiz e da Força-Tarefa são que, ora as mensagens foram obtidas de forma fraudulenta, ora foram descontextualizadas. Em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal incluiu em um de seus votos os diálogos vazados em que estavam envolvidos os nomes, inclusive de forma pejorativa, de vários ministros. Portanto, o STF institucionalizou os diálogos criminosos, vazados pela Vaza Jato.

Em um país onde vigesse o Estado Democrático de Direito, tanto o ministro da Justiça quanto toda a equipe da operação Lava Jato estariam afastados e submetidos a uma série de restrições, como a de não sair do país. Os danos à nação são de dimensões de crime de lesa pátria, que vão muito além dos mais de R$ 140 bilhões de prejuízos financeiros e dos milhões de empregos perdidos, ao longo de complexas cadeias produtivas. A L. J. foi vetor determinante para o processo do golpe, que abriu uma avenida para nações tecnologicamente mais desenvolvidas que o Brasil, preferencialmente os EUA, avançarem sobre os recursos energéticos e as empresas brasileiras que, de resto, são superavitárias, modernas e ferramentas fundamentais para tirar o Brasil desta crise e colocá-lo de volta nos trilhos do desenvolvimento. Porém, Moro e Dallagnol cometeram um crime ainda maior, que foi o de interferir no processo democrático, mantendo preso, sem uma única razão jurídica, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para alçar Bolsonaro ao cargo máximo da República e, assim, continuar a aprofundar o processo iniciado por Temer, de massacrar direitos, arrochar economicamente a população mais pobre e solapar a soberania.

O governo Bolsonaro é um desastre escondido pela imprensa do mercado financeiro, que precisa mantê-lo para alcançar o objetivo de transformar o brasil em uma fazenda continental para o bem do desenvolvimento de outras nações. No dia a dia, no ambiente de trabalho, nas feiras, nos coletivos, percebe-se a insatisfação e a desilusão que não se vê nos grandes veículos de comunicação. Segundo esses veículos, são empreendedores os que vendem qualquer coisa nos cruzamentos das grandes cidades, quando o semáforo lhe determina os segundos que ele tem para ganhar a féria do dia, que pode ser, quem sabe, nada. As ruas estão cada vez mais cheias de trabalhadores sem trabalho. Pesquisas dos mais diversos institutos indicam que Bolsonaro derrete. De abril a setembro, sua avaliação positiva caiu de 35% para 31%. Já a avaliação negativa, no mesmo período, subiu de 27% para 34%. Infelizmente, essa oposição ao governo não se traduz em ruas cheias. Além da falta de organização, ao longo dos anos, a sociedade foi inoculada, principalmente com a Lava Jato, de ódio contra sindicatos e partidos, principalmente os de esquerda.

Historicamente, os sindicatos e os partidos que defendem os interesses da classe trabalhadora são ligados às ideologias de esquerda. A democracia não será restituída sem as ruas tomadas, inclusive, pela liberdade de Lula. A duas coisas estão interligadas, e os trabalhadores, de todas as categorias, que não compreendem isso são mal informados ou não têm muito apreço pela democracia. A desconstrução desse ódio deve ser para ontem, pois o que está em jogo é nada menos que a capacidade de os brasileiros conduzirem a sua autodeterminação. Bolsonaro e Paulo Guedes estão destruindo toda a capacidade de o Brasil se reerguer econômica, social e politicamente. Sem a reação contundente, eles terão sucesso na empreitada. A classe trabalhadora deve buscar, o quanto antes, o sindicato que lhe representa e formar fileiras para as ações de resistência aos avanços das políticas ultraliberais. Somente por meio da organização é que os trabalhadores conseguirão reconquistar os direitos que lhes são devidos. Os sindicatos e os partidos devem ser criticados, sim, como todas as instituições, porém não devem ser destruídos, sob pena de os trabalhadores perderem sua capacidade de se organizar. Para a elite, quanto menos organizados estiverem os trabalhadores, mais fácil fica de dominar.

Até o ano de 2019, a democracia não inventou outras instituições que defendessem tão bem os direitos da classe trabalhadora, senão os partidos políticos e os sindicatos. A classe trabalhadora deve entender, o quanto antes que, todos os seres humanos são políticos. É uma condição inespugnável. Ou os trabalhadores que estão odiando os partidos de esquerda e os sindicatos apresentem uma forma de organização da classe trabalhadora mais eficiente e eficaz que os partidos e os sindicatos, ou passem a participar deles para transformá-los. Há erros nos sindicatos e nos partidos e eles devem ser corrigidos, mas, as instituições devem ser mantidas. Nos países mais avançados do mundo, pessoas que produzem prejuízos em empresas são afastadas, processadas e, talvez, presas. Porém, a empresa segue produzindo, vendendo, gerando emprego e recolhendo impostos. Moro e de Dallagnol não podem mais se esconder atrás de argumentos que, sem sucesso, tentam desqualificar as postagens da InternceptBrasil. O que está em jogo é muito mais do que rixas partidárias, mas a soberania do País. A ocupação das ruas é fundamental. O importante é se despir desse ódio e procurar se informar, além dos grandes veículos de comunicação sobre a conjuntura política nacional. Às ruas para restituir o Brasil aos brasileiros.

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